Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Na Mira

Comboio do Cão era abastecido por dois grupos distintos, aponta PCDF

Operação Fornitori prendeu 12 pessoas nessa quinta (18/6) integrantes dos núcleos; os investigados atuavam na lavagem e ocultação de capital

19/06/2026 06:39, atualizado 19/06/2026 06:46
Compartilhar notícia
Arte/Metrópoles
carros de polícia e dinheiro

A Operação Fornitori, deflagrada nesta quinta-feira (18/6) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), atingiu dois núcleos criminosos que atuavam como fornecedores da facção Comboio do Cão (CDC).

Ao todo, a operação mirou integrantes de dois grupos distintos, comandados por Alexandre de Lima Silva, conhecido como “Chaves”, e por Fernando Pereira de Lima, conhecido como “Xarope“. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), embora os dois núcleos atuem de forma independente e sem ligação direta entre si, ambos convergiam no abastecimento do CDC.

Imagem da Operação Fornitori:

As prisões dessa quinta-feira atingiram membros de ambos os lados. Os investigados recebiam ordens diretas das lideranças para buscar carregamentos de drogas em rotas interestaduais, especialmente na região de Mato Grosso do Sul, e transportá-los para o Distrito Federal.

Parte dos operadores atuava como “batedores”, monitorando o trajeto dos veículos carregados de entorpecentes para alertar sobre barreiras policiais e fiscalizações. As investigações revelaram, inclusive, que integrantes ligados ao núcleo de Chaves orientavam detalhadamente os motoristas sobre quais municípios e estradas vicinais deveriam utilizar para escapar das autoridades.

Além da logística, os investigados atuavam na lavagem e ocultação do capital oriundo do tráfico. Segundo a polícia, eles utilizavam mecanismos para fazer com que os recursos chegassem aos grandes fornecedores sem passar pelas contas das lideranças, dificultando o rastreamento financeiro.

Os núcleos

Após a deflagração da operação, a PCDF divulgou a identidade de Xarope. Procurado pela Interpol, o criminoso está foragido. Segundo a investigação, há indícios de que tenha deixado o país. Conforme a Draco, ele integra o alto escalão do crime e era o responsável por abastecer a organização criminosa no Distrito Federal.

Já Chaves é apontado como um dos maiores traficantes do DF. Preso em dezembro de 2025 em Redenção (PA), durante uma ação conjunta entre a PCDF e a Polícia Civil do Pará, ele já ocupava um patamar superior na estrutura criminosa e não manipulava mais diretamente os entorpecentes. Cabia a ele negociar grandes carregamentos e coordenar a distribuição para o Distrito Federal, Goiás e Entorno, além de abastecer a própria Comboio do Cão.

Antes de ser preso, Chaves já não morava em Brasília há cerca de 10 anos. Mesmo de longe, continuava exercendo forte influência sobre o tráfico por meio de intermediários e de identidades falsas.

Prisões e bloqueio de bens

Ao todo, a Justiça expediu 15 mandados de prisão temporária, dos quais 12 foram cumpridos, entre os detidos, estão cinco mulheres. Também foram autorizados o sequestro de imóveis e veículos no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do bloqueio de até R$ 15 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados.

As diligências ocorreram em Taguatinga, Ceilândia e Recanto das Emas, no Distrito Federal; Novo Gama, Caldas Novas, Anápolis e Abadiânia, em Goiás; e Campo Grande e Bela Vista, em Mato Grosso do Sul.

Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.