Primeiras mulheres soldados se formam e recebem boina verde-oliva
Cerimônia realizada nesta terça marcou a conclusão da fase inicial de instrução de 381 soldados incorporados em 2026, sendo 181 mulheres
atualizado
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As primeiras mulheres a ingressarem como soldados no Exército Brasileiro participaram, nesta terça-feira (28/4), da cerimônia de entrega da boina verde-oliva no Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília.
Veja:
Ao todo, 381 militares do Efetivo Variável incorporados em 2026 receberam a boina. Desse total, 181 são mulheres, as primeiras a integrar essa categoria no âmbito do CMP.
A solenidade foi dividida em dois momentos: a entrega simbólica das boinas aos soldados que se destacaram durante o período de instrução, feita por padrinhos e madrinhas, e, em seguida, a entrega geral aos demais militares.
A cerimônia marca a conclusão do Período de Instrução Individual Básico (PIIB), etapa inicial da formação no Exército Brasileiro.
Os soldados foram incorporados em 2 de março, em cerimônia presidida pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e concluíram oito semanas de treinamento militar.
Com a formatura, os militares seguem para o Período de Qualificação, fase em que serão preparados para funções específicas dentro das organizações militares.
No CMP, o efetivo masculino e parte das mulheres atuarão na Base de Administração e Apoio. Outras 23 militares serão designadas para o Hospital Militar de Área de Brasília (HMAB).
A primeira-tenente Tumim, instrutora das recrutas durante o período básico na Base de Administração e Apoio do CMP, destacou o engajamento das novas militares.
“Foi muito gratificante ver o quanto essas mulheres estavam disponíveis para receber essas instruções. Então todas elas foram voluntárias e foi muito importante ver o quanto elas se dedicavam, o quanto elas estavam interessadas e o quanto elas sentiam orgulho por estar aqui”, afirmou.

Segundo a oficial, não houve diferenciação no treinamento entre homens e mulheres.
“Elas e eles receberam a mesma formação, desempenharam as mesmas atividades, tiveram a mesma instrução tanto o tiro como as atividades no campo. Realizaram as mesmas oficinas e receberam as mesmas instruções teóricas. Não houve diferenciação no período da formação”, disse.
Para ela, a formatura das primeiras soldados também simboliza um avanço na presença feminina na Força, em um cenário que inclui a presença da primeira mulher general do Exército Brasileiro, Cláudia Lima Gusmão Cacho.
“Eu fico muito feliz de ver as mulheres ocupando espaços que antes não cabia ou não era permitido que elas tivessem acesso […] É muito bom ver que os soldados também ocuparam, da mesma forma que os homens, com muita qualidade de trabalho, com muita dedicação, um posto que antes não era previsto para elas”, afirmou.
Sonho de infância
A soldado Maria Eduarda Santos Bispo contou que servir o Exército sempre foi um sonho desde pequena e com o alistamento voluntário feminino o sonho foi possível.
“Hoje eu estou aqui muito feliz, vibrando a todo momento. Eu olho para trás e falo: ‘caraca, eu achei que eu nunca ia estar aqui e hoje eu estou aqui'”, disse.
Para ela, fazer parte da primeira turma é um marco importante para mostrar a capacidade das mulheres. “A gente está aqui para mostrar que a gente consegue, que a gente é capaz e que não possa desmerecer a gente”, afirmou.

Em relação aos próximos passos, a militar pretende concluir a faculdade e prestar concurso para seguir carreira como oficial do Exército.
A soldado Jhúlia Miranda Souza Lima também participou da cerimônia e afirmou que foi inspirada pelo tio, que era militar.
“[Poder] servir a minha pátria, poder apoiar e ajudar o meu país, sempre. Foi a coisa que eu mais quis e foi muito importante para mim, para o meu sonho e para o meu legado, que eu acho que vai ser enorme”, afirmou.
Apesar de não querer seguir carreira no Exército, Jhúlia pretende continuar na área militar, buscando outras corporações.
“Sempre foi o meu sonho conhecer o Exército, e eu acho que quando teve o alistamento feminino, eu fiquei doida, e aí nos primeiros dias eu já fiz a minha inscrição, e a gente continuou vindo e eu gostei”, disse.
“Pretendo continuar mais alguns anos, e como a gente só pode ficar oito anos sem concurso, quero estudar para passar em alguma outra carreira militar”, acrescentou.

Em relação ao treinamento, ela conta que foram momentos desafiadores, mas que com o apoio da família e da primeira-tenente Tumim tudo se tornou possível.
“No campo meu pé deu muitas bolhas e aí a gente olhava assim, tinha marcha, tinha que subir e descer e fazer coisas que eu nunca pensei em fazer na minha vida e eu falava, meu Deus, será que eu vou dar conta?”, contou.
Apesar dos momentos difíceis, a soldado Jhúlia disse que no último de treinamento o sentimento foi de gratidão e felicidade por ter conseguido chegar até o final.
“Quando eu cheguei no último dia, na hora já de vir para casa […] eu falei, meu Deus, muito obrigada. Muito obrigada por tudo, por ter me ajudado, por ter me dado força, porque eu acho que se fosse só eu, eu não conseguiria”, afirmou.
Alistamento feminino
Embora o Exército já conte com mulheres em seus quadros, sobretudo por meio de concursos públicos, esta é a primeira vez que jovens puderam ingressar como soldados por meio da Seleção Complementar do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF), via alistamento voluntário.
A abrangência do Smif permitiu que mais de 33 mil mulheres se alistassem voluntariamente. Destas, 1.467 militares femininas serão divididas para atuar em 13 estados e no Distrito Federal, distribuídas em 51 municípios.




























