BRT: vândalos podem responder por formação de quadrilha, diz delegado

Titular da 33ª DP afirmou que envolvidos serão identificados e punidos. Durante confusão, vigilante deu tiro que atingiu jovem no rosto

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 06/03/2019 21:02

Os vândalos responsáveis pela depredação da estação do BRT na QR 119 de Santa Maria serão identificados por meio de imagens de câmeras de segurança e podem responder por formação de quadrilha. A ocorrência, registrada na 20ª Delegacia de Polícia (Gama), que tem Central de Flagrantes, será transferida na manhã desta quinta-feira (7/3) para a 33ª DP (Santa Maria). O caso ocorreu na noite dessa terça (5), durante a volta das festas de Carnaval.

“Os vândalos serão identificados e também responderão por dano ao patrimônio público. Se ficar comprovado que se uniram para depredar o terminal, serão indiciados por formação de quadrilha. Não vamos deixar barato”, assegurou o delegado-chefe da 33ª DP, Rodrigo Têlho, ao Metrópoles. Ainda de acordo com ele, os investigadores vão colher imagens de circuito interno para identificar os envolvidos.

Outra investigação a cargo da unidade é sobre disparo de arma de fogo que, por sorte, não resultou em fatalidade. Durante a confusão, um vigilante atirou em direção ao tumulto e atingiu Jhordan Maxwell Alves, 18 anos, no rosto. A bala ficou alojada no maxilar do rapaz, submetido a cirurgia na tarde de quarta-feira (6), no Hospital de Base.

Na manhã desta quarta, o delegado plantonista da 20ª DP Jacsan Vasconcelos disse que “as apurações iniciais apontam para legítima defesa”. Segundo elas, Jhordan estaria no meio da turma de vândalos, que usou um martelinho, possivelmente furtado de um ônibus, para quebrar o vidro da sala de cofre da estação.

Já Rodrigo Têlho disse que aguardará o resultado das investigações para decidir se o vigilante será indiciado. “Acredito no que está descrito na ocorrência. Se for confirmada a versão do vigilante, não vejo como tentativa de homicídio, mas legítima defesa. Ou seja, iremos investigar”, afirmou.

A versão do vigilante
Em entrevista ao Metrópoles, o vigilante em questão, Admilson Xavier Silva, explicou seu relato. De acordo com ele, por volta das 20h dessa terça-feira (5), um grupo com aproximadamente 30 pessoas desceu do ônibus – o qual já havia sido depredado – e passou a quebrar o que via pela frente na estação do BRT. Só havia Admilson de segurança no local.

“Três funcionárias que trabalham na bilheteria ficaram assustadas. Pela quantidade de gente, cheguei a pensar que poderiam invadir a área do cofre. Vi que carregavam barras de ferro, pedras e garrafas”, disse. O vigilante contou que pediu para que eles parassem, mas o grupo não cessou os ataques.

Em seguida, Admilson entrou em uma sala que considerava segura. “Atirei uma única vez, para tentar dispersar. Fiquei assustado com o vandalismo e a destruição. Não tinha a intenção de balear ninguém”, ressaltou. Ele conta que, depois do disparo, o grupo passou a ameaçá-lo e tentou entrar no local. A situação só foi controlada após a chegada da Polícia Militar.

Ainda de acordo com o vigilante, que tem 18 anos de profissão, os atos de vandalismo no BRT começaram na sexta (1º) e é comum ter esse tipo de ocorrência no Carnaval. “Nos primeiros dias, vimos que quebraram os ônibus e alguns objetos do BRT, como lixeiras e janelas. Mas, ontem [terça], o grupo estava muito alcoolizado e a quantidade de pessoas nos assustou”, completou.

Testemunha
O estudante Lucas Magalhães da Silva, 21, estava no momento em que Jhordan foi baleado. Ele nega que o amigo tenha quebrado o vidro da sala de cofre da estação. Contou ainda que havia cerca de 20 pessoas perto na hora da confusão.

“A gente estava voltando do Carnaval [no bloco Não Pega Ninguém, no Setor Comercial Sul]. Alguns meninos deram uma martelada no vidro. O Jhordan não fez isso. Ele apenas chegou perto, e foi nessa hora que o segurança veio. O segurança foi muito imprudente”, destacou. Lucas é amigo e vizinho da vítima. Os dois estudam juntos. Segundo Lucas, Jhordan é tranquilo e nunca se envolveu em confusão antes.

Um adolescente de 16 anos amigo da vítima acredita que o vigilante tinha consciência de que não atirou “às cegas”. “Algumas pessoas o provocaram. Ele ficou nervoso e atirou. Depois, saiu correndo”, destacou. Ele afirma ainda que o quebra-quebra ocorreu após o rapaz ter sido atingido com um tiro na boca.

A estação do BRT ficou com vários vidros quebrados, inclusive o da sala do cofre, que foi tampado com um papelão. O banheiro para pessoas com necessidades especiais chegou a ter a maçaneta arrancada.

0

 

Vigia acuado
O sargento Wagnewton Lopes atuou na ocorrência. Segundo ele, a Polícia Militar foi acionada pelo serviço 190. Conforme explicação do denunciante, o local seria palco de uma troca de tiros entre criminosos e vigilantes. Ao chegarem à estação, os policiais encontraram o jovem ferido e cerca de 30 curiosos ao redor dele. Testemunhas relataram que o vigilante havia sido o responsável pelo disparo.

“O vigia estava acuado na sala onde fica o cofre do BRT. Nós apreendemos a arma dele, que estava com quatro munições intactas e uma deflagrada, recolhemos três testemunhas e levamos para a delegacia. Todos prestaram depoimentos e foram liberados”, contou um militar ao Metrópoles.

De acordo com a PM, Jhordan acabou de completar 18 anos e não tem passagens pela polícia. O rapaz recebeu os primeiros socorros pelo Corpo de Bombeiros e, em seguida, foi levado ao Hospital Regional de Santa Maria. Ele foi transferido para o Hospital de Base na madrugada desta quarta (6/3).

Estação depredada
A estação do BRT funcionou normalmente nesta quarta-feira. A aposentada Maria José Rodrigues Guedes, 66, vendia doces no local pela manhã. “Ainda bem que fui embora mais cedo ontem [5]. Minha amiga ficou e relatou confusão e violência”, conta.

Já o também aposentado Geraldo Elísio, 55, atribui o ocorrido ao comportamento das pessoas no Carnaval. “Foi algo horrível. Aqui o policiamento é bom, mas, sempre que tem alguma festa, acontece tumulto. As pessoas ficam cheias de bebida e drogas”, destacou.

A arma utilizada para o disparo, um revólver calibre .38, foi apreendida, bem como um martelinho quebra-vidros. Testemunhas confirmaram que a vítima fazia parte de um grupo de pessoas que saía das comemorações do Carnaval e iniciou um tumulto com depredação no local.

Segundo Gilberto Gomes, supervisor da Aval, a empresa vai acompanhar o desenrolar das investigações. “Ele [o vigilante] agiu em legítima defesa. Se o delegado tivesse entendido de forma diferente, [Admilson] teria ficado preso”, destacou. O Sindicato dos Vigilantes informa que colocou sua equipe jurídica à disposição do profissional.

Últimas notícias