MPDFT registrou 1,5 mil casos de estupro de vulnerável em 2020

Segundo o Ministério Público, sem aulas presenciais durante a pandemia, número de denúncias caiu no DF

atualizado 17/05/2021 18:12

Criança estupradaiStock

Desde o início da pandemia provocada pelo novo coronavírus, entre janeiro e dezembro do ano passado, 1.517 crianças e adolescentes foram vítimas de estupro de vulnerável, segundo dados apresentados pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) nesta segunda-feira (17/5). As estatísticas englobam todo o ano de 2020 e, dessa forma, o impacto do primeiro ano da pandemia.

Os mais de 1,5 mil casos incluem, além de outras situações, a conjunção carnal ou a prática de outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Ceilândia foi a região administrativa com o maior número de casos, com 92 ocorrências contra crianças e adolescentes. Os dados foram apresentados 24 horas antes do Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual contra Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio.

Segundo o MPDFT, no mesmo período foram recebidos 754 feitos novos relacionados ao crime de estupro. Desses, 22 tiveram como vítimas adolescentes entre 14 e 18 anos. Os dados levantados pela Corregedoria do MPDFT mostram que, de forma geral, o total de inquéritos policiais recebidos em 2020 caiu em relação ao ano anterior.

Inquéritos

Enquanto 2019 acumulou 219 novos inquéritos relacionados a crimes e contravenções contra menores, em 2020 o número ficou em 153. Os gráficos mostram que a queda começou justamente no mês de março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como pandemia o surto do novo coronavírus e o Governo do Distrito Federal decretou a suspensão das aulas.

A coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra a Criança e o Adolescente (Nevesca) do MPDFT, promotora de Justiça Cíntia Costa, explica que muitas notícias vinham das escolas públicas, e sem as aulas presenciais, esse canal ficou isso ficou prejudicado.

“Mesmo assim, continuamos recebendo denúncias pelas escolas, pelo disque 100 ou 180 e pelas Delegacias de Polícia”, disse. Em maio de 2020, o MPDFT encaminhou ofício à Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação para sugerir que o tema violência sexual fosse abordado nas aulas virtuais.

 

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