Promotor toca música Então é Natal em júri de pedreiro que matou ex-sogros. Veja vídeo
Ex-sogros foram mortos na véspera de Natal de 2024 por apoiarem a separação da filha que era casada com o pedreiro Milton Pereira dos Santos

Ao condenar o pedreiro Milton Pereira dos Santos a 89 anos, 3 meses e 10 dias de prisão em regime inicial fechado por matar os ex-sogros em um assentamento de Cristalina (GO), no Entorno do Distrito Federal, a Justiça de Goiás destacou a premeditação do crime e a frieza demonstrada pelo réu. Durante o julgamento, o promotor Diego Henrique colocou para tocar Então é Natal e argumentou que a famosa música natalina se transformou em um gatilho de dor para os parentes das vítimas. “Sempre que essa música tocar, essa família vai chorar”.
Vídeo:
O promotor argumentou ainda que o Milton Pereira transformou uma data feliz, de celebração familiar em tragédia e luto.
Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e Mário Domingos, de 59 (fotos em destaque) foram mortos com múltiplos golpes de facão na véspera de Natal de 2024, no Assentamento Vista Alegre.
Milton, de 53 anos, foi preso em janeiro de 2025, no Jardim Ingá, em Luziânia (GO).
Na sentença, referente ao julgamento encerrado nessa quarta-feira (17/6), o magistrado afirmou que a culpabilidade do condenado apresenta grau de reprovabilidade muito acima do comum.
Após mortes, pedreiro visitou familiares
Segundo a decisão, Milton planejou a execução dos crimes e manteve comportamento frio mesmo após matar as vítimas. O juiz ressaltou que, na manhã seguinte aos assassinatos, o condenado chegou a visitar familiares do casal e desejou feliz Natal aos presentes.
A sentença também destaca a crueldade empregada na ação e o fato de os homicídios terem sido cometidos dentro da residência das vítimas, na antevéspera do Natal.
Condenação
Após 36 horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou Milton pelos crimes de feminicídio, homicídio qualificado, fraude processual, adulteração de sinal identificador de veículo e violência psicológica contra a mulher.
As penas somadas resultaram em 89 anos, 3 meses e 10 dias de reclusão — sendo 61 anos, 1 mês e 10 dias pelo feminicídio; 23 anos e 4 meses pelo homicídio qualificado; 4 anos pela adulteração de sinal identificador de veículo; e 10 meses pela violência psicológica contra a mulher. Além disso, foi aplicada pena de 8 meses de detenção por fraude processual, a ser cumprida após o período de reclusão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), antes dos assassinatos o réu interrompeu o fornecimento de energia elétrica da casa para dificultar a reação das vítimas e impedir registros por câmeras de segurança. As investigações apontaram que ele vivia em união estável com a filha de Maria Batista, e não aceitava o fim do relacionamento.
Ainda segundo o MPGO, entre os dias 19 e 23 de dezembro de 2024, Milton enviou mensagens à companheira com teor de chantagem emocional e vitimização, numa tentativa de impedir a separação. Os jurados reconheceram que a prática ocorreu de forma reiterada, caracterizando o crime de violência psicológica contra a mulher em continuidade delitiva.
Mortos por apoiar decisão da filha
A acusação sustenta que Maria Batista foi assassinada por apoiar a decisão da filha de encerrar o relacionamento. Já Mário Domingos teria sido morto para garantir a execução do crime e evitar que se tornasse testemunha.
Após os homicídios, conforme a denúncia, Milton e o comparsa Cleiton Vieira Costa retiraram a placa da motocicleta utilizada na ação e lavaram o veículo e as roupas usadas no crime para dificultar a identificação dos envolvidos. As condutas resultaram nas condenações por fraude processual qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo.
Cleiton também foi denunciado como coautor dos homicídios, mas teve o processo desmembrado após recurso da defesa. O julgamento dele ainda não foi marcado. Durante o júri, o promotor Diego Henrique destacou a premeditação e a frieza do condenado. “Quando ele perguntou ao Mário: ‘vai passar Natal onde?’, já sabia que ia matá-lo”, afirmou ao Conselho de Sentença.
Veja da prisão do pedreiro:









