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Distrito Federal

Peritos analisam sangue em chuteira e sêmen em short de Marinésio

A 31ª DP concluiu 7 inquéritos de 8 vítimas. Maníaco vai responder por 6 estupros tentados e consumados, feminicídio e ocultação de cadáver

19/09/2019 12:00, atualizado 19/09/2019 14:21
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Andre Borges/Especial para o Metrópoles
homem preso sendo conduzido por policiais

A 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) concluiu sete inquéritos que investigam o maníaco Marinésio dos Santos Olinto (foto em destaque), 41 anos, e os encaminhou à Justiça. O cozinheiro vai responder por seis estupros tentados e consumados, feminicídio, ocultação de cadáver e crimes agravados por qualificadoras, como motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.

Entre os casos, o assassinato da advogada e funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) Letícia de Sousa Curado, 26. De acordo com a PCDF, o laudo preliminar indica que a vítima não foi estuprada. Alguns exames, porém, estão pendentes, como a dinâmica do crime.

Os policiais também querem saber o motivo pelo qual havia sêmen em um short de Marinésio. A peça foi apreendida na casa dele, em Planaltina, e era usada pelo maníaco no dia do crime. Os investigadores também recolheram na residência do acusado um par de chuteiras manchadas de sangue.

Peritos analisam sangue em chuteira e sêmen em short de Marinésio - destaque galeria
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Carro usado nos crimes
Blazer prata do ex-cozinheiro foi usada em crimes
Blazer prata também é apontada por vítimas de Marinésio
Objetos de Letícia foram encontrados no carro do suspeito
Relógio de Letícia localizado no veículo do suspeito
Na primeira condenação, o acusado pegou oito anos
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Na primeira condenação, o acusado pegou oito anos

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Carro usado nos crimes
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Carro usado nos crimes

PCDF/Divulgação
Blazer prata do ex-cozinheiro foi usada em crimes
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Blazer prata do ex-cozinheiro foi usada em crimes

PCDF/Divulgação
Blazer prata também é apontada por vítimas de Marinésio
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Blazer prata também é apontada por vítimas de Marinésio

PCDF/Divulgação
Objetos de Letícia foram encontrados no carro do suspeito
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Objetos de Letícia foram encontrados no carro do suspeito

Reprodução
Relógio de Letícia localizado no veículo do suspeito
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Relógio de Letícia localizado no veículo do suspeito

Reprodução
Genir, vítima do cozinheiro
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Genir, vítima do cozinheiro

Reprodução/Facebook
Fichário de Letícia achado no automóvel do suspeito
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Fichário de Letícia achado no automóvel do suspeito

Reprodução
Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos
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Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Entre as vítimas, estão duas irmãs, de 21 e 18 anos. Elas foram abordadas na Rodoviária de Planaltina um dia depois do assassinato de Letícia Curado. O cozinheiro ofereceu carona para a dupla após buscar a própria filha numa festa realizada em um restaurante comunitário. O indiciamento, nesse caso, inclui estupro, pelo fato de Marinésio ter mandado a irmã mais velha pegar em suas partes íntimas.

Os inquéritos se referem às seguintes vítimas*:

Jovem de 19 anos — Foi atacada na Vila Vicentina, em Planaltina, em novembro de 2017. Teve o estupro consumado;
Mulher de 39 anos — Foi atacada em 2013 quando estava em uma parada de ônibus. Ela conseguiu escapar e o maníaco, que não conseguiu consumar o estupro;
Irmãs de 21 e 18 anos — Marinésio ofereceu carona a elas na Rodoviária de Planaltina, um dia depois de matar Letícia, no dia 24 de agosto. Vai responder por estupro de uma delas;
Mulher de 24 anos — Foi atacada em 11 de agosto, às margens da DF-130, próximo ao Morro da Capelinha. Ela pulou do carro em movimento e conseguiu escapar. O estupro foi tentado;
Janaína Dias Lopes, 25 anos – Diz ter sido atacada pelo suspeito em 2015, próximo à parada de ônibus do Hospital Regional de Planaltina (HRP). O maníaco, segundo conta, usou uma faca para a obrigar a entrar em seu carro. Ele teria dirigido até matagal nos arredores, onde tentou estuprá-la e a enforcou. A vítima fingiu-se de morta para se livrar do suspeito;
Mulher de 50 anos — Atacada em 4 de agosto, teve o estupro tentado. O crime ocorreu em uma área rural próximo ao Vale do Amanhecer;
Letícia de Sousa Curado, 26 — Assassinada no dia 23 de agosto, em Planaltina. Ela desapareceu após sair de casa para ir ao trabalho, na Esplanada dos Ministérios. Marinésio a pegou em uma parada de ônibus e depois a estrangulou. O corpo da funcionária terceirizada do Ministério da Educação foi encontrado dentro de manilha localizada às margens da DF-250, na mesma região.

A 31ª DP investiga outros dois casos: o de uma menina de 15 anos – cujo corpo foi encontrado no Lago Paranoá. Ela era amiga da filha de Marinésio. O outro é de uma mulher que foi levada da Rodoviária do Plano Piloto pelo maníaco. Três assassinatos também podem ter relação com o acusado e estão com inquéritos abertos na Coordenação de Homicídios.

Marinésio confessou ter matado Letícia e Genir Pereira de Sousa, 47. Segundo o delegado Veluziano de Castro Salgado, o cozinheiro, que está preso, atacava todos os dias em que estava de folga. “Ele tentava cometer estupros diariamente, mas nem todas as vítimas quiseram registrar ocorrência”, disse.

Segundo o policial, após o corpo de Letícia ser encontrado e Marinésio ter sido preso, muitas mulheres procuraram as delegacias para acusarem o cozinheiro de abuso. “Podemos concluir que ele agia de uma forma deliberada, com a intenção de cometer os delitos. Quando via mulheres em situação de vulnerabilidade, ele as abordava. Quando dissimulava exercer um transporte pirata, no momento em que a vítima ia pagar, não aceitava e dizia que seria apenas uma carona e logo depois ele as atacava. A partir daí, se consumava o estupro. Algumas não resistiam à ação, outras sim. Por meio da dinâmica, da forma que ele agia, as que resistiram acabavam morrendo”, assinalou.

Nessa quarta-feira (18/09/2019), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou Marinésio à Justiça por homicídio quintuplamente qualificado. As qualificadoras incluem motivo torpe, porque a vítima se negou a manter relações sexuais; meio de execução (esganação); dissimulação, por fingir ser loteiro; feminicídio; e por ele tentar manipular a cena do crime para disfarçar uma tentativa de estupro.

O cozinheiro foi denunciado ainda por tentativa de estupro, ocultação de cadáver e pelo furto dos pertences da Letícia, uma vez que foram encontrados, dentro do carro do assassino confesso, fichário, celular e bens da vítima. A denúncia de feminicídio será oferecida ao Tribunal do Júri de Planaltina. Apenas em relação à morte de Letícia, ele pode pegar 46 anos de prisão, caso condenado, segundo estimativa do MPDFT.

(*) O Metrópoles só publica os nomes das denunciantes que autorizaram a divulgação

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