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A seca severa dos últimos dois anos impôs aos moradores do Distrito Federal a desagradável rotina do racionamento. Mas, embora os dois maiores reservatórios de abastecimento da capital do país ainda estejam em fase de recuperação, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou que o rodízio nas torneiras terá fim ainda em 2018. “Este ano teremos condições de acabar com o racionamento de água no DF”, cravou o socialista.

A fala do chefe do Executivo local foi proferida durante o Congresso Nacional do PSB, realizado neste sábado (3/3) no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Além de lembrar que a crise hídrica foi um dos problemas enfrentados por seu governo, Rollemberg aproveitou para alfinetar gestões passadas. “Há 20 anos, não havia investimentos no abastecimento de água no DF”, afirmou o governador, ao confirmar a entrega das obras da parte brasiliense do sistema Corumbá IV.

Em 16 de janeiro deste ano, o Metrópoles mostrou o apelo de pessoas clamando pelo fim do racionamento. Na ocasião, o presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice, foi enfático ao garantir que não era possível fazer tais previsões. “Ainda é cedo. A gente tem de esperar o término da temporada de chuvas. Assim como não nos guiamos pelos pessimistas no início, não podemos seguir os otimistas agora”.

Ao contrário da afirmação de Rollemberg neste sábado, Luduvice disse que só seria capaz de fazer algum prognóstico depois de abril. Na última medição feita pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), nessa sexta-feira (2), o reservatório do Descoberto apresentava 56,7% de sua capacidade. Já o de Santa Maria fechou o dia com 42,1%.

Questionado se havia mudado de opinião após a declaração de Rollemberg, Luduvice respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que “há boas possibilidades”, mas não faria considerações sobre o discurso do chefe.

A estiagem das bacias registrada em 2016 e 2017 é confirmada por números. Choveu abaixo da média no Distrito Federal por três anos consecutivos. Em 2017, foram 1.303,6mm, número 15,3% inferior ao considerado comum para 12 meses.

Culpa do governo
Uma pesquisa encomendada pelo Metrópoles ao Instituto Dados e divulgada em dezembro de 2017 mostra que, quando questionados sobre a culpabilidade pela crise hídrica, dois terços da população responsabilizam o governo, porque “não buscou alternativas para evitar a falta d’água”.

Especialistas ouvidos pela reportagem à época afirmaram que o desabastecimento era previsto há pelo menos 12 anos, por isso o Governo do Distrito Federal deveria ter tomado medidas para resolver o problema.

“Na época, o governo decidiu apostar todas as fichas na captação em Corumbá. Mas o projeto, grandioso, demandou alto investimento e, devido a problemas diversos, não começou a funcionar até hoje”, disse o especialista em recursos hídricos e professor da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide.

Com o objetivo de reduzir os impactos do problema, o Executivo local inaugurou, em outubro, serviços de captação de água no Lago Paranoá e no Subsistema Bananal. As obras de Corumbá, no entanto, continuam, e a entrega está prevista para dezembro de 2018.