Parque de Águas Claras fica às escuras e deixa população assustada

Outros pontos da região foram afetados por apagão na terça (5/2). CEB informou que enviará equipes de manutenção para o local

Igo Estrela/Metrópoles/Foto ilustrativaIgo Estrela/Metrópoles/Foto ilustrativa

atualizado 06/02/2019 21:18

Problemas na iluminação do Parque Ecológico de Águas Claras deixaram frequentadores do espaço assustados na noite de terça-feira (5/2). O problema costuma ser recorrente e foi agravado pelo temporal que deixou parte da região administrativa sem luz. Quem estava na reserva à noite ficou com a sensação de insegurança.

Em vídeo gravado nessa terça, uma moradora de Águas Claras reclamou da situação e disse que pessoas então presentes no parque se reuniram para saírem juntas do local. “Éramos muitas mulheres com medo. Juntamos um grupinho e atravessamos o breu com a lanterna do meu celular”, contou a revisora Viviane Novais.

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) afirmou que a iluminação foi prejudicada pelas chuvas, mas já retornou à normalidade. De acordo com o órgão, o parque tem boa iluminação, e os problemas de falta de luz foram decorrentes de apagões na região de Águas Claras.

O Ibram informou, ainda, já existir um projeto em andamento para trazer melhorias ao sistema do parque, que pode solucionar essa questão.

 

Para Román Cuattrin, presidente da Associação de Moradores de Águas Claras (Amac), apesar do relato de Viviane, a situação das luzes do parque já apresentou melhorias se comparada a períodos anteriores. “Muita gente ainda reclama, mas, de uns tempos para cá, a manutenção dos postes por parte da CEB [Companhia Energética de Brasília] começou a ser feita com mais frequência.”

Cuattrin, contudo, faz uma ressalva: “A manutenção no restante da região não apresentou melhorias, diferentemente do parque. É possível encontrar postes que permanecem apagados por três ou quatro dias”, afirmou. “Muitas vezes, se trata do mau funcionamento de alguma subestação de energia. É um problema comum, infelizmente. Às vezes, metade da região fica sem luz.”

A CEB informou, por meio de nota, que enviará equipes de manutenção para os pontos de iluminação pública apresentando defeito. Destacou que os cidadãos, ao perceberem algum mau funcionamento, podem entrar em contato com a companhia pelo telefone 116 para registrar a ocorrência.

Existem equipes de manutenção trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, em todas as regiões do Distrito Federal”, disse a CEB. “Demandas de instalação de novos pontos de iluminação pública precisam ser direcionadas para a administração regional, que é responsável por viabilizar investimentos junto ao governo”, acrescentou.

No entanto, na noite de quarta (6), os problemas na iluminação ainda persistiam.

Apagões
De acordo com a CEB, a falta de energia da noite de terça-feira (5/2) afetou 3.362 unidades consumidoras de Águas Claras. O apagão foi consequência de um cabo partido no circuito, causado por uma árvore na rede. O sistema foi totalmente religado às 22h50. A administração regional informou que entrou em contato com a CEB tão logo o problema começou.

DF na Real
No último dia 3, o Metrópoles mostrou, na série DF na Real, problemas decorrentes da iluminação pública precária. A reportagem percorreu mais de 10 pontos da capital carentes de postes de energia elétrica. Plano Piloto, Universidade de Brasília (UnB), Riacho Fundo II, Núcleo Bandeirante, Ceilândia e Taguatinga são algumas localidades onde não é preciso andar muito para dar de cara com o breu.

Ao todo, são 307 mil postes de luz espalhados pelo Distrito Federal. Numericamente, parece muito. No entanto, conversando com pedestres, motoristas e comerciantes, percebe-se que o serviço não chegou a diversas áreas urbanizadas.

A falta de iluminação não contribui somente para o aumento de práticas criminosas. Condutores no trânsito também ficam mais vulneráveis a acidentes automobilísticos provocados pela baixa visibilidade das vias. Já quem apostou o sonho da casa própria nesses lugares reclama da desvalorização dos imóveis.

O protesto de quem vive às escuras ganha corpo quando chega a conta de energia elétrica, pois, desde 2002, a fatura vem com a adição da Contribuição de Iluminação Pública (CIP), taxa destinada justamente ao financiamento de serviços voltados a assegurar o direito à iluminação pública.

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