Suspeito de matar Noélia enviou mensagem de apoio ao marido dela

"Ele disse que sentia muito, que era um momento muito difícil e que estava à disposição", disse a delegada Adriana Romana

atualizado 24/10/2019 17:47

Reprodução/Facebook

O operador de máquina Almir Evaristo Ribeiro, 43 anos, suspeito de matar Noélia Rodrigues de Oliveira, 38, chegou a enviar mensagens de apoio e solidariedade ao marido da vendedora, Marcos Paulo Mendes Santana, 42, no dia seguinte ao crime, quando o corpo da mulher foi encontrado em um matagal no Assentamento 26 de Setembro, em Vicente Pires, na manhã da última sexta-feira (18/10/2019).

“Ele disse que sentia muito, que era um momento muito difícil e que estava à disposição”, disse a delegada Adriana Romana, titular da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), unidade responsável pelo caso.

De acordo com a investigadora, após cometer o crime, Almir manteve conduta normal ao voltar para a residência, segundo familiares ouvidos pela Polícia Civil. “Ele é funcionário de uma empresa que presta serviços em todo DF. No dia do assassinato, estava trabalhando no Recanto das Emas e saiu de lá para buscar a Noélia no Brasília Shopping. Chegando em casa, não demonstrou nada de diferente”, contou a delegada.

“A gente conseguiu identificar que ela e o autor tinham um relacionamento extraconjugal e já mantinham contatos diários e frequentes há quatro meses. Ele buscou Noélia na via do Eixo Monumental, próximo ao Brasília Shopping, e adentrou no assentamento. Ainda não soubemos se a vítima foi morta no veículo e se, em seguida, Almir acabou indo embora para a casa dele”, explicou Adriana.

O suspeito foi preso nesta quinta-feira (24/10/2019) e não confessou o crime. A delegada informou que Almir não confirmou o relacionamento com Noélia: “Ele começou negando, e após conversar com esposa e filho disse que iria colaborar. Mas, depois, ficou calado de novo”.

“Tivemos acesso aos extratos das ligações telefônicas dela. Nesses documentos, tinham ligações entre ela e o autor por quatro meses”, pontuou a investigadora. “Eram ligações que duravam mais de uma hora”, completou. Ainda de acordo com a delegada, a mulher do suspeito, após muita insistência, acabou admitindo que desconfiava da relação entre o marido e a vítima.

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Caminho refeito

Outra linha de apuração que reforçou o nome de Almir Evaristo como assassino da vendedora foi o fato de os investigadores terem refeito o percurso de Noélia. “A gente conseguiu refazer todo o trajeto dela. Ela vai pelo Setor Hoteleiro e para em um arbusto. Essa foi a última imagem que conseguimos dela, bem próximo à parada”, frisou a delegada.

O celular e a bolsa da vítima foram roubados após o crime. “Mas não acreditamos que ele queria subtrair aqueles objetos, mas sim ocultar provas”, completou Adriana Romana.

Um GM Cruze prata usado pelo suposto autor acabou apreendido para perícia do Instituto de Criminalística (IC). Um outro carro, utilizado pelo filho de Almir, também foi levado para análise da PCDF. Ambos os automóveis estão registrados no nome da esposa do suspeito.

Ao Metrópoles, o advogado da família da vítima, Geraldo Madureira, contou que o suspeito era o vizinho da esposa de seu cliente. Ligações referentes ao número de celular dele teriam sido encontradas na conta do telefone de Noélia. Desconfiado, o marido dela entregou as faturas para a polícia, disse o defensor. “Levamos os documentos como provas na terça-feira para a delegacia. Lá, os policiais confrontaram com outras informações que já tinham e conseguiram realizar essa prisão”, esclareceu Madureira.

A informação foi confirmada por Marcos Aurélio Silva de Oliveira, sobrinho da vítima. “É o vizinho realmente. Ele foi preso no dia de hoje. Agora, quanto ao motivo do crime, ainda aguardamos essa resposta”, disse. De acordo com o familiar de Noélia, o suspeito é casado, tem dois filhos e trabalha como operário. Questionado se o homem confirmou o feminicídio, Marcos não soube informar. “Minha família está aliviada. Foi uma surpresa imensa. Agora, é tentar superar tudo isso”, assinalou.

O crime

Segundo peritos do Instituto de Criminalística (IC) que analisaram o local onde o crime ocorreu, a vendedora levou um tiro à queima-roupa no rosto. O Metrópoles teve acesso a informações que fazem parte do laudo preliminar sobre o feminicídio.

De acordo com o trabalho da perícia, o disparo feito próximo à face de Noélia indica que ela poderia estar dentro de um veículo, supostamente usado pelo autor do crime, mas não há conclusão sobre essa hipótese. O que se sabe é que um carro passou perto do local do assassinato após seu cometimento, uma vez que foram encontradas marcas de pneus ao lado do corpo da vítima.

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