Maurício Miranda é velado com camisa do Flamengo e amigos se despedem. Veja vídeo
Desembargador morreu aos 60 anos e foi enterrado nesta segunda-feira (5/12) na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul (DF)
atualizado
Compartilhar notícia

“Pessoa simples e com senso de justiça” foi assim que amigos e familiares definiram o desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Maurício Silva Miranda, que morreu aos 60 anos. Com uma camisa do Flamengo, seu time de coração, o corpo do magistrado foi enterrado nesta segunda-feira (5/12) na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul (DF), sob forte comoção.
O desembargador morreu na madrugada desse domingo (4/12), em Goiânia (GO) por suspeita de leptospirose após ser internado no dia 1° de janeiro com fortes dores musculares e febre. O quadro se agravou e o desembargador teve falência múltipla dos órgãos. Maurício deixa a esposa Andrea Miranda e duas filhas.
Mãe de Maurício, Aide Borges da Silva, de 79 anos, enterrou o filho aos prantos e deixou uma última mensagem. “Você morreu aí, mas você permanece dentro de mim. Dói muito enterrar um filho. Não tem como esquecê-lo, você foi um bom filho, bom irmão, um bom pai e um bom marido”.
Amiga de longa data de Maurício quando ele ainda morava em Goiás, a advogada Noely Borges disse que o desembargador nunca esqueceu dos amigos. “Ele nunca deixou os dele do passado, sempre estava presente nas reuniões, sempre a gente fazia comemorações de aniversário, e deixou esse legado de humildade, de pessoa que alcançou um cargo alto no tribunal e tudo, mas nunca abandonou os amigos, aquela turminha de longa data, a gente sempre ia na casa dele. No último aniversário ele fez uma galinhada e já estava planejando o próximo que seria em março”, contou.
Além dos parentes e amigos de Miranda, estiveram presentes a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP-DF); o presidente do TJDFT, Waldir Leôncio Júnior; o desembargador e 1º vice-presidente do TJDFT, Roberval Belinati; o ex-senador e procurador aposentado do Ministério Público de Goiás (MPGO), Demóstenes Torres. Membros do Poder Judiciário e alunos de Maurício também foram se despedir do desembargador.
Veja imagens do enterro:
O presidente do TJDFT, Waldir Leôncio Júnior, lamentou a perda de Maurício Miranda. “Ele tinha ampla experiência jurídica, era professor universitário, era um homem muito preparado, totalmente preparado, e além disso, tinha todas as qualidades para um bom juiz, a começar a simplicidade, era um homem e extremamente simples, acessível, humilde, dedicado, operoso, trabalhador, era um exemplo de cidadão. A sociedade perde um grande cidadão, o tribunal perde um grande juiz e nós do TJDFT, perdemos um grande amigo”, destacou o magistrado.
“Ficam as lembranças e isso é o que importa. Nenhum de nós é eterno, o dia que acabamos de ir lá partir e ficarão os nossos rastros. Os rastros do Maurício eles não se apagarão”, ressaltou o presidente do TJDFT.
O ex-senador e procurador, Demóstenes Torres tinha grande amizade com Maurício e também deixou sua última palavra. “Ele era padrinho da minha filha e nós chegamos a ser procuradores juntos, erámos vizinhos de comarca. Ele era uma pessoa muito boa, vai fazer muita falta para todos”, disse Torres.
O desembargdor e 1º vice-presidente do do TJDFT, Roberval Belinati, destacou a trajetória de Miranda. “Ele começou a trabalhar aos 16 anos e sempre foi uma pessoa batalhadora, passando pelo Ministério Público e depois pelo Tribunal de Justiça do DF. Ele estava feliz pelo fato da filha dele ter se tornado médica”, contou o desembargador.
Trajetória
Maurício Miranda tomou posse no cargo em janeiro de 2023. Antes, atuava como procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT).
Com longa carreira no MP, Maurício Miranda ganhou notoriedade quando atuou como promotor do triplo homicídio do ex-ministro José Guilherme Villela, da esposa Maria Villela e da funcionária Francisca Nascimento da Silva, no caso conhecido como Crime da 113 Sul.
Miranda também atuou como promotor no julgamento dos jovens que atearam fogo no indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos, enquanto ele dormia em uma parada de ônibus no DF. O desembargador também atuou no caso do assassinato do jornalista Mário Eugênio e do homicídio da estudante Maria Cláudia Del’Isola.


















