Desejo de renovação da CLDF e quociente barram reeleição de distritais

Nove deputados que testaram o prestígio nas urnas e tentaram permanecer na Casa saíram sem mandato para os próximos quatro anos

Giovanna Bembom/Metrópoles

atualizado 10/10/2018 7:52

Com uma renovação nunca antes vista na história da Câmara Legislativa, 16 novos deputados distritais farão parte da composição da Casa a partir de 1º de janeiro de 2019. A mudança acompanha questionamentos de quem tentou a reeleição e não conseguiu se manter na cadeira por mais quatro anos. Nove parlamentares vão precisar refletir entre si e com seus partidos: o que não deu certo?

A legenda com a maior perda foi o MDB. Dos três deputados que tinha, apenas Rafael Prudente conseguiu se reeleger. Mesma sorte não teve Wellington Luiz, vice-presidente do Legislativo local; e Raimundo Ribeiro, terceiro secretário.

Segundo fonte próxima aos emedebistas, os derrotados culpam a tática adotada pelo presidente regional da sigla, Tadeu Filippelli – que não se elegeu deputado federal –, por não ter coligado com outras agremiações, o que dificultou a obtenção de quociente eleitoral para garantir os três nomes.

O quociente eleitoral também não foi suficiente para eleger dois dos três distritais do PR. Bispo Renato Andrade e Sandra Faraj não tiveram votação suficiente para renovar o mandato. Apenas Agaciel Maia, o parlamentar com maior fortuna entre os 24 deputados da atual legislatura, alcançou o objetivo.

“Acho que faltou voto. Estou feliz pelo trabalho desenvolvido. As pessoas queriam um processo de renovação e isso ocorreu. Também acredito que o fato de Jofran Frejat (PR) ter deixado a disputa ao GDF nos prejudicou e nos dividiu. Fui até o final com o [Alberto] Fraga (DEM), enquanto outros se aliaram a candidaturas de terceiros e acredito que a baixa votação dele se refletiu na CLDF”, lamentou Bispo Renato, que deixará a vida pública ao final desta legislatura.

O Partido dos Trabalhadores também teve mudança na sua bancada. O PT começou a atual legislatura com quatro parlamentares. Entre desfiliações, mudanças de partido e de disputa de cargos, a sigla chegou às eleições com dois distritais buscando à reeleição. Chico Vigilante assumirá seu terceiro mandato consecutivo. Ricardo Vale será substituído por Arlete Sampaio, que também já esteve na Casa.

Embarcados no PSB durante seus mandatos, Luzia de Paula e Juarezão não foram bem nas urnas e darão lugar para outros dois socialistas: o empresário José Gomes e o bombeiro da reserva Roosevelt Vilela. Gomes ainda responde a processo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), que pode impedi-lo de assumir o cargo.

O PSD de Rogério Rosso sai das urnas com metade de seus parlamentares. Robério Negreiros conseguiu mais um mandato, enquanto Cristiano Araújo, enfraquecido por problemas nas empresas de sua família, de onde vinha boa parte dos seus votos, perdeu a cadeira.

Único membro do PHS na atual legislatura, o deputado Lira será substituído pelo sargento da Polícia Militar João Hermeto. Ele vinha enfrentando muitas críticas em suas bases eleitorais e até no partido por ter se mantido ao lado do governo, mesmo após a atual gestão “ter dado pouca atenção para São Sebastião”, como disse um membro do partido.

Último ato
Os mandatos dos deputados não reeleitos se encerram em 31 de dezembro de 2018. O último compromisso em plenário dos distritais é em 15 de dezembro, quando deve ser votada a Lei Orçamentária Anual de 2019.

Até lá, o principal assunto pautado até o momento é a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), que tramita na Comissão de Assuntos Fundiários (CAF).

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