Pai de Bernardo é indiciado por homicídio triplamente qualificado

Polícia remete inquérito ao Judiciário. Uma semana após o corpo ser achado, mãe do menino volta ao trabalho e diz esperar por justiça

atualizado 12/12/2019 12:13

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Sete dias após a localização do corpo do menino Bernardo, de 1 ano e 11 meses, na Bahia, a Divisão de Repressão a Sequestro (DRS) concluiu a investigação sobre o caso. O relatório policial foi finalizado e enviado à Justiça. Posteriormente, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) deve oferecer denúncia contra o pai da criança e assassino confesso, Paulo Roberto de Caldas Osório, 45 anos. O homem está preso no Complexo da Polícia Civil do DF e foi indiciado por homicídio triplamente qualificado (praticado contra criança, motivo torpe e meio insidioso) e ocultação de cadáver.

A juíza titular da Vara de Execuções Penais (VEP), Leila Cury, solicitou laudo psiquiátrico para determinar o local onde o metroviário aguardará o trâmite do processo. Inicialmente, a defesa pediu que Paulo fosse transferido para a Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP) do Complexo Penitenciário da Papuda.

 

Confira fotos do caso:

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O pedido foi indeferido pela magistrada, que impôs como condição para análise a elaboração do exame. O laudo foi concluído pelo Instituto de Medicina Legal (IML) nessa quarta-feira (11/12/2019), e encaminhado à VEP. O diagnóstico ainda não foi revelado.

Ao Metrópoles, Tatiana da Silva, 30, mãe de Bernardo, disse, nessa quarta-feira (12/12/2019), que conseguiu retornar ao trabalho. “Estou tentando voltar à vida normal e buscando ocupar a mente para não ficar lembrando do ocorrido. A única coisa que espero é que a justiça seja feita”, ressaltou.

1.035 km
Provas colhidas ao longo da investigação indicam, segundo a Polícia Civil, que Paulo Roberto de Caldas Osório matou o filho antes mesmo de pegar a BR-020 em direção à Bahia. O metroviário confessou que deu uma superdosagem de medicamento controlado para o garoto, que começou a passar mal na casa do pai, na 712 Sul.

O assassino confesso percorreu 1.035 km com o corpo até o Povoado Campos de São João, zona rural do município de Palmeiras (BA), onde o jogou às margens da BR-242, com a cadeirinha infantil.

“Ele comprou um conjunto de roupa para a criança. É a mesma que Bernado usava quando foi encontrado morto por um morador do município baiano. As vestimentas não foram reconhecidas pela família da mãe”, disse o delegado-chefe da DRS, Leandro Ritt.

O servidor do Metrô saiu de casa, na Asa Sul, às 20h52 de sábado (29/11/2019), e deixou a televisão ligada. Não levou mantimentos, mala e um tablet que, de acordo com a mãe, era objeto inseparável do filho. “Acreditamos que até mesmo essa troca da roupa foi premeditada para dificultar a identificação do corpo”, acrescentou o investigador.

Veja vídeo em que Paulo fala sobre o crime:

As diligências apontam que, às 21h20 de sexta-feira (29/11/2019), Paulo passou em um radar na Ponte do Bragueto, na Asa Norte. Dirigiu pela BR-020 até Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. “Lá, pernoitou com o menino morto no carro”, disse o delegado. O corpo foi desovado na região de Palmeiras. No sábado (30/11/2019), o homem foi até Salvador. Depois, acabou preso em Alagoinhas (BA).

Com a conclusão do exame de DNA, que confirmou ser de Bernardo o corpo encontrado na Bahia, a Polícia Civil deu as investigações por encerradas. O delegado Leandro Ritt garante que o pai agiu sozinho.

Em tempo recorde, o Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) da Polícia Civil do DF concluiu nesse sábado (07/12/2019), por meio de exames genéticos, a identificação do corpo localizado na Bahia. Com técnicas avançadas, o trabalho foi realizado em menos de seis horas.

Amostras biológicas colhidas em Itaberaba (BA), onde o corpo estava, chegaram a Brasília na aeronave da PCDF por volta das 12h30 de sábado. O material foi trazido pela equipe da DRS e entregue ao médico-legista e diretor do IPDNA, Samuel Ferreira.

 

 

 

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Os exames que comprovaram a identidade do menino Bernardo foram concluídos em cinco horas e 30 minutos. Samuel disse que foram feitos com base em tecidos moles do corpo, que já estava em avançado estado de decomposição. Os peritos compararam uma amostra da cartilagem do joelho de Bernardo com a saliva da mãe e do pai. “Não temos dúvidas sobre a identidade”, destacou o diretor do IPDNA.

A técnica faz parte de um protocolo desenvolvido pela PCDF. O mesmo procedimento foi empregado na identificação das vítimas do avião da Gol 1907 e na verificação dos corpos na tragédia de Brumadinho, em Minas.

O laudo que vai determinar as causas da morte de Bernardo, assim como a perícia no local onde o corpo foi encontrado, será feito pela polícia da Bahia.

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