Padre sobre ex-piloto que matou Rodrigo: “Deus dê o que ele merece”. Veja vídeo
O pároco que celebrou missa em homenagem a Rodrigo Castanheira disse que sua morte “com certeza não ficará impune”
atualizado
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Durante a missa que homenageou o sétimo dia de morte do adolescente Rodrigo Castanheira, 16 anos, na noite desta sexta-feira (13/2), o padre falou sobre Pedro Turra, 19, responsável pelo homicídio.
Veja:
“Para o causador dessa tragédia (Pedro), que Deus dê aquilo que ele merece. Com certeza não ficará impune a morte desse jovem”, ressaltou o pároco João Medeiros.
Ele também lamentou a forma trágica que Rodrigo perdeu a vida. “Vida interrompida e ceifada, infelizmente. Vamos rezar por todo o Brasil, para que, de fato, Deus acabe com essa destruição humana”.
Conforto
O padre descreveu o adolescente como um “jovem simpático” durante a sua fala. “Trazia, em seu coração, a certeza de um futuro bom. A dor de perder um filho, ainda mais sendo jovem, não é fácil. Que Deus cuide de seus pais e amigos”, observou.
João Medeiros encerrou a homilia pedindo um momento de silêncio por Rodrigo e disse que a missa era “um sinal de agradecimento” por tudo que ele fez em vida. “Que Deus o guarde e conforte toda a sua família e amigos, que sofreram e estão sofrendo com sua partida”, ressaltou.
Amigos de Rodrigo, que frequentam a Paróquia Nossa Senhora da Esperança, em Vicente Pires, organizaram a homenagem no local.
Sophia Emerick, 17, disse que não era tão próxima a Rodrigo, mas o conheceu por meio de pessoas que fazem parte do mesmo círculo de amizades. “Elas o descreveram como uma pessoa de grande doçura, que não causava mal a ninguém. Era conhecido por ser um rapaz tranquilo”, comentou.
“Vejo essa situação com uma tristeza profunda, pois ele tinha tanto potencial e uma vida inteira pela frente. A comoção é intensa, pois ele era genuinamente uma pessoa boa”, acrescentou.
Mais próxima do adolescente, Maria Eduarda Bento, 16, disse que a homenagem foi para buscar, acima de tudo, honrar sua memória de forma feliz. “Queremos refletir a maneira como ele era: um menino doce e alegre, uma verdadeira luz. Mesmo passando um tempo separados, quando mudei de cidade, o carinho e a parceria sempre permaneceram presentes”, comentou.
Entenda o caso
- O caso aconteceu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial em Vicente Pires (DF), na saída de uma festa. Pedro Turra teria jogado um chiclete na direção de Rodrigo para provocá-lo, iniciando uma luta corporal. A versão é contestada pela família da vítima, que acredita se tratar de uma emboscada;
- Diversos amigos de Turra filmaram a briga. Durante o embate, o agressor acerta um soco em Rodrigo de modo a fazê-lo bater a cabeça com violência na lataria de um carro;
- Em seguida, Rodrigo sai cambaleando, e a briga se encerra em meio a pedidos desesperados das pessoas ao redor: “Ô, Turra, vai matar ele”, disse um garoto que assistia à agressão;
- Horas após ser agredido, Rodrigo voltou para casa, mas precisou ir ao hospital. A família chamou por socorro, e o adolescente chegou a vomitar sangue durante o atendimento;
- No dia 23, Rodrigo foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, onde teve de ser intubado e permaneceu em estado grave até a manhã de sábado (7/2), quando veio a falecer;
- Na mesma data, Pedro Turra foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Porém, em audiência de custódia em 24 de janeiro, o jovem foi solto após pagar fiança de 15 salários mínimos (cerca de R$ 24.300,00). O agressor declarou durante depoimento que não tinha a intenção de machucar Rodrigo, que seguia intubado na UTI do Hospital Brasília;
- O caso ganhou extensa repercussão. Em 26 de janeiro a Fórmula Delta decidiu expulsar Pedro Turra da modalidade;
- Com a ampla divulgação das imagens da briga e do nome de Turra, novas denúncias começaram a surgir. Em 28 de janeiro, o Metrópoles noticiou que ele é investigado por forçar uma adolescente a beber vodca durante uma festa em Vicente Pires, em junho de 2025;
- Em seguida, veio à tona outro caso protagonizado por Turra. Em julho do ano passado, o piloto deu tapas na cara de um homem de 49 anos após um acidente de trânsito em Águas Claras (DF). As imagens mostram o rapaz humilhando, intimidando e agredindo a vítima;
- Diante da extensa ficha criminal e da alta repercussão do ocorrido contra o adolescente Rodrigo Castanheira, a PCDF pediu à Justiça prisão preventiva de Pedro Turra e cumpriu o mandado em 30 de janeiro. O jovem estava em casa no momento da prisão e foi levado à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), responsável pelas investigações do caso onde Rodrigo era vítima;
- Momentos antes da prisão de Pedro Turra, o delegado-chefe da 38ª DP, Pablo Aguiar, chorou durante entrevista coletiva sobre o caso. À época, Pablo disse que sentia a “dor de um pai”;
- Pedro Turra segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa já tentou a soltura e também uma cela especial, mas ambos pedidos foram negados;
- Quanto a Rodrigo Castanheira, o enterro do jovem ocorreu no último domingo (8/2), sob forte comoção. A cerimônia contou com parentes vindos de Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ), além dos familiares do DF.
Prisão mantida
Na quinta-feira (12/2), a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve, por unanimidade, a prisão preventiva de Pedro Turra.
O colegiado analisou habeas corpus apresentado pela defesa, que pedia a liberdade do piloto, que estava preso preventivamente desde 30 de janeiro . O relator do caso, desembargador Diaulas Costa Ribeiro, já havia negado a soltura em decisão anterior. Com o julgamento, os três desembargadores que compõem a turma decidiram manter a prisão.
Na quarta-feira (11/2), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ofereceu denúncia contra Turra por homicídio doloso (quando há intenção de matar) por motivo fútil.
Com a mudança na tipificação criminal, Turra, se condenado, pode pegar uma pena de até 30 anos de prisão. O MPDFT também requer que o denunciado seja condenado à “reparação de danos morais causados à família da vítima”, estipulando o valor mínimo de R$ 400 mil.
O que diz a defesa
Em nota, os advogados de Pedro Turra afirmaram que respeitam a decisão do TJDFT, mas divergem, de forma “técnica e fundamentada”, do entendimento adotado. Segundo a defesa, no caso concreto, houve supressão do devido processo legal e de direitos constitucionais assegurados a todo cidadão submetido à persecução penal.
Os representantes de Turra ressaltaram que a divergência “não traduz inconformismo retórico, mas exercício legítimo da advocacia”.
Ainda conforme a nota, a defesa informou que continuará atuando com “responsabilidade, rigor técnico e absoluto compromisso com a legalidade constitucional”, e que buscará a tutela da liberdade do assistido nos tribunais superiores.














