Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Prima de mulher estrangulada pelo marido: "Não sabíamos das agressões"

Jeanne Pires dos Santos, 31 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (3/8), na QNN 1, em Ceilândia Norte

Felipe Torres04/08/2022 03:00, atualizado 04/08/2022 12:26
Compartilhar notícia
Reprodução/Material cedido ao Metrópoles
Mulher acena com a mão e veste casaco cinza de manga longa. Homem negro de cavanhaque e cabelo negros e curtos acena para a foto

“Ninguém está preparado para esta notícia, nem com dinheiro, nem com nada. É uma tragédia”, lamenta a estudante Thamires Pires, 19 anos, prima da vítima de feminicídio ocorrido, por volta das 8h, desta quarta-feira (3/8), na residência do casal, localizada na QNN 1, em Ceilândia Norte. Leandro Nunes Caixeta, 34 anos, é o principal suspeito de estrangular e matar a companheira Jeanne Pires dos Santos, 31 anos. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o caso.

“Estamos todos arrasados pelo fato porque ninguém sabia que ele batia nela. A gente não sabia como eles viviam, não tínhamos os detalhes”, conta a prima. De acordo com a familiar, eles eram vizinhos e começaram a se relacionar há cerca de 12 anos. Durante o período, tiveram idas e vindas e o convívio era conturbado. Ela deixa uma filha de 11 anos, que não estava no local do crime na hora do ocorrido. Jeanne será velada às 15h desta sexta-feira (5/8), no Cemitério de Taguatinga.

Prima de mulher estrangulada pelo marido: “Não sabíamos das agressões” - destaque galeria
4 imagens
O companheiro, Leandro Nunes Caixeta, 34 anos, foi condenado pelo crime
Jeanne deixa uma filha
Este é o 12º caso de feminicídio ocorrido no DF em 2022
Jeanne Pires dos Santos, 31 anos, vítima de feminicídio
1 de 4

Jeanne Pires dos Santos, 31 anos, vítima de feminicídio

Reprodução/Facebook
O companheiro, Leandro Nunes Caixeta, 34 anos, foi condenado pelo crime
2 de 4

O companheiro, Leandro Nunes Caixeta, 34 anos, foi condenado pelo crime

Reprodução/Facebook
Jeanne deixa uma filha
3 de 4

Jeanne deixa uma filha

Reprodução/Material cedido ao Metrópoles
Este é o 12º caso de feminicídio ocorrido no DF em 2022
4 de 4

Este é o 12º caso de feminicídio ocorrido no DF em 2022

Reprodução/Material cedido ao Metrópoles

Em nota, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher 2 (DEAM) informou que Leandro procurou o posto do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), próximo à residência deles, pois a vítima estava com dificuldades para respirar. Os militares deparam-se com a vítima caída no quarto do casal e realizaram manobras de salvamento, sem sucesso. Ela faleceu na hora.

Ainda de acordo com a PCDF, Jeanne tinha registrado uma ocorrência, em 2021, na DEAM 2, mas o processo foi arquivado. De acordo com o Samu, a vítima teve parada cardiorrespiratória e apresentava hematomas pelo corpo.

Veja nota na íntegra:

A DEAM 2 – Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, informa que, em relação ao crime de feminicídio ocorrido em Ceilândia, hoje, por volta das 8h, o suposto autor da agressão, companheiro da vítima, procurou o Posto dos Bombeiros, próximo a residência do casal, pois sua companheira estava com dificuldades para respirar.
Ao chegar no local, a equipe do CBMDF se deparou com a vítima caída no quarto do casal. Após realizaram manobras de salvamento, sem sucesso, a vítima veio a óbito no local.
Assim que iniciou o socorro, o suspeito fugiu do local. Durante o levantamento pericial foram evidenciados sinais de violência no corpo da vítima, indicativo de estrangulamento, mas apenas os médicos legistas poderão confirmar no Laudo Cadavérico essa informação.
A vítima, uma mulher de 31 anos, convivia com o suspeito há oito anos, e tinham uma filha em comum. Ela já tinha registrado uma ocorrência no ano de 2021 na DEAM 2, mas o processo foi arquivado, no entanto, não é possível saber o motivo do arquivamento devido a suspensão temporária do site do TJDFT.
Demais detalhes serão passados ao final da investigação, que seguirá em sigilo.

Violência contra mulher: identifique e saiba como denunciar

Prima de mulher estrangulada pelo marido: “Não sabíamos das agressões” - destaque galeria
15 imagens
A violência contra a mulher é qualquer ação ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico a ela, tanto no âmbito público como no privado
Esse tipo de agressão pode ocorrer de diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral
A violência psicológica caracteriza-se por qualquer conduta que cause dano emocional, como chantagem, insulto ou humilhação
Já a violência sexual é aquela em que a vítima é obrigada a manter ou presenciar relação sexual não consensual. O impedimento de uso de métodos contraceptivos e imposição de aborto, matrimônio ou prostituição também são violências desse tipo
A violência patrimonial diz respeito à retenção, subtração, destruição parcial ou total dos bens ou recursos da mulher. Acusação de traição, invasão de propriedade e xingamentos são exemplos de violência moral
Prima de mulher estrangulada pelo marido: “Não sabíamos das agressões” - imagem 1
1 de 15

Getty Images
A violência contra a mulher é qualquer ação ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico a ela, tanto no âmbito público como no privado
2 de 15

A violência contra a mulher é qualquer ação ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico a ela, tanto no âmbito público como no privado

Hugo Barreto/Metrópoles
Esse tipo de agressão pode ocorrer de diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral
3 de 15

