Primo de Pedrolina em enterro: “Espero que ela não vire estatística”

Emoção e revolta marcaram o sepultamento de Pedrolina da Silva, 50 anos, assassinada na Asa Sul

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 05/09/2019 14:43

Sob clima de emoção e revolta, o corpo de Pedrolina Silva, 50 anos, foi sepultado nesta quinta-feira (05/09/2019), no Cemitério de Taguatinga. O local estava repleto de flores e cartazes em protesto contra o assassinato da auxiliar de serviços gerais. Mulheres de um coletivo ao qual Pedrolina fazia parte chegaram a soltar balões em homenagem à vítima.

Parentes e amigos não se conformam com o crime do qual Pedrolina foi vítima. O suspeito pelo homicídio está preso.

Primo de Pedrolina, Hamilton Tavares, 32, disse ao Metrópoles sobre o sentimento de revolta da família. “O que fizeram com ela foi uma covardia. Esperamos que ele pague pelo que fez e não fique impune. Mesmo com a Justiça falha do nosso país, espero que ela não vire mais uma estatística de violência“, destacou.

“A família encontra-se destroçada, arrasada. O filho dela está sob efeito de remédios, traumatizado. A gente nunca esperaria algo assim”, disse Claudemira Lima, 36, cunhada de Pedrolina.

De acordo com a parente da vítima, o caso só aumenta a insegurança no DF. “A gente vai ter que ficar trancada, porque não dá para andar na rua mais. Só destranco a porta na hora que meu marido chega em casa”, frisou.

A cunhada da vítima ainda ressaltou que nesta quinta-feira (05/09/2019) recebeu uma ligação da delegacia sobre uma audiência de custódia que haverá, à tarde, do assassino de Pedrolina. “Ele ainda pode ser solto. Não tem condições de aceitar isso”, protestou Claudemira, com indignação.

Melhor momento

Elisa Maria Araújo Sá, 53, era amiga de faculdade de Pedrolina: “Ela foi vítima de algo abominável. O TCC (trabalho final de curso) dela era sobre a violência contra a mulher negra. Isso é muito revoltante”. Pedrolina formou-se no final do ano passado em serviço social pela Universidade Católica de Brasília. Vivia o seu melhor momento, segundo amigos mais próximos.

“Ela estava muito feliz, superou muitos obstáculos para chegar onde estava. Estava vivendo sua independência. Daqui a pouco, vamos ter que desistir de ser mulher, porque tudo incomoda. Ela não fez nada, por que ele a matou? A gente não pode se enfeitar mais, porque já está se oferecendo para esses homens abomináveis”

Elisa Maria, amiga de Pedrolina

Matheus, o único filho da auxiliar de serviços gerais, estava muito emocionado e chegou a se sentir mal durante o enterro. Thais Silva, de 20 anos, também passou mal na cerimônia, tendo que ser carregada para o carro. Ela é sobrinha de Pedrolina e, de acordo com o primo da vítima, eram muito próximas e confidentes.

Nathália Cornélio, 20, afirmou que Pedrolina a viu nascer. “O sentimento é de muita indignação e desejo de justiça. Queremos ir e vir sem ser atacadas por um marginal assim”, ela ressalta.

Ligações anônima

Uma ligação anônima ajudou a esclarecer as circunstâncias da morte de Pedrolina Silva. Segundo a pessoa que acionou a PCDF, João Marcos Vassalo da Silva Pereira, 20, teria dito a diversas pessoas no Paranoá Parque, onde os dois moravam, o seguinte: “Se não for minha, não será de mais ninguém”.

Segundo Bruna Eiras, delegada cartorária da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), a ligação entre vítima e assassino será investigada e, dependendo do que for apurado, o caso poderá ser tratado como feminicídio. A policial afirmou que Pedrolina já teria sido assediada por seu algoz, mas sempre recusou qualquer tipo de aproximação. Chegou a dizer que tinha medo dele.

De acordo com a Polícia Civil, o desempregado confessou tê-la estuprado e assassinado para encobrir a violência sexual. Contou, em depoimento, que estava no mesmo ônibus em que Pedrolina seguia para se encontrar com uma amiga, na L4 Sul, no domingo (01/09/2019). O corpo foi encontrado na terça-feira (03/09/2019).

Veja o vídeo do momento em que Pedrolina é atacada:

 

O homem disse que desceu em uma parada depois do local de desembarque de Petrolina e correu até o ponto em que a vítima estava para atacá-la. Afirmou que esganou a vítima, mas a causa da morte foi um corte de arma branca no pescoço. O acusado tem passagens por tráfico, tentativa de roubo e estupro.

Veja trechos da entrevista da delegada Bruna Eiras:

 

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