Após as chuvas intensas de terça (5/2) e de sexta-feira (8), a região de Águas Claras teve alguns dos velhos problemas de infraestrutura expostos, como apagões no Parque Ecológico e a proliferação de buracos no asfalto. Outros, que não precisam de temporal para ficar em evidência, como mato alto, despertam incômodo nos moradores.

Na Rua 34 Sul, o asfalto da calçada próximo a uma área de construção privada cedeu e buracos abriram no chão. A administração regional, responsável pela parte externa à obra, onde está a via pública, vistoriou o andamento dos reparos na manhã dessa sexta-feira (8).

Segundo Ney Robsthon, administrador regional, todas as medidas emergenciais foram tomadas na rua e o próximo passo é elevar a calçada para evitar a infiltração de água. “Os paliativos necessários foram executados pela Novacap. Caso a intervenção não tivesse ocorrido, o problema teria se tornado mais grave. A rede de águas pluviais poderia ser afetada”, afirmou. Ele disse ainda que a empresa responsável pela obra foi notificada.

 

Como não é a primeira vez que a Rua 34 Sul fica interditada após um temporal, os moradores demonstram preocupação. “A chuva detonou o calçamento. Se tivesse algum carro na hora, com certeza teria sido engolido”, relatou um homem que preferiu não ter o nome divulgado. Ele vive nas proximidades há três anos e diz que a obra privada não apenas está parada como também acarretou, mais de uma vez, o enfraquecimento do asfalto.

Ester Raposo, 19 anos, além de trabalhar como comerciante na Rua 34 Sul, é moradora de um prédio ao lado da calçada que ficou com buracos. Sua maior preocupação é o comércio, prejudicado com a redução do movimento de pessoas. “Da última vez, no ano passado, a rua ficou fechada por três meses e as vendas diminuíram muito. É coisa pequena, mas gera grandes transtornos.”

 

Robsthon e o gerente de obras da administração, Norberto Duarte, destacam que 95% dos buracos da região de Águas Claras já foram tapados após o começo do programa SOS DF, destinado a fazer reparos nas diferentes regiões da capital.

As próximas medidas, que levam mais tempo, serão relativas à melhoria da estrutura regional. “Enxergamos os problemas, mas nem todos podem ser resolvidos no mesmo instante, por questões técnicas. Algumas soluções precisam de planejamento e licitações”, ressaltou Robsthon.

Mato alto
Outro incômodo afeta o dia a dia de quem circula a pé por Águas Claras: o mato alto. Quem deseja cruzar o espaço entre a Rua 25 Sul e a Avenida Jacarandá, por exemplo, precisa fazer um caminho um tanto incerto. A área, que conta com uma pequena trilha improvisada, está coberta por um matagal que pode chegar ao dobro da altura de uma pessoa.

Os que transitam por ali diariamente se queixam da sensação de insegurança. “A gente, à noite, não anda aqui. Preferimos dar a volta na rua toda”, dizem os auxiliares de serviços gerais Wilson Aparecido, 41 anos, e Paulo de Souza, 23. Pela manhã, os dois atravessam o local para chegar ao trabalho, sempre com medo de assaltantes.

 

Para Isla Cristine, dona de uma oficina de carros na Rua 25 Sul, o problema não consiste apenas em passar por ali: ela conta que o mato está infestado de ratos, que muitas vezes tentam chegar ao seu estabelecimento. “Ficamos temerosos com a segurança. Os ratos saem dali e a grama é tão alta que qualquer pessoa poderia se esconder.”

A razão para falta de manutenção, conforme explica a administração regional, é porque se trata de uma área sub judice e, portanto, não pode ser reparada pela Novacap. Ney Robsthon informou, no entanto, que, ainda na sexta-feira (8), um ofício seria encaminhado para a Defesa Civil, pedindo autorização para que a Novacap interfira e corte a grama.