Com alto poder de letalidade, a besta, espécie de arco e flecha portada pelo professor da rede pública de ensino do Distrito Federal que tentou invadir prédio da Secretaria de Educação na sexta-feira (15/3), é facilmente encontrada no mercado, tanto em lojas físicas quanto nas on-line, e não requer nenhum tipo de registro legal para compra. Também conhecido como balestra, o equipamento tem poder de fogo para matar, como confirmou à reportagem o major da Polícia Militar Cláudio Peres.

Os jovens que promoveram um massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano (SP) na quarta-feira (13), levaram um artefato desse ao colégio, mas não chegaram a utilizá-lo.

Nessa sexta-feira (15), o Metrópoles esteve na Feira dos Importados, local conhecido pela quantidade de lojas destinadas à compra e venda de armamentos para caça, equipamentos de pesca ou as famosas pistolas airsoft – armas de pressão. A reportagem visitou os principais estabelecimentos do gênero e constatou a facilidade para se obter uma besta.

Uma das lojas, apontada pelos próprios comerciantes como a maior do gênero, vendia o tipo de arma usada nos ataques por preços que variam entre R$ 1.100 e R$ 2.900. O valor depende do modelo, do tipo de munição e equipamentos extras adicionados ao armamento. Segundo o vendedor, uma das mais caras já vendidas saiu por mais de R$ 4 mil.

Questionado sobre a necessidade de uma licença específica ou registro para a compra do equipamento destinado à caça, o vendedor foi enfático: “Não, nada. Basta ser maior de idade”. Em outra loja, a reportagem encontrou modelo similar ao usado pelo professor de música na tentativa de invadir o prédio da Secretaria de Educação do DF. No estabelecimento, a besta era vendida por R$ 430.

Na internet, armas do tipo podem ser adquiridas a partir de R$ 75. No YouTube, canais especializados em “faça você mesmo” e em dicas de sobrevivência ensinam a confeccionar a própria besta. As páginas também dão o passo a passo para construir arco e flechas, zarabatanas e as munições pontiagudas.

São muitas opções de modelos, com preços que podem chegar a R$ 3.750 no mercado virtual. As bestas mais elaboradas contam com lunetas e compartimento reservado para carregar as flechas acoplado à arma. Além disso, são até três vezes mais potentes do que a versão mais simples.

Invasão
professor da Escola de Música de Brasília que invadiu a Secretaria de Educação do Distrito Federal na sexta-feira (15) foi levado ao Hospital de Base em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Na maca, ele gritou: “Me trouxeram para cá como um cachorro”.

Ainda muito agitado por volta das 15h40, o homem disse que foi ao prédio da Secretaria de Educação, no Setor Bancário Norte, a pedido da assessoria do chefe da pasta, Rafael Parente, para levar “um caso grave”. “Covardes que não têm coragem de lutar pelos próprios filhos”, disparou.

O professor de 53 anos, que não teve o nome divulgado, segundo fontes da secretaria, estaria em tratamento psiquiátrico. Na sexta (15), dois dias depois do ataque a uma escola pública de Suzano, em São Paulo, ele entrou no prédio da Secretaria de Educação armado com uma faca, uma besta e cinco setas, que estavam em uma mochila.

O major da Polícia Militar Cláudio Peres informou que o alvo do docente seria o secretário de Educação, Rafael Parente. “Ele dizia que queria encontrá-lo para denunciar a forma a qual os professores são tratados. Reclamou de maus-tratos cometidos contra eles”, disse o policial.

 

Aos policiais, o professor disse que os docentes estariam passando fome com o fechamento das cantinas nas escolas. Ele ressaltou também que o armamento não seria para atingir o secretário, “mas para tirar a própria vida”.

Sem dificuldades, o homem subiu até o 12º andar do prédio, localizado no Bloco C da Quadra 2, no Setor Bancário Norte. No pavimento, funciona o gabinete do secretário de Educação, Rafael Parente. O chefe da pasta não estava no momento, pois tinha ido ao Palácio do Buriti para se reunir com o vice-governador do DF, Paco Britto.

Funcionários que trabalham na Sede 1 perceberam o cabo da besta para fora da mochila e acionaram a Polícia Militar. Segundo fontes da Secretaria de Educação, o homem tem histórico de distúrbio psiquiátrico, estava em licença médica e em tratamento.