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Na Mira

Advogado é preso após nova acusação de estupro e fuga do DF

Com histórico de 14 inquéritos policiais, investigado já possui duas decisões condenatórias na Justiça e vinha sendo monitorado pela PCDF

08/07/2026 19:14
Reprodução
homem de barba careca

O advogado Cláudio Dias Lourenço foi preso nesta terça-feira (7/7), em Foz do Iguaçu (PR), após cometer um novo crime de violência sexual e ter um mandado de prisão preventiva cumprido contra ele. Ex-soldado da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Lourenço é acusado de cometer ao menos nove estupros ao longo de duas décadas, acumulando duas decisões condenatórias na Justiça e uma extensa ficha criminal que soma 14 inquéritos policiais e nove termos circunstanciados (TCs).

A captura do advogado foi o resultado de uma operação conjunta entre as polícias civis do Distrito Federal e do Paraná, após o suspeito fugir da capital federal rumo à região de fronteira com o Paraguai. As investigações mais recentes que motivaram o mandado de prisão foram conduzidas pela Seção de Atendimento à Mulher (SAM) da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul).

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De acordo com os agentes, o advogado adotava um modus operandi padrão: abordava mulheres jovens em locais públicos, conquistava a confiança delas e as convencia a acompanhá-lo para um passeio. Em um dos episódios registrados no DF, ele levou duas vítimas a um motel sob o pretexto de que o local possuía piscina. No estabelecimento, dopou as jovens com bebidas alcoólicas e abusou sexualmente de uma delas, além de tentar cometer atos libidinosos contra a outra.

Pedido de prisão

Ao notar o cerco policial e o pedido de prisão expedido pela Justiça do DF, Cláudio fugiu para o Paraná. No entanto, na terça-feira, ele repetiu o exato comportamento criminoso em Foz do Iguaçu, atraindo uma nova vítima para um motel. Ele foi detido em flagrante e, em seguida, teve a prisão preventiva decretada também pela Justiça paranaense, que deu cumprimento imediato ao mandado aberto vindo de Brasília.

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O passado criminal de Cláudio Dias Lourenço começou a vir à tona após um recente incidente na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), onde ele alegou ter sido vítima de agressão policial enquanto atendia um cliente. A repercussão do caso motivou uma checagem detalhada de sua ficha, revelando antecedentes que remontam ao início dos anos 2000, época em que ainda integrava os quadros da PMDF — corporação da qual foi expulso anos mais tarde.

A primeira denúncia formal de estupro foi registrada em 2001, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam I), quando uma mulher foi rendida por ele com uma arma de fogo em um ponto de ônibus e levada para uma área isolada perto do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Escalada de violência

Em 2002, a escalada de violência do então policial militar continuou. Relatos de garotas de programa que trabalhavam na região do Conic indicavam que o agressor agia com extrema crueldade, amarrando as vítimas, ameaçando-as com armas e cometendo atos de humilhação física e psicológica. Naquele mesmo ano, outras mulheres registraram abusos em matagais na Asa Norte e na orla do Lago Paranoá, onde também tiveram pertences roubados. Novas denúncias de crimes semelhantes em áreas isoladas do Setor de Mansões Park Way e da L4 Norte voltaram a ser registradas no ano de 2005.

Embora tenha conseguido obter o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) posteriormente, a trajetória de Lourenço continuou marcada por passagens pela polícia. Além dos crimes sexuais, ele respondeu a inquéritos por furto (2009), falsidade ideológica (2017) e estelionato (2020).

Uma de suas condenações judiciais por estupro ocorreu em decorrência de um ataque cometido em 2020, no Guará. Na ocasião, a investigação da 4ª DP utilizou imagens de câmeras de segurança e rastreamento de compras em farmácias para identificá-lo de forma inequívoca. Mais recentemente, em 2025, o advogado foi alvo de uma ocorrência baseada na Lei Maria da Penha, na 32ª DP (Samambaia Sul), por perseguição, violência psicológica e cárcere privado contra uma mulher.