PCDF: assassino de Pedrolina disse tê-la matado para encobrir estupro

Em depoimento, contou ainda que estava no mesmo ônibus em que a vítima seguia para se encontrar com uma amiga

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atualizado 05/09/2019 11:13

A Polícia Civil do Distrito Federal identificou, nesta quarta-feira (04/09/2019), o desempregado João Marcos Vassalo da Silva Pereira (foto de destaque), 20 anos, como assassino da auxiliar de serviços gerais Pedrolina Silva, 50. Aos policiais civis, ele confessou que teria matado a mulher após tê-la estuprado. Ele contou, em depoimento, que estava no mesmo ônibus em que a vítima seguia para se encontrar com uma amiga.

O homem disse que desceu uma parada depois do local de desembarque de Pedrolina e correu até o ponto em que ela estava para atacá-la (veja vídeo abaixo). Afirmou que esganou a vítima, mas a causa da morte foi um corte de arma branca no pescoço.

“João Vassalo também era morador do Paranoá Parque e, por diversas vezes, teria assediado a mulher. Nós vamos investigar essa relação e ele poderá responder por feminicídio”, explicou Bruna Eiras, delegada cartorária da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

 

Pereira foi preso pela Polícia Militar por volta de 12h, de terça-feira (03/09/2019), devido a outro caso, de tentativa de estupro no Lago Sul, pouco antes de o corpo de Pedrolina ser encontrado.

No caso da tentativa de estupro no Lago Sul, João Marcos Vassalo teria simulado estar armado com uma faca e levou a vítima para o mato. A mulher encontrou a tampa de uma caixa térmica e começou a bater nele. Ela conseguiu fugir e pedir ajuda a um motorista que passava pelo local, e ambos foram até o posto da PM. Após a busca, policiais militares conseguiram prendê-lo. O criminoso vestia as mesmas roupas que usava quando matou Pedrolina: uma bermuda caqui e camiseta verde alusiva à turma de formandos de 2004 de uma escola pública do DF.

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Segundo a PCDF, João Marcos foi preso com a mesma roupa que usava no dia em que matou Pedrolina

 

O enterro de Pedrolina está marcado para esta quinta (05/09/2019), no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga.

Família destroçada

A cunhada de Pedrolina, Ivanete de Sena Cavalcante, 47, contou por telefone ao Metrópoles que a família acumula dois sentimentos: tristeza e revolta. “Estamos completamente destroçados. A mãe dela não tem condição emocional de sair de casa e o filho ainda está desnorteado”, disse.

Foi Ivanete quem comunicou à Polícia Civil que uma amiga havia conseguido rastrear o celular da vítima. A localização do aparelho constava no Lago Paranoá. Pedrolina desapareceu na manhã de domingo (01/09/2019), quando saiu de casa, no Paranoá Parque, tomou um ônibus e desceu na parada perto do Centro Universitário (Unieuro), na L4 Sul. Ela aguardava uma amiga que a buscaria de carro. As duas seguiriam para um clube no Setor de Clubes do Sul.

Câmeras de segurança da faculdade particular flagraram o momento em que um homem aparece correndo, sobe um barranco em direção ao ponto e agarra Pedrolina. Ela tenta se desvencilhar, mas é arrastada para um matagal.

As buscas foram encerradas na tarde dessa terça-feira (03/09/2019), após agentes da Polícia Civil encontrarem o corpo de Pedrolina em um matagal. Ela vestia apenas calcinha e uma camiseta listrada manchada de sangue. Uma revista pornô foi localizada perto do cadáver. Tais informações reforçam a suspeita de que ela pode ter sido vítima de violência sexual, o que só será confirmado com o laudo do Instituto Médico Legal (IML).

TCC

Pedrolina atravessava o melhor momento da vida. Recentemente, havia pegado as chaves do apartamento comprado por meio do programa Minha Casa Minha Vida e, no fim do ano passado, formou-se em serviço social pela Universidade Católica de Brasília. Inclusive, no seu trabalho de conclusão de curso (TCC), ela abordou a temática sobre violência contra a mulher negra.

O Metrópoles esteve no endereço onde a auxiliar de serviços gerais morava havia cerca de três anos, na Quadra 3 do Paranoá Parque. O apartamento da vítima, no quarto andar, está vazio. Na porta, trancada por grade, há um tapete com a palavra inglesa welcome (bem-vindo, em português). As janelas estão fechadas. Após a notícia da tragédia, um familiar apareceu no local, mas os vizinhos não souberam dizer de quem se trata.

Os moradores do mesmo bloco de Pedrolina receberam a notícia com profunda tristeza. “Ficamos muito surpresos. Ela era amigável, trabalhadora. Pouco ficava na rua de conversa. Vivia só e não era de receber visitas. Saía todo dia cedo e voltava à noite. A rotina, pelo que nós percebíamos, se resumia a de casa para o trabalho e vice-versa”, disse Rosimar Lopes Coelho, 66, morador do segundo andar do prédio da vítima.

 

Outro vizinho, do bloco da frente, o vigia João Vargas Teixeira, 53, comentou que, na última semana, falou rapidamente com a auxiliar de serviços gerais enquanto ela saía de casa para ir ao mercado. “Todos se conhecem na região. Ela passou e eu estava na rua conversando. A Pedrolina me cumprimentou e logo voltou com as compras. Era uma mulher tranquila. Nunca a vimos em nenhuma confusão. Também queremos entender o que aconteceu com ela”, relatou.

 

Amiga deveria buscá-la

Ao Metrópoles, uma amiga e colega de trabalho de Pedrolina Silva chorou ao se lembrar da amiga. Claunice Telles, 49, havia combinado de buscar Pedrolina na parada entre 10h15 e 10h30. “Ela morava sozinha e acabava passando muitos fins de semana sem companhia. Eu a convidei para passar o dia comigo e minha família no clube e, como moro no Gama, marquei de buscá-la na L4 Sul”, contou.

Claunice diz que chegou ao local no horário combinado e não a viu. “Liguei três vezes, e só dava caixa postal. Pensei que ela tivesse desistido de última hora e não havia conseguido me avisar por falta de bateria.” Instantes antes, Pedrolina enviou áudio pelo WhatsApp para Claunice, dizendo que havia chegado à parada.

Ouça:

 

Ao tomar conhecimento da morte da amiga, Claunice entrou em choque. “De certa forma, me sinto culpada, porque, se eu não tivesse feito o convite, nada disso teria acontecido. Ela vivia o melhor momento, havia conquistado muitas coisas”, disse, emocionada. Pedrolina era separada e mãe de um homem de 30 anos, casado e morador de Ceilândia.

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