Esse tipo de agressão pode ocorrer de diferentes formas: física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral

Arte/Metrópoles
A violência psicológica caracteriza-se por qualquer conduta que cause dano emocional, como chantagem, insulto ou humilhação
4 de 15

A violência psicológica caracteriza-se por qualquer conduta que cause dano emocional, como chantagem, insulto ou humilhação

Hugo Barreto/Metrópoles
Já a violência sexual é aquela em que a vítima é obrigada a manter ou presenciar relação sexual não consensual. O impedimento de uso de métodos contraceptivos e imposição de aborto, matrimônio ou prostituição também são violências desse tipo
5 de 15

Já a violência sexual é aquela em que a vítima é obrigada a manter ou presenciar relação sexual não consensual. O impedimento de uso de métodos contraceptivos e imposição de aborto, matrimônio ou prostituição também são violências desse tipo

iStock
A violência patrimonial diz respeito à retenção, subtração, destruição parcial ou total dos bens ou recursos da mulher. Acusação de traição, invasão de propriedade e xingamentos são exemplos de violência moral
6 de 15

A violência patrimonial diz respeito à retenção, subtração, destruição parcial ou total dos bens ou recursos da mulher. Acusação de traição, invasão de propriedade e xingamentos são exemplos de violência moral

IStock
A violência pode ocorrer no âmbito doméstico, familiar e em qualquer relação íntima de afeto. Toda mulher que seja vítima de agressão deve ser protegida pela lei
7 de 15

A violência pode ocorrer no âmbito doméstico, familiar e em qualquer relação íntima de afeto. Toda mulher que seja vítima de agressão deve ser protegida pela lei

Imagem ilustrativa
Segundo a Secretaria da Mulher, a cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil. A pasta orienta que ameaças, violência, abuso sexual e confinamento devem ser denunciados
8 de 15

Segundo a Secretaria da Mulher, a cada 2 segundos uma mulher é vítima de violência no Brasil. A pasta orienta que ameaças, violência, abuso sexual e confinamento devem ser denunciados

iStock
A denúncia de violência contra a mulher pode ser feita pelo 190 da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), na Central de Atendimento da Mulher pelo 180 ou na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), que funciona 24 horas
9 de 15

A denúncia de violência contra a mulher pode ser feita pelo 190 da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), na Central de Atendimento da Mulher pelo 180 ou na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), que funciona 24 horas

Rafaela Felicciano/Metrópoles
O aplicativo Proteja-se também é um meio de denúncia. Nele, a pessoa poderá ser atendida por meio de um chat ou em libras. É possível incluir fotos e vídeos à denúncia
10 de 15

O aplicativo Proteja-se também é um meio de denúncia. Nele, a pessoa poderá ser atendida por meio de um chat ou em libras. É possível incluir fotos e vídeos à denúncia

Marcos Garcia/Arte Metrópoles
A Campanha Sinal Vermelho é outra forma de denunciar uma situação de violência sem precisar usar palavras. A vítima pode ir a uma farmácia ou supermercado participante da ação e mostrar um X vermelho desenhado em uma das suas mãos ou em um papel
11 de 15

A Campanha Sinal Vermelho é outra forma de denunciar uma situação de violência sem precisar usar palavras. A vítima pode ir a uma farmácia ou supermercado participante da ação e mostrar um X vermelho desenhado em uma das suas mãos ou em um papel

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Representantes ou entidades representativas de farmácias, condomínios, supermercados e hotéis em todo DF que quiserem aderir à campanha devem enviar um e-mail para sinalvermelho@mulher.df.gov.br
12 de 15

Representantes ou entidades representativas de farmácias, condomínios, supermercados e hotéis em todo DF que quiserem aderir à campanha devem enviar um e-mail para sinalvermelho@mulher.df.gov.br

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Os centros especializados de Atendimento às Mulheres (Ceams) oferecem acolhimento e acompanhamento multidisciplinar. Os serviços podem ser solicitados por meio de cadastro no Agenda DF
13 de 15

Os centros especializados de Atendimento às Mulheres (Ceams) oferecem acolhimento e acompanhamento multidisciplinar. Os serviços podem ser solicitados por meio de cadastro no Agenda DF

Agência Brasília
Homem que jogou água fervente na própria irmã é preso em Manaus
14 de 15

Homem que jogou água fervente na própria irmã é preso em Manaus

Agência Brasília
A campanha Mulher, Você não Está Só foi criada para atendimento, acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência que pode ter sido consequência, ou simplesmente agravada, pelo isolamento resultante da pandemia. Basta ligar para 61 994-150-635
15 de 15

A campanha Mulher, Você não Está Só foi criada para atendimento, acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência que pode ter sido consequência, ou simplesmente agravada, pelo isolamento resultante da pandemia. Basta ligar para 61 994-150-635

Hugo Barreto/Metrópoles

Casos passados

O caso dessa quarta soma-se aos outros 11 feminicídios registrados, em sete meses, no DF. No mesmo período de 2021, 16 mulheres perderam a vida pelo crime de ódio. Apesar da redução, os assassinatos seguem chocando e indignando moradores da capital federal. Todos envolveram selvagerias como esfaqueamentos, estrangulamentos, espancamentos, além da vítimas também terem sido alvejadas ou queimadas.

Junho foi o mês que encerrou com o maior número de casos de feminicídio em 2022; são três mortes. Em seguida:

  • Janeiro – dois casos;
  • Fevereiro – dois casos;
  • Março – um caso;
  • Maio – dois casos;
  • Junho – três casos.
  • Julho – um caso.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters