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Como a Cavalona do Pó torrava dinheiro do tráfico lavado em bets
Mirian Mônica da Silva Viana divulgava o seu padrão de vida luxuoso aos seus mais de 50 mil seguidores no Instagram
atualizado
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Alvo da Operação Resina Oculta, deflagrada pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), a empresária e influenciadora amazonense Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida como Cavalona do Pó, ostentava o dinheiro do tráfico lavado em bets com viagens para o exterior e hospedagens de alto luxo.
Mirian divulgava o seu padrão de vida luxuoso aos seus mais de 50 mil seguidores no Instagram. Em dezenas de fotos e vídeos, a influenciadora construía uma imagem de poder e sucesso, sempre marcada por viagens frequentes a destinos dignos de cartões-postais.
Veja imagens da empresária presa:
Entre registros em destinos de clima frio, com paisagens bucólicas e hospedagens sofisticadas, e temporadas em praias paradisíacas, Mirian aparecia desfilando em lanchas, curtindo passeios exclusivos e posando em resorts à beira-mar cujas diárias podem ultrapassar milhares de reais.
Sempre em destaque, a investigada surgia com roupas de grife em corpo escultural, resultado de procedimentos estéticos de alto custo, em ambientes luxuosos.
Para os investigadores, o contraste entre o padrão de vida exibido e a renda formal declarada levanta fortes suspeitas de que o conteúdo nas redes sociais também funcionava como vitrine para legitimar valores de origem ilícita, criando uma aparência de prosperidade empresarial, enquanto recursos do tráfico circulavam por trás das publicações.
Resina oculta
- Deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira (19/3) pela Cord, a operação revelou um dos mais sofisticados esquemas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro já identificados na capital do país.
- A ação da Polícia Civil do DF (PCDF) escancarou uma engrenagem criminosa milionária que utilizava empresas de fachada, “laranjas” e plataformas ilegais de apostas, as chamadas bets, para “limpar” montanhas de dinheiro amealhadas com a venda de haxixe, skunk e cocaína.
- Embora os investigadores não tenham revelado o nome das bets suspeitas, o Metrópoles apurou se tratar de empresas menores, clandestinas e sem expressão no mundo das apostas virtuais.
- A ofensiva mobilizou agentes no DF, em Goiás, no Maranhão e Amazonas para o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e nove de prisão.
- Remessas milionárias eram enviadas regularmente para a região Norte do país, especialmente para cidades estratégicas próximas a áreas de fronteira. Cidades como Manaus surgiram como pontos-chave da engrenagem financeira, funcionando como polos de redistribuição e ocultação dos valores ilícitos.
- O Judiciário determinou o bloqueio de contas de 50 pessoas jurídicas, com um limite de até R$ 15 milhões por empresa, além do sequestro de sete veículos de luxo.
Empresa lavanderia do tráfico
As investigações revelaram que a empresa ligada à influenciadora — uma loja de calçados — recebeu, ao longo de 2025, valores provenientes de diversos traficantes do Distrito Federal.
A influenciadora, inclusive, tinha um perfil reserva destinado à divulgação da loja, no qual disfarçava o luxo compartilhado em sua conta principal.
Entre eles, estavam integrantes diretamente relacionados à apreensão de haxixe que deu origem à operação. A movimentação reforça a suspeita de que o negócio era utilizado para dissimular recursos ilícitos.
A Operação Resina Oculta teve início em 9 de outubro de 2025, após a apreensão de 47,4 kg de haxixe e 877 g de skunk no Riacho Fundo (DF). A partir daí, a polícia descobriu uma rede estruturada que atuava como entreposto de drogas, abastecendo traficantes em todo o Distrito Federal e Entorno.
Operação e Medidas judiciais
No caso de Mirian, a Justiça determinou sua prisão temporária e o bloqueio de suas contas. Em 13 de março de 2026, a investigada passou a cumprir prisão domiciliar, por decisão judicial.
A ação policial cumpriu:
- 41 mandados de busca e apreensão.
- Nove mandados de prisão.
- Bloqueio de contas de 50 empresas e 12 pessoas físicas.
- Limite de até R$ 15 milhões por alvo.
- Sequestro de veículos de luxo.
A Polícia Civil aponta que o esquema envolvia dezenas de pessoas e uma estrutura sofisticada de circulação de dinheiro do tráfico. Novas fases da operação não estão descartadas. A Operação Resina Oculta segue em andamento e busca desarticular completamente a rede criminosa que atuava em vários estados do país.















