Deputado Antônio Doido é alvo da PF suspeito de fraudes em licitação
Operação Igapó apura fraudes em licitações, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro no Pará e no Distrito Federal
atualizado
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (16/12), a Operação Igapó, com o objetivo de apurar a prática de crimes de corrupção exercidos por organização criminosa composta por agentes públicos e privados.
Um dos alvos de busca da operação é o deputado Antônio Doido (MDB-PA). Em junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a investigar se o parlamentar teria realizado uma “operação ilícita”, com o uso de policiais militares, para beneficiar um irmão que era candidato à Prefeitura de Ourém (PA).
O Metrópoles revelou o caso com exclusividade em agosto deste ano.
Segundo as investigações, o grupo teria desviado verbas públicas por meio de fraudes em processos de licitação. Os valores teriam sido usados para o pagamento de vantagens indevidas e para a ocultação de patrimônio.
A PGR classificou o grupo ligado ao deputado Antônio Doido como uma suposta organização criminosa que atua em desvios de recursos públicos em licitações do governo do Pará.
Segunda as investigações, duas empreiteiras ligadas ao deputado — a JAC Engenharia e a J.A Construcons — venceram ao menos duas licitações no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).
Uma delas, no valor de R$ 142 milhões, está sob suspeita de corrupção após a PF encontrar mensagens de um policial militar ligado ao deputado em que ele fala com o secretário de Obras Públicas do Pará, Benedito Ruy Cabral, logo após sacar R$ 6 milhões.
A conversa foi no mesmo dia em que um consórcio formado por duas empresas ligadas a Antônio Doido ganhou a licitação de R$ 148 milhões da COP30.
Essa licitação foi suspensa após o PM Francisco Galhardo ser preso ao realizar outro saque, de R$ 5 milhões, dias antes das eleições municipais de 2024.
Procurado, o governo do Pará disse em nota que “as empresas J.A Construcons e JAC Engenharia celebraram contratos com a administração estadual exclusivamente por meio de processos licitatórios regulares, conduzidos de acordo com a legislação vigente e os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, estando toda a documentação disponível nos portais oficiais de compras públicas”.
Mandados de busca
Ao todo, a PF cumpre 31 mandados de busca e apreensão, nesta terça, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Pará e no Distrito Federal. O relator do caso na Corte é o ministro Flávio Dino.
Durante o cumprimento dos mandados, policiais federais encontraram celulares no apartamento funcional do deputado – os aparelhos teriam sido arremessados pela janela no momento da ação.
No início de dezembro, a Justiça Eleitoral declarou Antônio Doido inelegível por 8 anos por abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024.
Estão sendo apurados os delitos de corrupção eleitoral, corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do deputado Antônio Doido. O espaço segue aberto para manifestações.
