Faccionados são investigados por impor "sentenças" de morte e tortura no DF
Grupo apontado como braço do Comboio do Cão é investigado por sete homicídios em São Sebastião. Outros três suspeitos estão foragidos

A 30ª Delegacia de Polícia prendeu três pessoas suspeitas de integrar um grupo ligado à facção criminosa Comboio do Cão, investigado por uma série de homicídios na região do Capão Comprido, em São Sebastião (DF).
Segundo as investigações, seis integrantes impunham regras próprias à comunidade e submetiam pessoas acusadas de furtar drogas, contrair dívidas ou reclamar dos entorpecentes vendidos a um “tribunal paralelo”, com punições que incluíam espancamentos e execuções.
A investigação ocorreu no âmbito da Operação Estatuto. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), as agressões eram filmadas e divulgadas nas redes sociais como forma de intimidar moradores e consumidores de drogas.
Entre os três presos está o homem apontado como líder do grupo, capturado em 15 de outubro, no Itapoã. Ele tinha mandados de prisão temporária por homicídio qualificado e de prisão definitiva por tráfico de drogas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTambém foram presos o suspeito de organizar as sessões de espancamento, investigado por um dos homicídios, e a única mulher apontada como integrante do grupo.
Outros três suspeitos, entre eles o homem considerado o segundo na hierarquia da organização, estão foragidos. A polícia procura Jamielson Costa, conhecido como “Parazinho”; Vitor Rodrigues de Souza, o “Diamantão”; e Osnairdson da Silva Pinheiro, chamado de “Maxixe”.
Veja quem são os foragidos:
Sete crimes violentos são investigados
Segundo a PCDF, a sequência de crimes começou em 24 de setembro, quando uma mulher de 30 anos foi morta a tiros. Usuária de drogas, ela teria subtraído cerca de 1 kg de maconha pertencente ao grupo. Jamielson Costa, o “Parazinho”, é apontado como autor dos disparos.
Dois dias depois, em 26 de setembro, um jovem de 20 anos, acusado de furtar entorpecentes, foi agredido com 20 pauladas em cada mão. A violência foi filmada e divulgada como advertência a quem descumprisse as regras impostas pelo grupo. Em seguida, o jovem foi assassinado a tiros.
Em 27 de setembro, outro homem foi morto com 12 disparos. A principal linha investigativa aponta que o crime teria sido motivado por uma reclamação sobre a quantidade de cocaína vendida, após uma discussão com a companheira do homem apontado como líder. Ele é investigado por participação no homicídio.
A sequência continuou em 4 de outubro, quando um homem foi morto dentro de um barraco. Conforme a apuração, os atiradores pretendiam executar um integrante do grupo, mas atingiram a vítima, que não teria rivalidade com ninguém.
Em 11 de outubro, outro homem foi assassinado. A principal hipótese é de que o crime tenha sido motivado por uma vingança relacionada a um desentendimento antigo.
No dia seguinte, 12 de outubro, o irmão de um homem apontado como segundo na hierarquia do grupo foi atingido por quatro tiros, mas sobreviveu. O caso é investigado como tentativa de homicídio.
Já em 14 de outubro, um adolescente foi morto a tiros em plena luz do dia. As circunstâncias do crime continuam sob investigação.

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Ver todasTráfico de drogas
Paralelamente à apuração dos homicídios, a 30ª DP intensificou as ações contra o tráfico de drogas no Capão Comprido.
Em 16 de outubro, policiais da Seção de Repressão às Drogas (SRD) prenderam em flagrante dois homens, de 30 e 40 anos, em imóveis localizados atrás do campo de futebol conhecido como Chuteirão. Antes da ação, os agentes abordaram dois consumidores que deixavam o local com pedras de crack.
Nos imóveis, foram apreendidas 29 porções de maconha prontas para venda, uma porção maior da mesma droga, cocaína, crack, uma balança de precisão, embalagens do tipo zip-lock, quatro câmeras de vigilância, cinco celulares, um simulacro de pistola e dinheiro trocado. Os dois suspeitos responderão por tráfico de drogas.
Em 19 de outubro, policiais das seções de Investigação de Crimes Violentos e de Repressão às Drogas prenderam outros dois homens, de 27 e 20 anos, na mesma região.
Segundo a corporação, um dos suspeitos tentou se desfazer de uma bolsa com dinheiro, jogando-a sobre o telhado de um imóvel, quando percebeu a aproximação dos policiais. Um usuário que estaria negociando a compra de drogas também foi abordado.
Nas buscas, foram apreendidas quantidades de substâncias com características de crack, cocaína, maconha e ecstasy, além de dinheiro em notas fracionadas, balança de precisão, celulares e um simulacro de arma de fogo. Os dois homens também responderão por tráfico de drogas.
Investigação continua
A Operação Estatuto segue em andamento para localizar os três suspeitos foragidos, esclarecer a participação dos investigados em cada crime e combater a atuação da facção na região.
Informações sobre os procurados ou sobre os homicídios podem ser repassadas à PCDF pelo Disque-Denúncia 197. Segundo a corporação, o sigilo e o anonimato são garantidos.







