PCDF apura se conduta da mãe do autor contribuiu para feminicídio

A PM foi acionada por vizinhos, que ouviram gritos. Uma equipe foi ao local, mas a mãe do assassino afirmou que o caso já estava resolvido

atualizado 10/05/2021 11:36

Igo Estrela/Metrópoles

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura duas versões divergentes sobre a morte brutal de Larissa Pereira do Nascimento, 22 anos. A jovem foi espancada até a morte pelo companheiro, João Paulo de Moura Sousa, 23, com um taco de beisebol. O crime ocorreu nesse domingo (9/5), no Condomínio Del Lago, no Itapoã.

Vizinhos relatam que ouviram gritos de socorro durante a madrugada de domingo (9/5). A Polícia Militar chegou a ir ao local, mas a mãe do autor afirmou que o problema já havia sido solucionado. A família só acionou o Corpo de Bombeiros por volta das 10h e conta que as agressões ocorreram apenas pela manhã.

“Vamos aguardar o laudo pericial porque há essa dúvida sobre a hora da morte. Os vizinhos chamaram a PM durante a madrugada porque a vítima estava gritando. Os policiais foram lá e mãe do autor falou que estava tudo resolvido. Ao saber o horário do óbito poderemos analisar a conduta da mãe. Talvez, se ela interrompesse e atendesse o chamado da PM, o resultado morte não teria acontecido. Estamos apurando se ela contribuiu”, explicou Ricardo Viana, delegado-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) e responsável pelo caso.

O relacionamento do casal foi marcado por violência. Antes de ser assassinada, a jovem havia registrado ocorrência contra o companheiro. Devido às agressões, o autor usava tornozeleira eletrônica.

O que a mãe diz

A mãe de João Paulo, que não terá o nome divulgado, afirmou que o filho é violento e tem diversas passagens pela polícia. A maioria por violência doméstica contra Larissa. Por estar usando tornozeleira eletrônica, o autor precisou sair de casa e passou a morar com a genitora, que detalha que o jovem é extremamente ciumento, o que resultava em constantes agressões contra a companheira.

Ela conta que chegou a aconselhar Larissa a não desistir do processo criminal contra o filho, pois temia que algo mais grave acontecesse. Antes do homicídio, o rapaz chegou a ser preso por agredir a vítima. Entretanto, segundo a testemunha, assim que foi liberado, o casal retomou a relação e passou a morar com ela.

No dia anterior ao assassinato, no sábado (8/5), uma irmã de Paulo fez aniversário. A comemoração ocorreu na mesma rua onde o casal mora. Larissa resolveu ir à festa, mesmo após ser alertada pela sogra. A mulher conta que João Paulo estava dormindo e tinha medo da reação que ele teria ao acordar e não ver Larissa em casa.

Durante a madrugada, a mãe do autor relata que acordou com um barulho. A briga envolvia João Paulo, o irmão dele e Larissa. Ela detalha que não teve como intervir pessoalmente, pois teve medo do próprio filho. Os vizinhos ouviram gritos de socorro e ligaram para a Polícia Militar. Quando a equipe chegou ao endereço, os familiares informaram que a confusão havia cessado e que o casal estava dormindo.

Na manhã de domingo, a testemunha afirma que saiu de casa e, quando voltou, viu que Larissa e João Paulo voltaram a discutir. Em um momento, o rapaz pediu um abraço para mãe e falou: “Acho que matei a minha mulher”. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a jovem não apresentava sinais vitais. A polícia apura a hora aproximada em que a vítima morreu, se de madrugada ou na manhã de domingo, conforme o relato da testemunha.

A violência dos golpes foi tamanha que um dos olhos da vítima estava fora da cavidade ocular. Além disso, o corpo de Larissa apresentava múltiplas lesões. O autor chegou a fugir de bicicleta, mas a polícia o localizou logo em seguida, na casa do pai. O casal tem um filho de sete meses.

O irmão de João Paulo confirmou que o jovem é uma “pessoa de personalidade extremamente violenta”. Ele ressaltou que, desde a adolescência, o irmão tem envolvimento com o crime e viveu a maior parte do tempo sob a custódia do Estado no sistema prisional.

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Vizinhos

Em depoimento prestado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), pelo menos três vizinhos contaram ter ouvido gritos de desespero vindos da casa onde estavam Larissa e João Paulo.

“Para de me bater, para, deixa eu ir”, teria implorado a vítima, segundo os vizinhos. Ainda de acordo com a oitiva das pessoas que moravam perto do casal, já na manhã de domingo, João Paulo sentou-se com a mãe e o irmão na calçada e admitiu ter tirado a vida de Larissa de forma covarde.

Como consta na ocorrência registrada na Polícia Civil do DF (PCDF), ele teria dito à matriarca: “Mãe, ela está morta, eu a matei, mas não quero ir preso”, disse o agressor. Mesmo a vítima tendo sido assassinada de madrugada, o Corpo de Bombeiros só foi acionado às 10h20.

A mãe de Larissa compareceu ao local do crime e entrou em estado de choque após tomar conhecimento do óbito da filha. A reação de João Paulo, de acordo com testemunhas, foi pedir desculpas à mulher, montar na bicicleta e deixar o local. O assassino seria preso horas mais tarde pela PMDF na casa do pai.

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