Modelo mirim tem barraco derrubado por fiscalização na Estrutural
Família veio de São Luís do Maranhão para tentar vida melhor em Brasília. Em menos de um ano, eles tiveram a casa derrubada duas vezes
atualizado
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Uma ação de derrubada a ocupações irregulares promovida pela Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) na manhã de quarta-feira (21/11) levou ao chão dezenas de barracos em uma área pública invadida na Cidade Estrutural. Uma dessas casas de madeirite era a de Nayara Morais, 10 anos.
A menina ficou conhecida após revelar, em um programa de televisão, o sonho de ser modelo e de conhecer a Miss Brasil Raissa Santana, com quem se identifica e tem como inspiração. Aos 10 anos de idade e com 1,63 metro, a garota ainda ensaia a carreira nas passarelas e diante das câmeras, em eventos nos quais participa sem cachê.
No Instagram, Nayara já tem mais de 4,3 mil seguidores. A publicação de quarta (21) destoa das outras, nas quais aparece com cachos impecáveis, roupas e acessórios da moda, emprestados pelos voluntários que a assessoram.
O vídeo de um trator demolindo as paredes do barraco comoveu os seguidores da menina. Uma delas se sensibilizou e ofereceu abrigo em uma quitinete para a família até eles arrumarem outro lugar para morar.

Esta é a segunda vez que a casa onde a modelo mirim mora com os pais e um irmão se torna alvo de uma ação de derrubada. “Quase não tenho nada, é tudo muito velhinho. Não consegui tirar meu guarda-roupas e ele caiu junto com a casa”, disse Mannyara Morais, 34 anos, mãe da menina.
O pai, eletricista terceirizado da Companhia Energética de Brasília (CEB), não dormiu com a família na noite de quarta para quinta-feira (22), porque permaneceu no local da derrubada a fim de evitar o furto das madeiras usadas para dar estrutura às paredes do barraco.
“Até a casinha dos cachorros derrubaram. A gente sabe que invadir é errado, mas vamos fazer o quê, se não temos dinheiro para alugar ou comprar uma casa?”, desabafa Mannyara.
Amigos da família criaram uma vaquinha on-line com o objetivo de arrecadar R$ 5 mil para ajudá-los a encontrar um novo lugar para morar.
O Metrópoles entrou em contato com a Agefis e questionou as circunstâncias da derrubada, mas até a última atualização desta reportagem a agência não havia se manifestado.
