Centrão busca nome fora da polarização para eleições de 2022

Sem candidato próprio para sucessão de Bolsonaro, partidos que formam bloco montam estratégia nas redes sociais para atrair eleitor

Luis Macedo/Câmara dos DeputadosLuis Macedo/Câmara dos Deputados

atualizado 12/09/2019 9:53

Dirigentes de partidos do Centrão começaram a montar uma estratégia para conquistar, nas redes sociais, o eleitor que se opõe à polarização entre direita e esquerda. Sem candidato próprio para a disputa de 2022, o grupo é contrário à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e há um racha em torno do apoio ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cotado para disputar o Planalto. O núcleo duro desse bloco é formado por DEM, PP, PL, Republicanos (ex-PRB), Solidariedade e Avante.

As reuniões são sempre feitas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que defende uma agenda liberal e também se movimenta para construir uma alternativa de centro com um lastro social. O Estado mostrou, no início deste mês, que já está em curso uma articulação – envolvendo políticos, economistas e representantes de grupos de renovação – na tentativa de emplacar a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck, em 2022. Huck não confirma a intenção de concorrer à sucessão de Bolsonaro.

Os encontros reservados de líderes do Centrão, no entanto, têm sido feitos para buscar outra opção. Na prática, dirigentes dos partidos não querem repetir o que classificam como “erro” de 2018, quando se aliaram ao PSDB e apoiaram a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin. Maia também chegou a se insinuar para o Planalto, mas desistiu. Após a derrota de Alckmin, o grupo procurou se desvincular do carimbo de Centrão, considerado pejorativo. A Câmara proibiu até o uso do termo em seus veículos – rádio, TV e agências de notícias.

Dois profissionais de redes sociais foram levados, ontem, para conversar com dirigentes do Centrão. Maia estava presente. O plano do grupo é dar voz ao movimento na internet, tendo como bandeiras propostas para o crescimento e geração de empregos, além da defesa das reformas econômicas, como a da Previdência, que já foi aprovada na Câmara.

A busca por eleitores que não se encaixam nem na direita nem na esquerda é considerada essencial para a estratégia. O estatístico Paulo Guimarães, guru do DEM, calcula esse universo em 60% do eleitorado. A avaliação é a de que muitos não querem a volta do PT, mas se decepcionaram com Bolsonaro e estão à procura de outros candidato.

Prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto negou que o partido já esteja tratando de 2022, porque, antes da disputa presidencial, tem a eleição para as prefeituras, no ano que vem. “Não é hora de apoiar nem de vetar ninguém. Seria um ato de grande irresponsabilidade”, afirmou ele, que deve concorrer ao governo da Bahia. ACM Neto também rebateu comentários sobre a criação de um partido único de centro, tendo à frente o PSDB, o DEM e o PSD. “A chance de isso ocorrer é zero”, disse. Foi o próprio Maia quem anunciou, em agosto, a ideia de fusão. Na ocasião, estava ao lado de Doria e do deputado Alexandre Frota (SP), que foi expulso do PSL e passou a integrar a bancada tucana.

“O PSDB e o DEM estarão juntos em 2020 e em 2022”, declarou Maia na ocasião. “O fim das coligações vai nos levar à necessidade de uma reorganização e há forte possibilidade de termos o DEM e o PSDB como o mesmo partido.” Menos de um mês depois, porém, integrantes de ambos os partidos chegaram à conclusão de que é melhor esperar o desfecho das eleições municipais para dar o próximo passo.

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