Na CLDF, novo diretor-presidente do Iges pede “paciência” a distritais

Francisco Araújo prometeu máximo de transparência sobre o novo modelo para a população e os deputados sobre o instituto

Wilter Moreira/CLDFWilter Moreira/CLDF

atualizado 14/02/2019 15:32

O diretor-presidente do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (Iges-DF), Francisco Araújo, esteve na Câmara Legislativa nesta quinta-feira (14/2) para responder às perguntas dos parlamentares sobre o novo modelo da rede. Durante a sabatina, pediu “paciência” aos parlamentares de oposição, que questionaram a sua nomeação e a forma como o governo conduz a mudança.

Ex-secretário adjunto de Gestão da Secretaria de Saúde, Francisco Araújo ficará à frente da administração dos hospitais de Base, o Regional de Santa Maria e de seis unidades de pronto-atendimento (UPAs). Seu nome foi aprovado pelo Conselho de Administração do Instituto Hospital de Base, porém não passou pela Câmara. Mas Araújo aceitou o convite para ir até a Casa e prestar os esclarecimentos sobre o novo modelo de gestão.

O decreto com a regulamentação do novo modelo e a nomeação feita pelo Conselho serão publicadas nesta sexta-feira (15). A partir daí, será criado o estatuto que norteará o novo modelo. A proposta é que os diretores das unidades de saúde incluídas na lei que ampliou o modelo do Instituto Hospital de Base sejam subordinados ao presidente, como se fossem adjuntos.

“A nossa relação está começando agora. Peço que tenham paciência”, disse Araújo aos deputados de oposição. O diretor-presidente do Iges pontuou ainda que o governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou ele que dê o máximo de transparência para a população e para os deputados sobre o Iges. Francisco Araújo frisou, por exemplo, que mostrará onde serão utilizados os recursos destinados ao instituto.

“O governo diz para não olharmos para trás, mas vocês estão assumindo o ônus e, se houver, o bônus desse modelo. Antes, o Instituto Hospital de Base era um laboratório, mas agora vocês querem fazer de toda rede o mesmo”, alertou Fábio Felix (PSol).

Questionado sobre os processos que sofre quando foi gestor em outros estados, Francisco Araújo afirmou se tratarem de ações políticas. “Tenho clareza que não fiz nada de errado. Podem pesquisar o que fiz pela cidade de Maceió (AL). Eu responderia mil processos desses para fazer tudo o que fiz de novo”, completou.

Nas estrelas
Contrário ao modelo, Jorge Vianna (Podemos) questionou os valores gastos com compras e contratações realizadas pelo novo modelo e os salários pagos aos membros da diretoria.

“Eles apresentaram planilhas com contracheques de todos os trabalhadores, incluindo da direção. Há salários de R$ 24 mil, R$ 21 mil, o que é muito acima do que recebe um servidor da Saúde para fazer o mesmo trabalho. Eu fiquei surpreso com os valores vultuosos gastos com contratos. Por exemplo, com a Sanoli (responsável pelo fornecimento de alimentação aos pacientes), são R$ 51 milhões e na radiologia o contrato é de R$ 21 milhões. Precisamos saber como são feitos esses contratos e porque com essas empresas”, criticou Vianna.

Para o deputado, o processo de contratação não é transparente, uma vez que os interessados enviam seus currículos por um site e, após uma pré-seleção, chegam ao Iges-DF.

Currículo
Formado em serviço social com especialização em gestão e saúde pública, Araújo atua no setor público desde 1998. Naquele ano, foi secretário de Saúde de Cajueiro (AL), onde ficou até 2005. Tornou-se vereador do município alagoano em 2005.

Entre 2009 e 2012, ocupou o cargo de secretário de Assistência Social de Maceió (AL). Depois mudou-se para Brasília, onde trabalhou na Câmara dos Deputados como assistente técnico da Secretaria de Comunicação, de 2015 a 2018.

Antes de assumir a Secretaria Adjunta de Gestão em Saúde, na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Francisco esteve no comando da Diretoria de Risco e Reabilitação Urbana do Ministério das Cidades. No currículo do novo presidente do IHB consta também qualificação em coaching.

Dificuldades
Antes de o nome de Araújo chegar até o conselho, a mais cotada para o cargo era a psiquiatra Renata Soares Rainha. O Palácio do Buriti, entretanto, desistiu da indicação.

O secretário de Saúde, Osnei Okumoto, argumentou que um dos impedimentos em relação a Renata Rainha é o fato de a mãe dela, Rose Rainha, ser dirigente da Fundação Ulysses Guimarães, do MDB.

Filha do conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e ex-presidente do órgão Renato Rainha, a médica ocupa atualmente o posto de subsecretária de Atenção Integral à Saúde do DF.

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