Caso Isabelle: namorado é indiciado por obstrução e violência psicológica.
Investigação não apontou indução ao suicídio, mas identificou sequência de violência e sofrimento da estudante, segundo a polícia
06/10/2026 12:03, atualizado 06/10/2026 12:11

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) indiciou João Munhoz Neto, 34 anos, namorado da estudante de direito Isabelle Caracristi, encontrada morta em 13 de setembro, aos 22 anos, no condomínio de luxo em Fortaleza (CE) onde o casal morava. João foi indiciado pelos crimes de violência psicológica e obstrução de justiça. Somadas, as penas podem chegar até 10 anos de reclusão.
A investigação não responsabilizou o bacharel em direito por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio da jovem. Segundo as autoridades, ficou evidenciada uma sequência progressiva de violência contra Isabelle, acompanhada de manifestações cada vez mais intensas de sofrimento por parte da vítima.
João Munhoz está preso desde 22 de setembro.
Relacionamento abusivo
De acordo com o delegado-chefe da PCCE Márcio Gutiérrez, depoimentos colhidos durante a investigação apontam para um relacionamento abusivo e episódios de violência psicológica. Segundo ele, essas informações também foram consideradas no momento da prisão.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer ir sozinha à farmácia, descer do escritório”, afirmou Gutiérrez.
Vídeo do delegado:
Em coletiva de imprensa realizada em 23 de setembro, o perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, informou que não havia câmeras de segurança no rooftop de onde Isabelle caiu.
Apesar da ausência de imagens no local, a Polícia Civil do Ceará afirmou que a queda da estudante foi voluntária. Segundo Torres, imagens de outros pontos do prédio e de áreas nas proximidades corroboram a conclusão apresentada pela investigação.
De acordo com informações que constam nos autos, após prestar depoimento, João Munhoz teria retornado ao condomínio no dia seguinte à morte de Isabelle para procurar o celular dela. A investigação também aponta que ele teria pedido à família da jovem que não entrasse no condomínio.
Ainda segundo os autos, João Munhoz teria pedido que o apartamento onde morava com a mãe, Sara Regina, fosse limpo e colocado à venda.

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A morte de Isabelle Caracristi ganhou repercussão após a mãe dela, Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo nas redes sociais em que pedia explicações e justiça pela morte da filha. João Munhoz foi preso na terça-feira (22/9), em um prédio pertencente a familiares.
Isorlanda contou que soube da morte da filha depois de tentar falar com ela na noite do ocorrido, mas não obter resposta. Na manhã seguinte, tentou novamente entrar em contato, sem sucesso. Ela também procurou João Munhoz, que, segundo o relato da mãe, teria desligado o telefone e bloqueado Isorlanda no WhatsApp e nas redes sociais.
Diante da preocupação, Isorlanda foi até o condomínio acompanhada do irmão, tio de Isabelle. No local, os dois foram recebidos pela síndica, que teria informado: “Sua filha morreu ontem à noite, o corpo já está no IML”.
Principais pontos destacados:
- Segundo a polícia, até o momento, mais de 25 pessoas foram ouvidas.
- A partir da análise de câmeras, de oitivas de testemunhas e de diligências de inteligência, a PCCE identificou uma postura não colaborativa do namorado da vítima em relação às investigações.
- As oitivas realizadas até o momento apontam que, durante o relacionamento da vítima com o suspeito, havia, segundo os depoimentos, um controle excessivo por parte dele.
- A investigação segue com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias da morte, bem como estabelecer a cronologia das ações que antecederam o fato.
- Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras continuam sendo analisados.
- Outras diligências também estão em andamento.
















