Alunos e professores choram morte de docente assassinado no DF

Vítima foi morta a facadas enquanto esperava ônibus para o Novo Gama (GO): "Tudo por causa de um celular", diz um estudante

atualizado 09/03/2020 16:55

Enterro do professor Hebert, no Campo da Esperança de TaguatingaMatheus Garzon/Metrópoles

Em meio a muito choro e orações, o corpo do professor de história Hebert Silva Miguel, 26 anos, foi velado nesta segunda-feira (09/03) no cemitério de Taguatinga. Ele morreu seis dias depois de ser esfaqueado durante um roubo de celular em uma parada de ônibus, no Pistão Sul.

De acordo com o tio da vítima Daniel de Paula Miguel, 40, a vida de Herbert sempre foi de batalha constante. “Ele nasceu prematuro, teve problema na perna e precisou fazer tratamento até os 12 anos”, lembra.

Sem desistir, Hebert conseguiu se formar em história e foi conquistando os próprios sonhos. “Quebrou as barreiras. O sonho dele era mudar o mundo. Era um exemplo”, destaca.

Nas paredes do apartamento em que morava em Samambaia, o professor colava planos de aula, materiais do concurso para o qual ele estudava e poesias. “Tão novo e inteligente”, ressaltou o tio.

 

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Professores e alunos da Escola Municipal Machado de Assis, no Novo Gama (GO), no Entorno do DF, também estiveram presentes no velório. O colégio decretou luto nesta segunda-feira (09/03) e não houve aula.

O coordenador pedagógico Francisco de Assis, 37, lembra que Hebert entrou no colégio no início de 2019 e já se mostrou um excelente professor. “Muito comprometido e responsável. Ele já chegou com o perfil necessário para enfrentar a realidade de uma escola pública”, frisou.

Com o falecimento, a escola pretende contar com a ajuda de psicólogos e orientadores educacionais de fora para tentar dar assistência a todos.

Outro professor de história da escola, Edno Rondinelli, 30, afirma que o colega ajudou a mudar a perspectiva dos alunos com relação à disciplina. “Ele gostava de estar próximo e ajudar os alunos. Fez história para poder ajudar os outros”, salientou.

Manoel Pinto, 50, professor de matemática, definiu Hebert como um amigo. “A gente sempre esperava ônibus juntos. Ele nunca pegou um coletivo antes de mim. Sempre esperou que eu fosse antes”, destacou.

João Gonçalves, 13, teve aulas com Hebert no ano passado e teria novamente em 2020. Segundo o garoto, o professor era uma pessoa diferenciada. “A turma teve uma evolução muito grande com ele”. A maior tristeza para o estudante é a forma como o professor morreu. “Tudo isso por causa de um celular”, resume.

O suspeito de matar o docente foi preso horas depois. O criminoso deu duas facadas no abdômen, uma no tórax, duas no ombro esquerdo e uma na cabeça da vítima, que foi levada ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Depois, por falta de vaga em UTI, precisou ser transferido para o Hospital Regional de Santa Maria.

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