Presos, traficantes de luxo tinham cardápio variado e cotado em dólar

Entre os suspeitos, estão um servidor do TJDFT, empresários e nutricionista. Na casa de um acusado, PCDF achou R$ 100 mil em cofre

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 08/08/2019 13:39

A Polícia Civil prendeu uma quadrilha que vendia drogas gourmet e sintéticas para uma clientela de alto poder aquisitivo no Distrito Federal. Durante a Operação Ganja, deflagrada pela 5ª DP (Área Central) nesta quinta-feira (08/08/2019), os policiais acharam um cardápio com grande variedade de entorpecentes, que era disponibilizado em grupos de redes sociais para os usuários. Os acusados cotavam os produtos em dólar.

Na casa de um dos integrantes do bando, o empresário do ramo de construção Mateus Augusto Pessoa de Paula, os policiais também apreenderam R$ 100 mil. De acordo com os investigadores, além do dinheiro, o rapaz mantinha em sua residência, em um condomínio do Grande Colorado, várias estufas para a geminação de diferentes tipos da chamada maconha gourmet. A PCDF cumpriu oito mandados de prisão e 20 de busca e apreensão.

 

Entre os suspeitos, está um servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), um nutricionista, um advogado e empresários. Eles forneciam uma substância conhecida como dimetiltriptamina ou DMT, que até então não era comercializada no Distrito Federal. A droga não foi localizada durante as buscas. Além de ataques de pânico, ela pode causar danos irreversíveis ao cérebro e ainda não havia sido apreendida no DF.

Os suspeitos chegavam a comercializar cada grama de maconha modificada a R$ 90. Na casa do empresário, os policiais tiveram de arrombar um cofre, onde estavam os R$ 100 mil. Aos investigadores, ele disse que o dinheiro era fruto de seu trabalho na área de construção civil.

A ação ocorreu nas seguintes cidades: asas Sul e Norte, Guará, Jardim Botânico, Sobradinho, Sobradinho II, Águas Claras e Formosa (GO). De acordo com as diligências da Operação Ganja – palavra de origem jamaicana para se referir à maconha –, os traficantes também faziam manipulações para depois revender a bebida conhecida como “chá do Santo Daime”.

A substância alucinógena ayahuasca teria sido alterada para ter seus efeitos potencializados para, em seguida, ser revendida pelos integrantes da associação criminosa.

Sem Fronteiras

A ação desta quinta é desdobramento da Operação Sem Fronteiras, deflagrada em maio deste ano. Na ocasião, três quadrilhas especializadas no tráfico de drogas sintéticas e de armas pesadas foram desmanteladas. Ao todo, 102 policiais cumpriram 11 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em seis cidades do Distrito Federal, além de Goiás e Paraná, onde um dos bandidos tinha um fuzil banhado a ouro.

A Operação Sem Fronteiras, coordenada pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), foi resultado de dois anos de investigação e mapeou a produção das organizações criminosas que chegaram a enviar, mensalmente, 10 kg de cocaína para o DF e 90 kg para o Rio de Janeiro, além de armas de grosso calibre.

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