MP denuncia esposa e sogra de Turra por coagirem ex-amiga do piloto
Denunciadas passaram a enviar mensagens para a vítima e para a mãe dela, exigindo retirada da queixa e ameaçando divulgar vídeos íntimos

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou a esposa e a sogra do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, Lauanny Faria Braier Broges, de 19 anos, e Moara Guimarães Faria, 40, respectivamente. Elas são acusadas de coagir uma ex-amiga de Turra que fez várias denúncias contra o ex-piloto.
Pedro Turra está preso preventivamente desde 30 de janeiro deste ano. Ele é acusado de agredir e matar o jovem Rodrigo Castanheira, que morreu aos 16 anos.
Como o Metrópoles mostrou em março, Lauanny e Moara passaram a enviar mensagens de texto para a ex-amiga de Turra e para a mãe dela, exigindo a retirada da queixa criminal (imagem em destaque). Elas ameaçaram divulgar vídeos íntimos da vítima, incluindo um registro dela tomando banho gravado sem consentimento, quando tinha apenas 12 anos.
Lauanny e Moara também enviaram à mãe da vítima vídeos da ex-amiga de Turra consumindo bebidas alcoólicas com mensagens em tom de provocação e ameaça, com frases como: “Você não sabe a filha que tem”. Em seguida, usaram a função “apagar para todos” do WhatsApp para tentar ocultar as provas.
Como a denúncia foi mantida, a partir de maio de 2026 elas passaram a usar um perfil no Instagram para fazer postagens públicas ofendendo a imagem da vítima, chamando-a de “alcoólatra” e publicando uma foto manipulada para simular que ela dirigia um veículo de luxo de Pedro Turra, com o objetivo de descredibilizar o testemunho dela perante a polícia e a Justiça.
O Metrópoles apurou que existem outros inquéritos policiais em curso que ainda não foram analisados. Este em questão seria o primeiro, que ocorreu antes da prisão de Pedro Turra.
Mãe e nora ainda estão sendo investigadas por stalking e impedidas de citar diretamente ou indiretamente a testemunha sob pena de prisão. A dupla ainda pode responder por ameaça, injúria, calúnia, difamação, crimes tipificados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A defesa de Lauanny e Moara foi acionada, mas não haviam se manifestado até a atualização mais recente desta matéria.
Tentativa de silenciamento
Em junho deste ano, o Metrópoles mostrou que a vítima contou à polícia que o intuito das acusadas seria silenciá-la, visto que a jovem atuou na condição de testemunha em vários processos envolvendo a esposa de Turra.
Além da jovem, o namorado da denunciante prestou depoimento. Em sua fala, o rapaz contou que as investigadas estariam usando suas redes para apresentar a ex-amiga do casal como “traidora”.
Na ocorrência policial, a jovem afirmou ter mantido amizade com Lauanny e o piloto por mais de 10 anos, o que a fez crer que a investigada tivesse fotos ou vídeos comprometedores. Em algumas mensagens, Lauanny chamou a jovem de “maior alcoólatra” e disse que ela “se passa de anjinha”.
A jovem que denunciou a ameaça de Lauanny é a mesma que expôs episódios de violência e humilhação, intensificados ao longo de 2025. Os casos vieram à tona após a agressão ao adolescente Rodrigo Castanheira, que morreu depois de ficar 16 dias internado em unidade de terapia intensiva (UTI).

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Ver todas“Prazer em humilhar”
Segundo o depoimento da ex-amiga de Turra, o piloto demonstrava “prazer em humilhar”. Em uma denúncia, ela contou ter sido torturada com arma de choque por 10 minutos, implorando aos prantos para que parasse, mas o piloto só ria e continuava.
Em outro episódio, Turra ofereceu um pudim para a jovem comer. Desconfiada, ela questionou, mas ele garantiu que “estava tudo bem”. Após consumi-lo, o ex-piloto de Fórmula Delta revelou ter comido e regurgitado o doce antes. A jovem ficou “muito enojada, a ponto de chorar e vomitar”.
Ela também descreveu um episódio em setembro de 2025, em uma lancha com o grupo no Clube Cota Mil, no Setor de Clubes Esportivos Sul. Sentada à beira da embarcação, foi empurrada por Turra e caiu na água. Apesar de saber nadar, acabou engolindo muita água devido à surpresa de ter sido jogada. Sem escada na lancha, pediu ajuda, mas Turra e outro amigo teriam apenas dado risada. Ela nadou até o deck, saindo do lago com arranhões nas pernas.
Em uma outra denúncia, ela relatou ter sido obrigada a ingerir bebida alcoólica durante uma confraternização no Jockey Club, em junho do ano passado.
Pedro Turra foi denunciado por homicídio doloso e aguarda julgamento pela morte de Rodrigo Castanheira. Em fevereiro deste ano, ele foi transferido para o Pavilhão de Segurança Máxima no Complexo Penitenciário da Papuda (DF).










