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Na Mira

OAB suspende inscrição de advogado ex-PM acusado de 9 estupros no DF

O advogado também é alvo de relatos de aliciamento de detentas vulneráveis da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF)

atualizado

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1 de 1 situacao-suspenso - Foto: Reprodução / Redes sociais

Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Distrito Federal suspendeu a inscrição de advogado de Cláudio Dias Lourenço, investigado por nove estupros e que foi preso nessa segunda-feira (2/3) após um episódio que envolve suposto abuso de autoridade e violência policial na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).

Veja o vídeo da confusão: 

Em nota, a OAB informou que a inscrição do advogado ocorreu após a apresentação das certidões judiciais de “nada consta” e de declaração de ausência de antecedentes ou acusações em seu desfavor. Uma investigação está em andamento no Tribunal de Ética e Disciplina (TED) e no Conselho Pleno, e corre em sigilo.

“A OAB/DF ressalta que a defesa das prerrogativas da advocacia é um ato institucional e coletivo, essencial à garantia do direito de defesa da sociedade. Essa atuação não se confunde com a análise da idoneidade individual de qualquer advogado, que é tratada nas instâncias próprias da OAB”, informou a OAB em nota.

Cláudio acumula 14 inquéritos policiais, nove Termos Circunstanciados (TCs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro. Cláudio foi acusado de defecar sobre uma das vítimas após um calote contra uma garota de programa.


Entenda o caso: 

  • O advogado Cláudio Martins estava na 26ª DP (Samambaia Norte) atendendo um cliente detido, que teria sofrido agressões dentro do local.
  • Durante a contenção do preso, a polícia utilizou gás de pimenta, e o advogado acabou exposto indiretamente, sem ser alvo direto da ação.
  • Cláudio não deixou imediatamente a área, afirmando que estava no local a trabalho e exercendo a função profissional.
  • Por não obedecer à ordem e devido à presença de outros detidos perigosos, o advogado foi detido e algemado.
  • Um Termo Circunstanciado foi registrado contra Cláudio.

Vítimas imundas e aterrorizadas

O histórico de Cláudio Dias começou em 2001. Na época, o advogado era soldado da PMDF. Ele foi levado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I) após abordar uma vítima em ponto de ônibus. Armado, forçou-a a entrar em um veículo e a levou a uma área isolada, nas proximidades da construção do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em agosto de 2002, Cláudio foi preso após uma garota de programa, que fazia ponto no Conic à noite, denunciar a ação de estupradores na região.

Segundo as acusações registradas na Deam, além de não pagar pelo programa, Cláudio amarrava as vítimas e defecava sobre elas. Na época, a então titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), delegada Vera Lúcia da Silva, contou que as vítimas do acusado chegavam à unidade imundas e aterrorizadas.

Imagens: 

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Advogado detido na 26ªDP, em Samambaia Norte
Advogado acusado de 9 estupros foi expulso da PMDF há 17 anos
Advogado detido na 26ª delegacia, em Samambaia norte
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Advogado detido na 26ª delegacia, em Samambaia norte

Material cedido ao Metrópoles
Advogado detido na 26ªDP, em Samambaia Norte
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Advogado detido na 26ªDP, em Samambaia Norte

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Advogado acusado de 9 estupros foi expulso da PMDF há 17 anos
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Advogado acusado de 9 estupros foi expulso da PMDF há 17 anos

Imagem cedida ao Metrópoles

Expulso da PM

Cláudio foi expulso da corporação há 17 anos, após decisão do Conselho de Disciplina da PMDF tomada em 2008. O desligamento oficial ocorreu em 2009.

A coluna Na Mira apurou que Cláudio foi expulso da corporação após ser acusado de violar diversos dispositivos do Estatuto da Polícia Militar, condutas consideradas incompatíveis com a função.

A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada”.


Outras ocorrências: 

  • Em julho de 2002, uma mulher relatou ter sido perseguida na Asa Norte. Ela foi coagida e levada a um matagal no Setor de Clubes, onde foi estuprada.
  • Em agosto, na Asa Norte, outra mulher foi levada até uma estrada de terra próxima à orla do Lago Paranoá, ameaçada com uma arma e violentada sexualmente.
  • Os registros indicam que, somente em 2002, ao menos quatro casos de estupro foram atribuídos a Cláudio, que acabou expulso da PMDF anos depois.
  • As vítimas relataram ameaças reiteradas, intimidação psicológica e agressividade.
  • Em 2005, novas denúncias foram registradas na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).
  • Em uma delas, a vítima afirmou ter sido levada a um matagal na L4 Norte, onde também foi submetida à violência sexual sob ameaça de arma de fogo.
  • Em outro caso, no mesmo ano, a denunciante reconheceu o autor por fotografia na delegacia.
  • O boletim descreve que ela foi conduzida a uma área isolada no Setor de Mansões Park Way e violentada.
  • Em 2005, um registro envolvendo estupro associado a roubo.

Longa ficha criminal

Após esse período, o histórico criminal de Cláudio passou a incluir outros tipos penais. Em 2009, houve inquérito por furto. Em 2017, registro por falsidade ideológica, relacionado a suposta inserção de informação falsa em documento.

Em 2020, além de estelionato, foi registrada nova acusação de estupro na 4ª Delegacia de Polícia (Guará). Segundo o boletim, a investigação incluiu reconhecimento formal do suspeito, análise de imagens de câmeras de segurança e identificação de compra realizada em farmácia no horário do crime.

Houve cumprimento de mandado de prisão e encaminhamento da vítima para exames periciais. Esse procedimento resultou em uma das condenações atribuídas ao advogado.

Mais recentemente, em 2022, consta um registro por ameaça. Já em 2025, com o homem já atuando como advogado, foi lavrada ocorrência na 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) envolvendo aplicação da Lei Maria da Penha.

O boletim descreve perseguição insistente, ligações reiteradas de números diversos, ameaças de exposição de conteúdo íntimo e impedimento de saída da residência do investigado, situação que teria sido encerrada apenas após acionamento da Polícia Militar pelo telefone 190. O caso foi enquadrado como violência psicológica, perseguição e cárcere privado.

O outro lado

A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada”.

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