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Advogado "ejaculou e limpou na parede", diz detenta da Colmeia

Cláudio Martins Lourenço é alvo de relatos de aliciamento de detentas vulneráveis da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF)

, Repórter de Na Mira06/03/2026 10:31, atualizado 06/03/2026 12:34
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Material cedido ao Metrópoles
Advogado “ejaculou e limpou na parede”, diz detenta da Colmeia

O advogado Cláudio Martins Lourenço, envolvido no caso de suposta agressão por parte de policiais civis em uma delegacia do DF, é alvo de uma série de relatos de aliciamento de detentas vulneráveis da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), a Colmeia.

Em um deles, uma detenta conta que Cláudio teria ejaculado em uma parede da sala de atendimento na frente dela.

Segundo a mulher, quando o advogado chegou para visitá-la, ele aparentava estar sob efeito de substâncias. Ao entrarem no recinto, Cláudio teria ordenado que ela levantasse e mostrasse os seios. 

“Se você pilantrar comigo, você vai ver! Você me deve para o resto da vida!”, teria ameaçado o advogado ao perceber a resistência da vítima.

Diante da recusa, o advogado teria exposto o órgão genital e se masturbado na frente da cliente, chegando a “ejacular na parede da sala de atendimento”.

De acordo com os relatos, Cláudio utilizava uma estratégia específica: buscava mulheres com condenações longas, a chamada “cadeia alta”.

Sob o pretexto de estar “construindo reputação”, ele oferecia serviços jurídicos gratuitos ou com valores irrisórios, chegando a fazer doações em dinheiro para as famílias das presas e custear cursos de remição de pena.

Os depoimentos estão sendo investigados pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

Passado obscuro

A investigação informal entre as detentas revelou um histórico perturbador: Cláudio foi policial militar, expulso da corporação justamente por crimes sexuais. Relatos que circularam no presídio mencionam comportamentos sádicos e degradantes em seu histórico.

A presa afirmou ter testemunhado, por um orifício na porta da sala de atendimento (que faltava a fechadura), o momento em que o defensor pedia para sua colega de cela exibir as mamas.

Ela acredita que pelo menos uma dezena de internas esteja passando pela mesma situação, mas o medo impera. O advogado detém procurações, conhece endereços de familiares e possui informações sensíveis sobre a vida das detentas.


Entenda o caso

  • A confusão, gravada em vídeo, ocorreu na noite da última segunda-feira (2/3).
  • O advogado Cláudio Martins estava na 26ª DP (Samambaia Norte) atendendo um cliente detido, que teria sofrido agressões no local.
  • Durante a contenção do preso, a polícia utilizou gás de pimenta, e o advogado acabou exposto indiretamente, sem ser alvo direto da ação.
  • Cláudio não deixou imediatamente a área, afirmando que estava no local a trabalho e exercendo a função profissional.
  • Por não obedecer à ordem e devido à presença de outros detidos perigosos, o advogado foi detido e algemado.
  • Um Termo Circunstanciado foi registrado contra Cláudio.

Cláudio acumula 14 inquéritos policiais, nove Termos Circunstanciados (TCs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro. Cláudio é acusado de amarrar e defecar sobre uma das vítimas, uma garota de programa.

O que diz a defesa

A defesa do advogado disse, por meio de nota, que “a tentativa de desqualificar a vítima com base em registros policiais antigos e unilaterais (já analisados pelo Poder Judiciário e pela própria OAB por ocasião de sua inscrição) não apaga a gravidade dos abusos cometidos, nem justifica a violência praticada” por agentes da Polícia Civil, na ocorrência registrada dentro da 24ª Delegacia de Polícia (Ceilândia).

Em nota, a defesa ainda afirmou que o advogado foi absolvido pelo Judiciário em 28 de julho de 2023, com trânsito em julgado.

“A absolvição foi ainda mais contundente pelo fato de que o próprio Ministério Público, nas alegações finais, requereu a absolvição do acusado, reconhecendo expressamente que “as provas produzidas não confirmaram o fato imputado” e que “a dúvida o favorece”. O laudo pericial não encontrou vestígios biológicos no local; não havia registro de atendimento presencial entre o réu e a vítima na data dos fatos; e as testemunhas apresentaram versões conflitantes, nenhuma das quais presenciou os fatos narrados”, afirmou a defesa de Claudio.