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Distrito Federal

"Morreu fazendo o que amava", diz avó de garoto morto em queda de slackline

Amigos e familiares de Jonas Pereira da Silva, 21 anos acompanham, nesta segunda-feira, o sepultamento no Cemitério de Planaltina

30/11/2020 10:02, atualizado 01/12/2020 12:23
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Arquivo Pessoal
Jonas da Silva Pereira, morto em acidente com slackline em Brasília

Sob forte comoção, amigos e familiares dão adeus a Jonas Pereira da Silva, 21 anos, na manhã desta segunda-feira (30/11), no Cemitério Campo da Esperança, em Planaltina. O praticante de slackline morreu após cair de uma corda a 50m de altura, no Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, em Sobradinho, nesse sábado (28/11).

Jonas praticava o esporte havia cinco anos. As informações preliminares dão conta de que ele estava com a cadeirinha de segurança e pode ter esquecido de amarrá-la na corda que fica ligada à fita.

O velório teve início às 9h, e o sepultamento será às 11h. Namorada do jovem, Alice Christina, 21, conta que o conheceu em fevereiro deste ano, no mesmo lugar em que Jonas morreu, no último sábado.

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Amigos e colegas de esporte acompanharam a cerimônia
A mãe de Jonas também está na despedida
O enterro ocorreu no Cemitério de Planaltina
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O enterro ocorreu no Cemitério de Planaltina

Hugo Barreto/Metrópoles
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Amigos e colegas de esporte acompanharam a cerimônia
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Amigos e colegas de esporte acompanharam a cerimônia

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A mãe de Jonas também está na despedida
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A mãe de Jonas também está na despedida

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Jesua Quaresma Maranhão, avó de Jonas Pereira
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Jesua Quaresma Maranhão, avó de Jonas Pereira

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Alice Christina, namorada do jovem
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Alice Christina, namorada do jovem

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Enterro ocorre sob forte comoção
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Enterro ocorre sob forte comoção

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Jonas Pereira da Silva tinha 21 anos
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Jonas Pereira da Silva tinha 21 anos

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Jonas divulgava o esporte nas redes sociais
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Jonas divulgava o esporte nas redes sociais

Jonas e Aline moravam juntos, no Gama, desde abril. Os dois mantinham uma loja on-line, na qual vendiam joias em macramê, produzidas por eles. Agora, Alice diz que pretende dar continuidade ao trabalho. “Vou continuar o que começamos juntos”, contou.

“Jonas era leveza pura. Não existia um momento em que ele reclamava da vida. Ele sabia amar a natureza como ninguém mais”, contou. “Estávamos juntos há alguns meses, mas a sensação era de uma vida inteira”, completou.

“Uma pessoa maravilhosa, querida. Ele amava a natureza, era um defensor dos animais. Vai fazer muita falta”, afirmou Patrícia Maranhão Silva, tia do jovem.

Ao falar sobre o neto mais velho, Jesua Quaresma Maranhão, 64, não segurou as lágrimas. “Era um menino muito bom”, lamentou a avó.

Amigos e familiares dão adeus a Jonas Pereira da Silva no Cemitério Campo da Esperança, em Planaltina 1
Jesua Quaresma Maranhão, avó de Jonas Pereira

Segundo ela, a família temia quando Jonas saía para praticar a modalidade. “Mas a gente sabia que ele adorava isso (o esporte). Eu tenho certeza de que ele morreu fazendo o que amava”, ressaltou.

Experiência e homenagem

Matheus Samir Oliveira, 32 anos, é um dos amigos que acompanhava Jonas no último sábado. Segundo ele, naquela data, havia mais duas pessoas, além dos dois, praticando o esporte. “Jonas seria o primeiro a passar. Tinham duas pessoas de um lado, para passar a corda, e nós estávamos do outro”, revelou.

No dia do acidente, Jonas caminhou mais de 40 metros antes de cair.

Segundo Matheus, a primeira vez que Jonas praticou a modalidade highline — slackline praticado acima de 10 metros do chão — no local do acidente foi há cerca de um ano, quando fez parte da equipe de montagem de uma das maiores vias de highline do Brasil, com mais de 500 metros de comprimento. Jonas também foi um dos poucos atletas brasileiros que conseguiu atravessar tal dimensão, conforme contou Matheus.

Após a morte de Jonas, amigos escreveram uma carta em memória do jovem.

Confira abaixo:

É muito mais importante dizer quem foi o atleta Jonas Pereira para que Brasília entenda o tamanho da perda que nossa cidade teve nesse fim de semana. Ele se iniciou no highline há quatro anos. O esporte consiste em caminhar sobre uma fita de slackline em grandes alturas. Apesar de parecer um esporte radical e perigoso, é a modalidade em que lesões e fatalidades são mais raras. Em 40 anos de esporte, as fatalidades ainda não chegaram na casa das dezenas. Os equipamentos utilizados vem da escalada, que exige muito mais segurança que os riscos empregados no highline. São necessárias três toneladas para romper qualquer peça do sistema do esporte.

Jonas sempre foi conhecido como um atleta prodígio. Na primeira experiência com o highline, o jovem atravessou sem quedas uma via de highline em que o seu professor demorou dois anos para conseguir atravessar.

Em 2019, ele atravessou sem quedas a maior via da região, tornando-se um dos quatro atletas brasilienses a realizar esse feito. Jonas também foi um dos realizadores do maior festival de highline do Brasil até então, além de ter trabalhado em outros festivais pelo Brasil. Também participou de projetos de aberturas de vias de highline em várias cachoeiras e canions de Goiás, consagrando-o, nesses quatro anos, um dos atletas mais experientes de Brasília e reconhecido como um dos, senão o mais habilidoso da cidade.

Jonas será vivido e lembrado. Seus amigos prometem que muitas vias de highline serão batizadas com seu nome.

A ocorrência do caso está registrada na Polícia Civil do DF como “morte acidental ainda sem causa definida, sabendo-se apenas que o jovem, adepto de esportes radicais, morreu ao cair de um despenhadeiro”.

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