metropoles.com

Mulher agredida pelo marido por 12 anos toma decisão e quebra ciclo

Vivendo há mais de uma década na violência uma mulher conseguiu mudar de vida através do apoio do projeto da Casa da Mulher Brasileira

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
Mulher consegue se reerguer
1 de 1 Mulher consegue se reerguer - Foto: Arte/Metrópoles

Depois de sofrer por mais de uma década de abusos psicológicos, físicos e sexuais uma mulher conseguiu se reerguer e mudar de vida com o apoio dos serviços oferecidos na Casa da Mulher Brasileira que oferece atendimento às mulheres vítimas de violências, disponibilizando cursos de capacitação e recursos gratuitos que auxiliam mulheres em situação de vulnerabilidade por conta da violência.

Paula* está em atendimento desde fevereiro e contou em entrevista ao Metrópoles que viveu por mais de 12 anos com um homem que abusou dela de várias formas. Ela diz que recebia palavrões do ex, descrevendo seu corpo como “baleia”, “gorda”, “horrorosa”.

As agressões físicas também eram contínuas. Segundo a vítima o ex dava socos, puxões de cabelo e, em certa ocasião, pegou uma tábua para agredi-la. Sem saída, acuada e com extrema ansiedade, Paula* denunciou o companheiro às autoridades, mas nenhuma medida efetiva foi adotada, ele continuou solto e a violência continuou.

O ex ainda deixava a auto estima de Paula* bastante afetada, pois, ao ofendê-la e tentar diminuí-la a fez acreditar que só ele iria querer um relacionamento com ela. O homem também cometeu violência sexual e traiu a, então esposa, com outras mulheres.

Um dos episódios de violência mais marcantes para ela foi quando o agressor furou o preservativo para que Paula* engravidasse, ficando ainda mais frágil e dependente dele. “Acabou a confiança em tudo e as brigas se tornaram intensas e coditianas”, disse.

A situação dela começou a mudar quando outras pessoas perceberam a situação e ajudaram.

Mais de uma década depois do início da volência, denúncias dos vizinhos à polícia fizeram com que Paula* fosse encaminhada para atendimento em uma das unidades da Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia Centro (DF). Lá ela recebeu o apoio necessário para reconquistar a dignidade e viver em paz.

A instituição oferece aulas de capacitação profissional e foi assim que ela virou cabelereira conseguindo uma renda fixa e tornando-se independente do ex-companheiro abusivo. Por muito tempo ela ficou paralisada e presa à relação por ser mãe de cinco filhos — sendo três do ex-marido — e dependente do agressor.

Foram nos atendimentos psicológicos que a cabelereira reencontrou qualidades em si mesma e passou a acreditar e confiar no seu potencial. Ela conta que as palestras sobre autocuidado, autoestima e embelezamento do projeto lhe fizeram perder o medo e recuperar a confiança.

“Eu achava que não era nada, que não tinha valor, e em cada atendimento, brincadeiras e palestras eu fui recuperando a minha auto estima e hoje consigo dormir em paz”, diz a vítima.

A Casa da Mulher Brasileira ainda prestou suporte jurídico para Paula*. Através de ação judicial, ela conseguiu a devida pensão para os filhos, além de alimentos enquanto ela estava grávida, tudo sendo pago pelo ex-companheiro, conforme prevê a lei. Quando ganhou a neném, os alimentos se transformaram em pensão alimentícia, “Tudo foi através deles, eles que fizeram tudo isso”, comenta.

Paula* conta que hoje em dia se sente bem melhor e leva uma vida mais tranquila. Com a visão limpa e distante da agressão que sofreu por 12 anos, ela voltou entender que pode e merece a felicidade. “Eu quero ser feliz e as coisas que o meu ex fez comigo e pensava sobre mim diz mais sobre ele do que sobre mim”, finaliza.

*Nome fictício para proteger a identidade da vítima.

