Carro apreendido com suspeitos de matar padre Casemiro será periciado

Novas provas e pistas podem ajudar a capturar os outros dois foragidos e a esclarecer o que levou os bandidos a matarem o religioso

atualizado

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Carlos Carone/Metrópoles
opala, padre casemiro
1 de 1 opala, padre casemiro - Foto: Carlos Carone/Metrópoles

O Opala encontrado com os dois suspeitos presos acusados de participar do assassinato do padre Kazimerz Wojno, 71 anos, pode ajudar a esclarecer o crime ocorrido no sábado (21/09/2019), na Igreja Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte. O automóvel vai ser periciado em busca de pistas e provas.

De acordo com investigações da 2ª Delegacia de Polícia, na ida para o assalto, os bandidos usaram o carro de Valparaíso (GO), Entorno do DF, até Santa Maria, onde pegaram um ônibus para a Asa Norte. Depois de matarem o religioso, fugiram a pé e entraram em outro coletivo direto para Valparaíso.

A polícia quer saber quem dirigiu o Opala, que ficou estacionado em Santa Maria e foi apreendido em Valparaíso (GO), nessa terça-feira (24/09/2019). O carro é um modelo Diplomata, fabricado em 1985/86.

Segundo o delegado-chefe da 2ª DP, Laércio Rossetto, o carro foi usado parcialmente para o transporte dos criminosos. “Ainda vamos fazer perícia para tentar identificar indícios de participação de outros comparsas nessa empreitada criminosa”, explicou.

O diretor-geral da Polícia Civil, delegado Robson Cândido, esteve na delegacia e falou sobre o desfecho das investigações. “Temos uma polícia judiciária extremamente bem preparada e equipada. Toda a corporação ficou acordada 72 horas para trabalhar na elucidação desse crime e prender parte dos autores o mais rápido possível. O trabalho dos investigadores em parceria com os peritos foi fundamental para o apontamento das autorias”, afirmou.

Foram presos Alessandro de Anchieta Silva, 19, e Antonio Willian Almeida Santos, 32. Segundo Rosseto, o primeiro é apontado como autor das ameaças e agressões. Ele acredita que o padre foi morto porque teria reconhecido os bandidos.

A PCDF ainda procura outros dois suspeitos de participação no latrocínio: Daniel Souza Cruz (foto abaixo), 29, e um adolescente. Se alguém tiver informações sobre o paradeiro de Daniel, pode acionar o 197 e fazer a denúncia de forma anônima. Eles foram flagrados pulando o muro da igreja após o crime.

Reprodução/PCDF

 

 

Nas imagens gravadas por câmeras de prédios vizinhos à igreja, é possível observá-los pulando o muro que cerca a Paróquia Nossa Senhora da Saúde, por volta das 21h40. Eles fogem usando mochilas e um deles aparece segurando um notebook nas mãos.

O circuito interno do prédio próximo à igreja registrou ainda os acusados caminhando tranquilamente nos arredores do local.

https://youtu.be/rSgmFM-tza0

Premeditado

Segundo Laércio Rosseto, Alessandro admitiu a participação no crime, porém alegou que não queria a morte do padre. “Contudo ele estava na cena do crime, com uma arma de fogo. Estava disposto [a matar]”, pontuou o delegado, acrescentando que o artefato ainda não foi apreendido.

Os dois suspeitos, que estão presos temporariamente, foram flagrados pela PCDF no momento em que chegavam ao bairro Santa Rita de Cássia, em Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal. Rosseto ressaltou que tudo indica que os criminosos sabiam da rotina da casa, já que se dividiram nos dois andares e arrombaram um cofre de 1,5 metro de altura, de concreto. Para isso, usaram ferramentas que estavam no imóvel.

Para o delegado, que acompanhou o trabalho de investigação sobre os vestígios encontrados no local do crime, o latrocínio foi premeditado. “O que entendemos é que eles estavam indo especialmente atrás desse cofre. Eles sabiam que havia o cofre lá, usaram equipamentos que existem na própria residência, de maneira que não precisaram levar nada. É um cofre de um metro e meio, de concreto e aço, com duas portas, isso indica que foi estudado. Eles sabiam o que iriam encontrar lá”, analisou.

