Na Mira

CNJ vai investigar desembargador suspeito de vender sentenças para traficantes

O desembargador Cândido Ribeiro e seu filho, o advogado Ravik Bello Ribeiro, foram alvo das operações da PF na última terça (14/3)

atualizado

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TRF1/Divulgação
desembargador Cândido Ribeiro
1 de 1 desembargador Cândido Ribeiro - Foto: TRF1/Divulgação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu, de ofício (sem provocação externa) uma reclamação disciplinar contra o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspeito de vender sentenças a traficantes internacionais de drogas.

O desembargador Cândido Ribeiro (foto em destaque) e seu filho, o advogado Ravik Bello Ribeiro, foram alvo das operações Habeas Pater e Flight Level 2, deflagradas pela Polícia Federal na última terça-feira (14/3), com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde os magistrados federais de segunda instância possuem foro privilegiado. Na ocasião, os policiais apreenderam R$ 270 mil em espécie em um dos endereços de Ravik.

Imagens da operação deflagrada na terça:

CNJ vai investigar desembargador suspeito de vender sentenças para traficantes - destaque galeria
6 imagens
Operação Habeas Pater combate crimes de corrupção ativa e passiva
O advogado Ravik de Barros Bello Ribeiro é filho de desembargador federal
Desembargador federal Cândido Artur Medeiros Ribeiro Filho atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1)
Mandados de busca e apreensão partiram do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Buscas em escritório de advogado investigado na Operação Habeas Pater, na Asa Norte
Equipes apreenderam dinheiro em endereços ligados aos investigados
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Equipes apreenderam dinheiro em endereços ligados aos investigados

Operação Habeas Pater combate crimes de corrupção ativa e passiva
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Operação Habeas Pater combate crimes de corrupção ativa e passiva

Divulgação/DPF
O advogado Ravik de Barros Bello Ribeiro é filho de desembargador federal
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O advogado Ravik de Barros Bello Ribeiro é filho de desembargador federal

Reprodução/redes sociais
Desembargador federal Cândido Artur Medeiros Ribeiro Filho atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1)
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Desembargador federal Cândido Artur Medeiros Ribeiro Filho atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1)

Reprodução/TRF1
Mandados de busca e apreensão partiram do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
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Mandados de busca e apreensão partiram do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Mirelle Pinheiro/Metrópoles
Buscas em escritório de advogado investigado na Operação Habeas Pater, na Asa Norte
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Buscas em escritório de advogado investigado na Operação Habeas Pater, na Asa Norte

Breno Esaki/Metrópoles

 

A abertura da reclamação disciplinar, estágio inicial de investigação contra magistrados no CNJ, partiu do corregedor nacional de Justiça, o ministro do STJ Luís Felipe Salomão.

Na decisão, divulgada nesta sexta-feira (17/3), ele destacou haver suspeita de envolvimento do magistrado em crimes de corrupção ativa, organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e delitos contra o sistema financeiro.

Segundo informado pelo CNJ, Salomão escreveu ser preciso apurar “se as imputações feitas ao desembargador Cândido Ribeiro têm efetivo reflexo em sua atuação, a macular o previsto na Constituição Federal, na Loman e no regramento traçado por este Conselho”.

Salomão pediu ao STJ para compartilhar provas do inquérito policial em curso, no prazo de 15 dias.

“O TRF1 também foi oficiado para, no prazo de 48 horas a contar da publicação da decisão, prestar informações sobre os pedidos de providências e processos administrativos que envolvem o desembargador e que tenham como fundamento as situações relacionadas às operações policiais”, informou o CNJ.

Entenda
As investigações começaram em 2021, com a primeira fase da operação Flight Level, que foi montada após um traficante internacional de drogas ter sido flagrado com 175 quilos (kg) de cocaína em Lisboa. A droga havia sido transportada em um avião executivo que partira de Belo Horizonte.

Na segunda fase da operação, a PF disse haver indícios segundo os quais os investigados fariam parte de uma “organização criminosa maior, voltada ao tráfico internacional de drogas, à lavagem de dinheiro e à prática de crimes financeiros”.

Segundo a Receita Federal, que colabora com o caso, parte dos investigados se passava por empresários do setor financeiro, tendo aberto empresas apenas para movimentar o dinheiro ilícito. Ainda de acordo com o órgão, as empresas foram abertas em nome de laranjas, “pessoas sem capacidade econômico-financeira”.

Um terceira operação, a Habeas Pater, foi deflagrada somente para apurar a existência de um braço da organização criminosa no Judiciário brasileiro.

 

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