Para polícia, Noélia foi morta após tentar romper com suspeito

Segundo delegada, essa é uma das possíveis motivações para o crime. Ela diz que Almir foi o último a falar com a vendedora por telefone

atualizado 25/10/2019 13:53

André Borges/Especial para o Metrópoles

Chefe da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), a delegada Adriana Romana (foto em destaque) disse, no começo da tarde desta sexta-feira (25/10/2019), acreditar, com base nos elementos recolhidos até agora, que Almir Evaristo Ribeiro, 43 anos, não planejou assassinar Noélia Rodrigues de Oliveira, 38. “Não podemos afirmar isso, pois não temos evidências que nos levem a essa linha ainda”, ressaltou. As suspeitas da polícia, porém, são de que ele tenha cometido o crime após Noélia ter tentado colocar fim ao suposto relacionamento entre eles.

Almir foi preso nessa quinta-feira (24/10/2019). Ele não confessa o feminicídio. No entanto, segundo a PCDF, as investigações o colocam na cena onde Noélia foi achada morta com um tiro no rosto, no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires. De acordo com a delegada, antes de ser encontrado pela polícia, o operador de máquinas apagou todas as mensagens de seu celular, que foi apreendido. Mas os registros de ligações trazem evidências claras, segundo as investigações: o último contato telefônico de Noélia foi com o suspeito.

Adriana Romana ressalta ainda que Almir foi o último a ver Noélia com vida, na quinta-feira (17/10/2019). A polícia faz uma varredura para tentar achar o celular, a bolsa da vítima e a arma usada no crime. Inclusive na área onde a comerciária foi achada morta. Almir está em prisão temporária de 15 dias e a polícia tenta reverter para preventiva. Adriana destaca que os policiais querem ouvi-lo novamente para entender a motivação do crime. “Até agora, o investigado decidiu usar o direito de permanecer calado”, comentou a delegada.

De acordo com Adriana, o depoimento inicial do Almir foi de total negação. Em um segundo momento, ele chorou muito. Ao contrário da polícia, a família de Noélia suspeita que Almir tenha premeditado o crime. Sobrinho da vítima, Marcus Aurélio Silva de Oliveira, 27, crê que o vizinho foi encontrá-la com a intenção de matá-la.

“Temos a certeza que ele saiu brutalmente preparado para ceifar a vida dela”, ressaltou Marcus, um dia após a prisão de Almir. O sobrinho também rebateu comentários de pessoas nas redes sociais que criticam o fato de Noélia ter supostamente se relacionado com o suspeito, mesmo sendo casada. “Desonram a imagem da minha tia. Ela faleceu, não tem mais poder de voz. Então, pedimos para que pelo menos respeitem a memória dela”, desabafou.

O sobrinho de Noélia ressalta que “nada justifica” a morte de sua tia. “Foi um crime banal. Os comentários machistas a respeito da vida íntima dela, o que tinha, o que não tinha. O que sei é que ela foi calada da forma mais cruel e que a gente não poderia esperar”, lamentou.

Antes de se mudar para o Sol Nascente, em Ceilândia, Noélia morou na QNO 15 da mesma região administrativa. Lá, teria conhecido Almir. Ele está preso temporariamente. Não confessou o crime, mas a polícia tem convicção de que ele levou a vítima do Setor Hoteleiro Norte na noite de quinta-feira (17/10/2019) e a matou com um tiro à queima-roupa. O corpo da vendedora, que trabalhava em uma loja no Brasília Shopping, foi encontrado no dia seguinte, no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires.

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De acordo com vizinhos da QNO 15, Noélia tinha uma rotina normal, voltada para o marido e para os filhos. Eles afirmam que nunca viram o suspeito pela região. De acordo com Antônio José Nunes, 56, o desfecho do caso chocou a todos. “Ela era conterrânea minha, também vim do Ceará para cá. Era muito gente boa, alegre com todo mundo”, comentou.

Outra vizinha, que compareceu à missa do sétimo dia de Noélia, disse que a vítima era uma pessoa muito batalhadora. “Fiquei chocada. Ela ajudava todo mundo”, afirmou. Após a prisão de Almir, a PCDF busca descortinar detalhes da bárbara execução, como saber se a vítima foi assassinada ainda dentro do carro, e procurar a arma usada pelo suspeito. Já se sabe que o veículo foi lavado após o crime.

Ligações telefônicas

De acordo com a delegada, vítima e criminoso se conheciam: “A gente conseguiu identificar que ela e o autor tinham um relacionamento extraconjugal e mantinham contatos diários e frequentes há quatro meses. Ele buscou Noélia na via do Eixo Monumental, próximo ao Brasília Shopping, e depois seguiu para o assentamento. Ainda não soubemos se ela foi morta no veículo”, explicou Adriana Romana.

“Tivemos acesso aos extratos das ligações telefônicas dela. Nesses documentos, tinham ligações entre ela e o autor por quatro meses”, pontuou a investigadora. “Eram ligações que duravam mais de uma hora”, completou. Ainda de acordo com a delegada, a mulher do suspeito, após muita insistência, acabou admitindo que desconfiava da relação entre o marido e a vítima.

Outra linha de apuração que reforçou o nome de Almir Evaristo como assassino da vendedora foi o fato de os investigadores terem refeito o caminho percorrido por Noélia. “A gente conseguiu refazer todo o trajeto dela. Ela vai pelo Setor Hoteleiro e para em um arbusto. Essa foi a última imagem que conseguimos dela, bem próximo à parada”.

 

Confira os últimos momentos de Noélia com vida no Setor Hoteleiro Norte:

 

 

Um GM Cruze prata usado pelo suposto autor acabou apreendido para perícia do Instituto de Criminalística (IC). A polícia disse que o homem lavou o automóvel depois do crime e agiu normalmente, como se nada tivesse ocorrido. Um outro carro, o do filho de Almir, também foi levado para análise da PCDF. Ambos os automóveis estão registrados no nome da esposa do suspeito.

Reprodução/Facebook
Almir Evaristo é suspeito de ser o autor do feminicídio contra Noélia

 

 

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