General, brigadeiro e almirante: as 3 mulheres pioneiras nas Forças Armadas

Apesar de estarem nas Forças Armadas há mais de 40 anos, a presença de mulheres em cargos de alta patente é recente

atualizado

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1 de 1 pioneirasjpg-1 - Foto: Lara Abreu/Metrópoles

Apesar de existirem há décadas, as Forças Armadas do Brasil, compostas pela Marinha, Exército e Aeronáutica, só recentemente passaram a registrar a presença de mulheres em cargos de liderança. A ocupação desses espaços é resultado de uma trajetória marcada por desafios, enfrentamento de preconceitos e pela persistência de militares que abriram caminho para as gerações seguintes.

O caso mais recente é o da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, primeira mulher a alcançar o posto de general no Exército Brasileiro. A posse ocorreu em 1º de abril, em cerimônia no Clube do Exército, com a presença do ministro da Defesa, José Múcio.

“É importante conhecer a força, se reconhecer, procurar se capacitar, se preparar física e psicologicamente para a vida militar e acreditar em si mesmo. Com trabalho e competência, a gente chega lá”, afirmou a coronel durante a cerimônia.

Moradora do Distrito Federal, Cláudia foi indicada em 24 de fevereiro e aguardava a confirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A patente de general é a mais alta do Exército e exige cerca de 35 anos de carreira.

Natural de Recife (PE), ela é médica pediatra e ingressou na Força em 1996, construindo a trajetória na área de saúde.

Ao longo da carreira, dirigiu o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande, além de ocupar funções estratégicas no Comando da 1ª Região Militar e no Comando Militar do Nordeste.

A nomeação é considerada um marco histórico. Nas últimas décadas, a presença feminina nas Forças Armadas, inclusive em funções de comando, vem crescendo gradualmente.

Esse avanço também se reflete no ingresso de novas militares. Pela primeira vez, jovens mulheres puderam participar da Seleção Complementar do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) em Brasília.

Foi a primeira vez que brasileiras passaram por todas as etapas do processo desde o início para ingresso como soldados, por meio do alistamento voluntário.

As unidades que antes tinham apenas soldados homens passaram por reformas para incluir alojamentos e banheiros para mulheres.

A seleção começou em 2025 com 1,4 mil vagas em todo o país. No Distrito Federal, 680 mulheres se inscreveram, mas apenas 182 serão incorporadas.

Marinha e Aeronáutica seguem caminho aberto por pioneiras

Na Marinha, a entrada feminina foi autorizada em 1980, inicialmente restrita ao corpo auxiliar. Mais de três décadas depois, em 2012, a médica Dalva Maria Carvalho Mendes se tornou a primeira oficial-general das Forças Armadas, ao assumir o posto de contra-almirante.

Em 2018, a engenheira naval Luciana Mascarenhas da Costa Marroni também alcançou o generalato. Ambas já estão na reserva.

Outro marco ocorreu em 2023, quando Maria Cecília Barbosa da Silva Conceição se tornou a primeira mulher negra a atingir o posto de almirante na Marinha.

Médica, ela ingressou na Força em 1995 e construiu carreira no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, cuja direção assumiu em abril de 2025.

Na ocasião, destacou o avanço feminino na instituição. “À medida que as mulheres alcançam cargos mais altos, isso incentiva outras a seguirem o mesmo caminho”, disse.

Na Força Aérea Brasileira (FAB), o ingresso feminino começou em 1995 no quadro de intendentes e foi ampliado em 2003 para aviadoras. Em 2023, a Major-Brigadeiro médica Carla Lyrio Martins se tornou a primeira oficial-general de três estrelas da FAB.

“Se eu pudesse definir a minha carreira em uma palavra seria ‘comprometimento’ […] Agora nesse novo posto eu ainda ganho outro impulso: de continuar contribuindo para que a nossa missão seja cumprida com cada vez mais profissionalismo”, disse.

Ela ingressou na Força em 1990 e já havia sido a primeira mulher a alcançar o generalato na Aeronáutica, além de pioneira no comando de uma organização militar. Com a nova promoção, foi designada para a direção da Escola Superior de Defesa.

Ao longo das últimas décadas, a presença feminina nas Forças Armadas tem avançado de forma gradual, com conquistas que consolidam a abertura de espaços historicamente ocupados por homens.

No ato da posse de Cláudia Cacho, o ministro da Defesa, José Múcio celebrou os avanços e disse que cada vez mais mulheres ocuparão altos cargos nas Forças Armadas. 

 

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