Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Na Mira

O desabafo de Anderson Torres a Bia Kicis dentro da Papudinha

Deputada federal destaca sofrimento do ex-ministro e defende avanço passo a passo em pautas no Congresso que tratam da dosimetria

Igo Estrela/Metrópoles
PF Anderson Torres Eduardo Bolsonaro

Em um encontro marcado pelo peso emocional e pelo tom de desabafo, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) visitou o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres. O encontro ocorreu nas dependências do 19º Batalhão de Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, onde Torres cumpre pena por ter sido condenado a 24 anos de prisão, em regime inicial fechado.

Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a visita foi a primeira vez que a parlamentar esteve pessoalmente com o ex-ministro desde o início do cumprimento da pena. Segundo Kicis, o cenário encontrado foi de um homem que, embora tente manter o equilíbrio, carrega o fardo visível de uma profunda “dor psicológica”.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O ponto central do relato da deputada reside na vulnerabilidade demonstrada por Torres. De acordo com Kicis, o sentimento de injustiça é o que mais consome o ex-ministro.

“A gente percebe muito a dor. Apesar de ser uma pessoa forte e equilibrada, há uma dor latente por viver uma injustiça tão grande”, afirmou a deputada.

Entre as principais angústias reveladas por Torres, a distância da família é a mais severa. O ex-ministro confidenciou à parlamentar o sofrimento de estar impedido de conviver plenamente com as filhas, um isolamento que, segundo aliados, tem impactado severamente seu estado anímico.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Esperança na dosimetria

Apesar do abatimento, o tom da conversa mudou quando o assunto passou a ser a articulação política no Congresso Nacional. Bia Kicis relatou que Torres mantém o olhar fixo na derrubada do veto à dosimetria das penas, um projeto que visa readequar as condenações impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

“Ele estava com muita esperança com o projeto na dosimetria. Isso nos deu a certeza de que precisávamos derrubar o veto”, explicou a deputada. Ela defendeu que, embora o objetivo final de muitos aliados seja a anistia ampla e irrestrita, o caminho jurídico exige pragmatismo.

“Um Passo de Cada Vez”

Questionada sobre as críticas de setores mais radicais da direita — que defendem apenas a anulação total dos processos e rejeitam medidas intermediárias como a dosimetria —, Kicis foi enfática ao usar a situação de Torres como exemplo da urgência de resultados práticos.

Kicis argumentou que é necessário “dar um passo de cada vez” para aliviar a situação dos detidos pelo 8 de janeiro.