Perícia vai indicar se Noélia foi morta ainda dentro do carro

O vizinho da vendedora, Almir Evaristo Ribeiro, seria o responsável por atirar à queima-roupa no rosto da vendedora

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atualizado 25/10/2019 8:20

Investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal afirmam não ter dúvidas de que o operador de máquinas Almir Evaristo Ribeiro, 43 anos, matou a vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38. Segundo as apurações, o então vizinho da vítima seria o responsável por atirar à queima-roupa no rosto da mulher no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires, no último dia 18.

Agora, com a certeza de que prendeu o autor do feminicídio, a PCDF busca descortinar detalhes da bárbara execução, como saber se a vítima foi assassinada ainda dentro do carro, e procurar a arma usada pelo suspeito. Já se sabe que o veículo foi lavado após o crime.

Ao Metrópoles, a delegada Adriana Romana, responsável pelo caso, informou que mesmo que Almir não tenha confessado o crime, ele será indiciado devido às provas reunidas. “Independentemente de confessar ou não, se temos a informação de que ele realmente é o autor, será preso preventivamente”, disse a chefe da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).

Quando interrogado sobre o assassinato, Almir negou e ainda não chegou a confirmar se, de fato, mantinha relacionamento com a vítima. Nos próximos dias, porém, ele pode ser ouvido novamente.

“A gente vai ouvir se ele quiser falar. Ele deve contratar um advogado nesses dias e pode ter uma outra orientação e querer falar. Até porque é o momento de ele se defender. Embora seja um cenário muito ruim, pode trazer elementos de motivação do crime, como aconteceu, por exemplo”, afirmou a delegada.

Segundo Adriana Romana, os investigadores ainda aguardam alguns laudos para solicitar à Justiça a prisão preventiva de Almir. “Se a gente não concluir o inquérito dentro do prazo, vamos ver os próximos passos. Pode haver uma prorrogação dessa prisão (temporária) ou podemos fechar com as provas, encerrar o inquérito e pedir a prisão preventiva dele”, explicou.

Confira os últimos momentos de Noélia com vida no Setor Hoteleiro Norte:

 

 

Um GM Cruze prata usado pelo suposto autor acabou apreendido para perícia do Instituto de Criminalística (IC). Um outro carro, o do filho de Almir, também foi levado para análise da PCDF. Ambos os automóveis estão registrados no nome da esposa do suspeito.

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Almir Evaristo é suspeito de ser o autor do feminicídio contra Noélia

Além dos laudos da perícia que ainda será realizada nos veículos, a polícia espera por resultados das análises que descrevam a dinâmica do crime.

“Dependemos de provas da perícia ficarem prontas. Ainda faltam muitas coisas para mandar ao Instituto de Criminalística. Então, é um caso complexo e estamos tomando todos os cuidados para termos os elementos que precisamos antes de encerrar o inquérito.”

Provas importantes ainda precisam ser reunidas pelos investigadores, como a arma utilizada no crime, o celular e a bolsa de Noélia. Os objetos foram procurados na casa do suposto assassino, mas não foram localizados.

Caso alguém tenha informações sobre os bens da vítima, a delegada pede para que entre em contato com a PCDF pelo número 197, ou procure o plantão da 38ª DP. A identidade do denunciante será mantida no mais absoluto sigilo.

Relacionamento extraconjugal

De acordo com a investigadora, vítima e criminoso se conheciam: “A gente conseguiu identificar que ela e o autor tinham um relacionamento extraconjugal e mantinham contatos diários e frequentes há quatro meses. Ele buscou Noélia na via do Eixo Monumental, próximo ao Brasília Shopping, e depois seguiu para o assentamento. Ainda não soubemos se ela foi morta no veículo”, explicou a delegada.

“Tivemos acesso aos extratos das ligações telefônicas dela. Nesses documentos, tinham ligações entre ela e o autor por quatro meses”, pontuou a investigadora. “Eram ligações que duravam mais de uma hora”, completou. Ainda de acordo com a delegada, a mulher do suspeito, após muita insistência, acabou admitindo que desconfiava da relação entre o marido e a vítima.

Outra linha de apuração que reforçou o nome de Almir Evaristo como assassino da vendedora foi o fato de os investigadores terem refeito o caminho percorrido por Noélia. “A gente conseguiu refazer todo o trajeto dela. Ela vai pelo Setor Hoteleiro e para em um arbusto. Essa foi a última imagem que conseguimos dela, bem próximo à parada”.

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