Na Mira

Troca intempestiva de chefias na Cord e Corpatri gera crise nos bastidores da PCDF

Com mais de 8,5 toneladas de drogas apreendidas e R$ 150 milhões rastreados, especializada passa por mudanças que geraram desconforto

atualizado

metropoles.com

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Julia Bandeira / Especial para o Metrópoles
Brasilia(DF), 09/01/2019, Delegada da Entrevista. Local: Departamento de Policia Especializada.  Julia Bandeira / Especial para o Metrópoles
1 de 1 Brasilia(DF), 09/01/2019, Delegada da Entrevista. Local: Departamento de Policia Especializada. Julia Bandeira / Especial para o Metrópoles - Foto: Julia Bandeira / Especial para o Metrópoles

Uma mudança considerada intempestiva em duas das coordenações do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) abriu uma crise interna e provocou forte insatisfação entre investigadores da corporação. A poucos meses do período que antecede as eleições para o Governo do Distrito Federal, a troca de comando entre a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) e a Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) foi recebida com surpresa e causou mal-estar nos corredores do complexo.

A coluna Na Mira apurou que a alteração de cadeiras em um momento sensível pode comprometer o ritmo de investigações de alta complexidade, especialmente aquelas relacionadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. Nos bastidores, policiais lotados na Cord demonstraram frustração com a decisão e temem que a substituição resulte em atrasos e na perda de continuidade de apurações consideradas estratégicas.

A preocupação é reforçada pelos resultados acumulados pela Coordenação de Repressão às Drogas sob o comando do delegado Rogério Rezende. Em 2025, a especializada conduziu quatro operações de grande impacto, cumpriu cerca de 200 mandados de prisão e efetuou mais de 40 flagrantes. Somente nas quatro principais ações foram realizadas mais de 80 prisões diretamente ligadas às organizações criminosas investigadas.

Toneladas de drogas

No mesmo período, a Cord cumpriu mais de 150 mandados de busca e apreensão e retirou de circulação mais de 8,5 toneladas de entorpecentes, volume avaliado em mais de R$ 4 milhões. As investigações também identificaram aproximadamente R$ 150 milhões em movimentações financeiras suspeitas vinculadas ao tráfico, resultando em bloqueios milionários de contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos e empresas utilizadas para ocultar recursos ilícitos.

Integrantes da especializada ouvidos pela coluna avaliam que mudanças desse porte costumam exigir um período de adaptação e podem afetar o fluxo de informações, a estratégia operacional e a condução de procedimentos sigilosos que já estão em fase avançada. Embora trocas em cargos de chefia façam parte da dinâmica administrativa, a proximidade com o calendário eleitoral e a perspectiva de novas alterações na estrutura da PCDF aumentaram a sensação de incerteza entre os policiais.

Nos corredores do DPE, o sentimento predominante é de que uma estrutura que vinha apresentando resultados expressivos passará por uma reacomodação justamente em um momento em que investigações relevantes estão em pleno andamento — cenário que, na avaliação de servidores da área, pode impor obstáculos adicionais ao combate às organizações criminosas no Distrito Federal.

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