Kokay e Kicis são as parlamentares do DF mais ativas no Twitter
Pesquisa do (M)Dados mapeou a influência de deputados distritais, federais e senadores de Brasília nas redes sociais. Confira
atualizado
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Em meio a tretas e curtidas, as deputadas federais Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PSL) são as parlamentares do Distrito Federal que mais movimentam as redes sociais. O (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, garimpou a presença e a influência no Twitter, Instagram e Facebook dos 24 deputados distritais, oito federais e três senadores da capital da República entre 1º janeiro e 13 setembro de 2019.
Segundo a pesquisa, Kicis e Kokay são as principais influenciadoras digitais com mandato no DF e empatam tecnicamente na atuação na web. Curiosamente, elas estão em polos de matizes ideológicas opostas. A parlamentar do PSL representa a onda liberal e conservadora, responsável pela eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em 2018. A petista protagoniza o espectro progressista e socialista, defensor da liberdade do ex-presidente Lula (PT).
Neste ano, Kokay tem mostrado vigor no Twitter. Fez 2.889 postagens, que foram curtidas por 1.484.799 internautas e replicadas 819.458 vezes. No Facebook, a petista tem 220.033 seguidores e recebeu 194.408 curtidas. Já no Instagram, somou 2.190 publicações, sendo seguida por 67.100 pessoas.
O Twitter é o principal palanque virtual de Bia Kicis. A parlamentar fez 2.449 postagens, despertando 4.502.835 curtidas e 2.517.239 retweets. Nas telas do Instagram, a pesselista publicou 4.644 vezes, sendo seguida por 167.000 internautas. No Facebook, teve 423.268 curtidas, com 523.574 seguidores.
Depois de Kokay e Kicis, o deputado federal Luis Miranda (DEM) ocupa posição de destaque no uso das redes sociais. Apesar de apresentar fôlego no Facebook e no Instagram, o desempenho do democrata no Twitter é abaixo do das colegas.
Entre os senadores, Reguffe (Podemos) utiliza mais o Facebook, enquanto Leila Barros (PSL) apresenta melhor desempenho no Instagram. Já Izalci Lucas (PSDB) se destaca nos 280 caracteres do Twitter.
Entre os distritais, Fábio Félix (PSol), Chico Vigilante (PT) e Leandro Grass (Rede) estão na ponta do Twitter. Os principais influenciadores do Instagram são Reginaldo Veras (PDT), Robério Negreiros (PSD) e Fábio Felix. No caso do Facebook, os perfis mais populares são os do presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB), e dos distritais Chico Vigilante e Agaciel Maia (PL).
Confira:
Polarização
Na leitura do analista político Creomar de Souza, fundador da Consultoria Dharma, as redes abriram as portas para personagens sem as bênçãos dos grupos partidários e econômicos tradicionais. E o protagonismo de Kokay e Kicis reflete a polarização brasileira. “Esse fenômeno ainda não arrefeceu, é a lógica da bolha. Os grupos buscam representantes de seus valores”, pontou.
“O ambiente político convive com a hiperconectividade. Os políticos descobriram como usar a internet nas campanhas eleitorais. O que vão ter que aprender agora é a governar com ela. Isso demanda respostas ágeis para demandas que surgem rapidamente. É preciso agilidade para mudar posições sem parecer que trocou de convicções diante do eleitorado. Vide o exemplo do recente episódio da CPMF
Creomar de Souza, analista político
Credibilidade
Bia Kicis considera que seu desempenho nas redes sociais é “fruto da credibilidade”. “Honro meus compromissos de campanha. Prometi apoiar o empreendedorismo e ganhei, recentemente, um prêmio sobre isso. Outro compromisso é com a revogação da PEC da Bengala [que elevou a idade das aposentadorias compulsórias de ministros do Supremo Tribunal Federal de 70 para 75 anos]”, comentou.
Para a pesselista, as redes proporcionam o diálogo direto com a sociedade sem intermediários, sem a mídia tradicional. Na avaliação da parlamentar, a polarização é saudável, pois os dois lados são ouvidos. “A mídia faz a seleção do que pode ser divulgado. A rede é democrática. Todos têm acesso”, argumentou.
Contra o ódio
Segundo Erika Kokay, a internet facilita a comunicação direta, a prestação de contas dos mandatos e o debate livre, embora também ajude a fomentar a intolerância. “As redes também constroem inverdades. Em época de pós-verdades, vemos bancadas de ódio e intolerância. Jair Bolsonaro e seus seguidores reproduzem discursos sem refletir, em uma profusão de mentiras”, disparou.
Apesar da crítica direta, a deputada alega que, na maioria das postagens, não foca na polarização. “Faço a defesa de ideias e propostas. Não trabalho com ataques pessoais. Agora, sou vítima de ataques, inclusive, de parlamentares que usam das redes como palanque de destruição do outro. O ódio ataca a diversidade. E a democracia pressupõe o respeito à diversidade de opiniões”, declarou.