Quando procurar atendimento em caso de violência contra mulher

A procura de atendimento deve ser feita em qualquer tipo de situação de violência e ameaça contra mulher, seja ela imediata ou não. O atendimento é indicado desde busca por orientação, proteção, escuta qualificada ou informações sobre os direitos da mulher até em  casos de risco iminente à vida.

“A unidade funciona como porta de entrada da rede de proteção, acolhendo a mulher no momento em que ela decide buscar ajuda”, diz a instituição.

A Casa da Mulher Brasileira acolhe todas as formas de violência contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha, incluindo violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A ação permite que a vítima permaneça sobre os cuidados do local por 48h, conforme as diretrizes nacionais, e tem caráter emergencial. Durante o período de permanência, a mulher passa por avaliação técnica individualizada, na qual são identificadas suas necessidades específcas.

Após o tempo de 48h, se for constatado que a mulher corre risco sério de vida, ela é encaminhada para a Casa Abrigo, que oferece acolhimento sigiloso e protegido por tempo prolongado. Em outras situações, quando não há necessidade de acolhimento imediato, a vítima pode ser encaminhada ao Auxílilo – Aluguel Social, política que possibilita moradia temporária e segura, contribuindo para o afastamento do agressor e a reconstrução da autonomia.

A secretária da mulher, Giselle Ferreira, diz que o projeto é fundamental para salvar mulheres vítimas de violência que pensam estar sozinhas e desamparadas e desacreditam no valor da vida. “É importante que essas mulheres saibam que não estão sozinhas e que a rede de proteção está disponível para acolher, proteger e salvar vidas”, diz a secretária.

“A Casa da Mulher Brasileira é um espaço essencial de acolhimento e proteção. É onde a mulher encontra o Estado preparado para ouvir, orientar e agir, avaliando cada situação de forma individualizada e garantindo os encaminhamentos necessários para preservar vidas e promover recomeços. Para que o trabalho de prevenção à violência seja realizado de forma eficaz”, finaliza.

Atendimentos em 2025

A Casa da Mulher Brasileira, que conta com unidades em Ceilândia (DF), Sol Nascente (DF), Recanto das Emas (DF), São Sebastião (DF) e Sobradinho (DF), Recanto das Emas (DF), São Sebastião (DF), Sobradinho II (DF). Além disso, há uma nova unidade em construção na Asa Sul (DF), atende mulheres majoritariamente entre 31 e 50 anos de idade.

De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria da Mulher do Distrito Federal, em 2025 foram atendidas 6.265 mulheres vítimas de violência apenas na unidade de Ceilândia, totalizando 13.009 atendimentos.

A instituição conta que, além da Casa, o Distrito Federal conta com uma rede capilarizada composta pelos Centros de Referência da Mulher Brasileira, que atuam como forma complementar no acolhimento, acompanhamento psicossocial e orientação à mulheres em situação de violência. O número total de atendimentos juntando com os Centros de Referência, é de 16.609.

Contatos e Endereços da Casa da Mulher Brasileira

  • Ceilândia:

Endereço: CNM 1, Bloco I, Lote 3– Ceilândia, Brasília – DF, 72215-110
É um serviço de portas abertas, o acesso ao atendimento é gratuito e independe de qualquer tipo de encaminhamento.
Portaria: (61) 3371-2897
Triagem – 1° andar: 3371-2637
Núcleo de Acolhimento e Triagem – 99117-3406  /  99197-1070 / 3471-1360
Núcleo de Alojamento de Passagem – 3771-1117

  • Recanto das Emas

Endereço: Av. Buritis Quadra 203 Lote 14
Horário/dia: 9h às 18h – de segunda a sexta-feira

  • Sol Nascente

Trecho 02 – Quadra 100 Conj. A Lote SC1 – Pôr do Sol
Horário/dia: 9h às 18h – de segunda a sexta-feira

  • São Sebastião

Área Especial – AE 11, Centro de Múltiplas Atividades
Horário/dia: 9h às 18h – de segunda a sexta-feira

  • Sobradinho II

AE 06 COER Quadra 01 Setor Oeste
Horário/dia: 9h às 18h – de segunda a sexta-feira

 

 

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?