A detenção foi feita por investigadores da 2ª DP, com apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Divisão de Operações Aéreas (DOA). Até um helicóptero da corporação foi utilizado para o trabalho de localização dos suspeitos. Com os detidos, a polícia apreendeu dois notebooks, três garrafas de uísque Red Label, um celular, um moletom, um relógio, uma corrente de ouro e chaves de carros. Parte dos itens estava na paróquia.

Além de matarem o padre, os criminosos agrediram o caseiro José Gonzaga da Costa, 39, que ainda tenta se recuperar após o terror vivido na mira de criminosos. O homem estava junto do religioso, conhecido como padre Casemiro, quando quatro homens invadiram a residência do sacerdote e fugiram levando pertences pessoais e objetos de valor. Antes de deixar o local, o grupo assassinou o pároco com requintes de crueldade. O pároco teve os pés e mãos amarrados e foi estrangulado com um arame.
Caseiro agredido

Assim como padre, José foi amarrado com arames durante a ação dos criminosos. No entanto, teve a vida poupada. Em curta conversa com o Metrópoles, nesta quarta-feira (25/09/2019), ele falou pela primeira vez sobre o caso. E se mostrou aliviado a prisão de dois dos suspeitos. “Graças a Deus. Deus é bom”, disse, olhando para o céu.

Questionado sobre seu estado de saúde, o caseiro, que chegou a ser internado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com escoriações,  disse estar se recuperando. “Estou melhor, graças a Deus, mas bem eu nunca vou ficar”. Cinco dias após o ocorrido, ele ainda carrega as marcas da noite do crime, como as cicatrizes nas mãos e pernas provocadas pela força com que foi amarrado pelos algozes.

Desde o episódio, José está recluso e evita ao máximo falar sobre a noite do crime. Continua morando no terreno da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte, onde ocorreu o latrocínio (roubo seguido de morte). O caseiro tem passado o dia nas dependências da igreja e só sai para ir a missas, sempre acompanhado do irmão, Célio Gonzaga da Costa.

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Caseiro testemunhou crime, foi amarrado e ficou com cicatrizes nas pernas
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Delegado Laércio Rosseto
Chaves de carro apreendidas pela PCDF
Cordão de ouro apreendido pela PCDF com suspeitos
O caseiro participou da reconstituição do crime
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O caseiro participou da reconstituição do crime

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Caseiro testemunhou crime, foi amarrado e ficou com cicatrizes nas pernas
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Caseiro testemunhou crime, foi amarrado e ficou com cicatrizes nas pernas

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Delegado Laércio Rosseto
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Delegado Laércio Rosseto

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Chaves de carro apreendidas pela PCDF
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Chaves de carro apreendidas pela PCDF

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Cordão de ouro apreendido pela PCDF com suspeitos
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Cordão de ouro apreendido pela PCDF com suspeitos

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Suspeitos presos na 2ª Delegacia de Polícia
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Suspeitos presos na 2ª Delegacia de Polícia

Ana Karolinne Rodrigues/Metrópoles
Acusado de matar o padre Casemiro
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Acusado de matar o padre Casemiro

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Homem acusado de matar o padre Casemiro
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Homem acusado de matar o padre Casemiro

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Padre Casemiro comandava Paróquia da Nossa Senhora da Saúde
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Padre Casemiro comandava Paróquia da Nossa Senhora da Saúde

Pascom Brasília/Divulgação

 

À reportagem, o irmão disse que também mora no terreno da paróquia, mas dormia no momento em que os bandidos chegaram. Segundo ele, o caso aconteceu logo após o religioso celebrar a missa das 18h30. Padre Casemiro tinha ido fiscalizar uma obra executada no lote.

“Meu irmão contou que eram quatro criminosos. Eles pularam a grade, mas eu não ouvi porque estava dormindo. Acordei quando meu telefone vibrou, por volta das 21h30. Foi quando ouvi meu irmão gritando socorro e fui acudir. Nesse momento, eles fugiram”, revelou Célio.

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