Nova denúncia: mulher diz que, após cirurgia de médico, bumbum sumiu

Designer de moda registrou ocorrência na 10ª DP (Lago Sul), nesta sexta-feira (20/7), alegando ter sido enganada por "Dr. Bumbum"

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atualizado 20/07/2018 18:54

Mais uma paciente do Distrito Federal prestou queixa contra o médico Denis Furtado, 45 anos, o “Dr. Bumbum”, preso após a morte da bancária Lilian Calixto, 46. Na tarde desta sexta-feira (20/7), uma mulher que pediu para ter a identidade preservada procurou a 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), região onde o profissional atendia e realizava procedimentos estéticos, para registrar ocorrência.

Ao Metrópoles, ela disse ter “caído na lábia” de Denis. Em maio deste ano, a designer de moda realizou um procedimento de preenchimento dos glúteos numa clínica irregular do cirurgião localizada na QI 23 do Lago Sul. Foram pagos R$ 18,9 mil à vista. Como sempre fazia, Furtado usou nome de terceiros para o depósito do valor.

“Transferi meu dinheiro na conta da Renata [Fernandes Cirne, 19 anos], a recepcionista que foi presa. Ele nunca passa a conta dele”, ressaltou. Não demorou muito para que as complicações cirúrgicas começassem a aparecer. A paciente garante ter passado mal por 30 minutos após o procedimento cirúrgico.

Minha pressão caiu, fiquei muito tonta e vomitava muito. A dor era muito grande e eu não conseguia ir embora de lá

O marido dela questionou o médico sobre o estado da esposa e teve como resposta: “É normal, faz parte”. Na tarde desta sexta (20), a designer denunciou à polícia a procedência do material usado por Denis. Segundo a vítima, ao contrário do combinado, “Dr. Bumbum” não teria usado o polimetilmetacrilato (PMMA).

De acordo com ela, como consequência, bastaram 20 dias para que todo o preenchimento fosse drenado do corpo. “Depois que fiz a cirurgia, minha bunda estava enorme. Após duas semanas, voltou a ser como antes. Taquei fogo no meu dinheiro”, lamentou.

Outras vítimas
Em áudios aos quais o Metrópoles teve acesso, uma advogada moradora de Brasília conta como o médico agiu após ela ter feito um tratamento malsucedido no bumbum. A mulher ficou com uma ferida no glúteo. A cliente informou ao cirurgião que estava tomando a medicação prescrita por ele, mas não conseguia se recuperar. A paciente reclama do excesso de um produto usado por “Dr. Bumbum” para o preenchimento do músculo direito.

Em resposta à advogada, o médico explica o que poderia estar ocorrendo e a aconselha, inclusive, a cauterizar a própria ferida. Na mensagem, é possível ouvir Denis ensinando a técnica para acelerar o processo de cicatrização.

“Se você espremer um pouquinho aquele excesso e colocar o esparadrapo bem agarrado, pode ser que dê certo. Agora, posso lhe ensinar uma técnica com uma tesoura: esquenta ela no fogo e encosta de leve nas bordas. Isso se chama cauterização. Também pode dar certo”, disse ele à paciente.

“Dr. Bumbum” concluiu: “Mas você tem de drenar o excesso, tomar o antibiótico, colocar o curativo, e vou te acompanhando nesse processo”.

Aumento de pênis
O profissional não atendia exclusivamente mulheres. Além de fazer sucesso turbinando glúteos e coxas das pacientes, ele prometia também aumentar pênis. Uma
 propaganda colocada na internet dizia: “Tamanho é documento, sim. É saúde e beleza. Confiança e bom desempenho. E muito prazer”. O procedimento anunciado era bioplastia com aplicação de polimetilmetacrilato, ou PMMA.

De acordo com uma pesquisa de 2016 feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo (SBPC-SP), o PMMA provocou deformidades e complicações em cerca de 17 mil pacientes no Brasil.

O Conselho Federal de Medicina preconiza que o uso deve ser feito com cautela, em pequenas quantidades, em áreas do rosto e em casos específicos, como pacientes HIV positivo necessitando de preenchimento facial.

 

 

Prisão
Além de ser preso nessa quinta-feira (19/7), o médico teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). “O processo ético-profissional ao qual ele respondia foi concluído, com a decisão de cassação do exercício profissional, que deve ser, obrigatoriamente, submetida ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Estão sendo cumpridos os prazos e as etapas administrativas previstas na legislação competente”, informou a instituição, em nota.

Nesta sexta (20), ele e a mãe, Maria de Fátima Furtado, prestaram depoimento e depois foram transferidos para a cadeia de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

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