Padre Casemiro: PCDF prende dois e procura outros dois por assassinato

Homens foram detidos em Valparaíso (GO) nesta terça-feira (24/09/2019). Um deles confessou participação na morte do líder religioso

atualizado 25/09/2019 7:08

Ana Karolinne Rodrigues/Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, nesta terça-feira (24/09/2019), em Valparaíso (GO), dois acusados de envolvimento no assassinato de Kazimerz Wojno, conhecido como padre Casemiro, 71 anos. Um deles admitiu participação no caso. A corporação está à procura de outros dois suspeitos de participar do crime. O religioso foi encontrado estrangulado e com arames enrolados no pescoço na noite de sábado (21/09/2019), após quatro homens invadirem a Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na 702 da Asa Norte, e anunciarem o assalto.

As informações foram dadas em coletiva de imprensa na noite desta terça, pelo delegado-chefe da 2ª DP (Asa Norte), Laércio Rosseto. Até o fim da tarde, havia a confirmação de apenas uma prisão. Com os detidos, a polícia apreendeu dois notebooks, três garrafas de uísque Red Label, um celular, um moletom, um relógio, uma corrente de ouro e chaves de carros. Parte dos itens estava na paróquia.

Um dos presos é o desempregado Alessandro de Anchieta Silva, 19 anos, que não tinha passagens pela polícia. O outro é Antonio Willian Almeida Santos, 32. Nascido em Januária (MG), ele tem passagens por homicídio e tráfico de drogas.

Segundo Rosseto, Alessandro admitiu a participação no crime, porém alegou que não queria a morte do padre. “Contudo ele estava na cena do crime, com uma arma de fogo. Estava disposto [a matar]”, pontuou o delegado, acrescentando que o artefato ainda não foi apreendido.

Um terceiro possível envolvido também foi identificado pelos policiais: Daniel Souza da Cruz, 29 anos, seria o cabeça do crime, mas segue foragido. “Ele já tem um mandado de prisão, então é oficialmente um foragido da Justiça”, disse Rosseto. A polícia suspeita que o quarto envolvido seja menor de idade. Alessandro disse que Daniel o teria convidado para participar do latrocínio.

De acordo com o delegado, os investigadores chegaram até os suspeitos após analisarem imagens de câmeras da paróquia. “Mas o que foi fundamental mesmo é o trabalho de campo realizado pelos investigadores. Foram várias e várias horas de percursos, diligências e trabalho do Instituto de Identificação. Assim, conseguimos obter provas científicas incontestáveis que levaram à prisão temporária deles.”

Veja as imagens captadas pelas câmeras:

Para Rosseto, o crime foi premeditado. “O que entendemos é que eles estavam indo especialmente atrás desse cofre. Eles sabiam que havia o cofre lá, usaram equipamentos que existem na própria residência, de maneira que não precisaram levar nada. É um cofre de um metro e meio, de concreto e aço, com duas portas, isso indica que foi estudado. Eles sabiam o que iriam encontrar lá”, analisou.

A detenção foi feita por investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), com apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE) e da Divisão de Operações Aéreas (DOA).

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“Pai, você me deixou”

Os bandidos fizeram uma emboscada no momento em que padre Casemiro fiscalizava uma obra nos fundos da paróquia. Os criminosos também imobilizaram o caseiro do templo, José Gonzaga da Costa. O funcionário da casa paroquial ainda estava com a boca cheia de plástico.

“Eles amarraram muito forte o arame, que estava todo torcido. Vi o policial tentando tirar, estava muito difícil”, conta uma das testemunhas, que chegou com a polícia ao local. Ela relata, ainda, que o caseiro foi criado pelo pároco desde os 16 anos. Após ser libertado, José Gonzaga teria dito, ainda segundo a declarante: “Pai, você me deixou”.

Velório

Sob forte comoção, o padre Casemiro foi enterrado nessa segunda-feira (23/09/2019), no cemitério Campo da Esperança. O governador Ibaneis Rocha (MDB) chegou a decretar três dias de luto na cidade.

Conforme apuração policial, o padre saía de uma missa e se dirigia ao terreno da paróquia para fiscalizar uma obra no momento em que foi rendido. Os autores agiram com requintes de crueldade e usaram um arame para matar o sacerdote enforcado. Além de ter arames envoltos ao pescoço, o religioso teve mãos e pés atados e apresentava uma lesão na cabeça.

De acordo com a polícia, a casa tinha cofres modernos e os criminosos estavam preparados para arrombá-los. Sabiam onde estavam. “Tinha cofre de um metro e meio de altura”, pontuou. Os bandidos usaram uma serra tipo makita, pé de cabra, barras e picaretas.

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