Mais longa da história, greve do Metrô-DF completa 90 dias. Veja o que falta para acordo

A paralisação com corte de ponto já chega há 90 dias. O movimento de maior duração no DF foi em 2017, com 77 dias de greve

atualizado 18/07/2021 13:13

Metrô cheio DFHugo Barreto/Metrópoles

A greve dos metroviários no Distrito Federal completa 90 dias neste domingo (18/7) e já é a maior de toda a história da Companhia do Metropolitano (Metrô-DF). Em paralisação desde 19 de abril, os empregados do Metrô iniciaram o movimento pedindo a manutenção de seus planos de saúde, vale-alimentação e pagamento da “quebra de caixa”.

No entanto, a possibilidade de acordo só reduziu ao longo do movimento. Além disso, o ponto dos paredistas foi cortado, toda a categoria segue sem benefícios desde abril e o caso é analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Até então, a greve mais longa no Metrô-DF havia ocorrido em 2017, ainda no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). O pedido era similar: manutenção do acordo coletivo mais reajuste dos salários de acordo com a inflação. À época, salários também foram cortados, houve intensa negociação e os benefícios básicos se mantiveram.

Em 2019, houve nova greve para cumprimento do acordo coletivo. Em 2021, no entanto, os benefícios foram todos cortados, sem previsão de retorno. Os acordos precisam ser renovados a cada dois anos para terem validade. Por isso, o Metrô cortou todos os benefícios em abril, quando não houve negociação.

“Estamos sem salário, sem plano de saúde em plena pandemia, sem o vale-alimentação, que era de R$ 1,2 mil. Tem metroviário passando fome. No entanto, queremos nossos direitos e vamos aguardar a decisão da Justiça”, afirmou a a diretora de comunicação e mobilização do SindMetrô, Meiry Rodrigues.

Enquanto isso, o serviço prestado à população fica em 80% dos trem rodando em horários de pico, conforme decisão judicial, e 60% nos horários normais. A população tem sofrido com vagões cheios e alto risco de contaminação por Covid-19. “Acreditamos que o Metrô não negocia e não paga os nossos direitos porque já está com um pé na privatização. Quer extinguir todos os nossos direitos”, diz a sindicalista.

Demora na espera dos trens

Além dos metroviários sem benefícios e alguns sem salários, a população tem sofrido as consequências da paralisação. A demora intensa é uma delas. Às vésperas de completar três meses de greve, o Metrópoles esteve em estações do Metrô-DF e flagrou o drama de quem depende do transporte.

Morador de Águas Claras, o professor James Souza, 48 anos, tem sentido esse impacto ao longos dos 90 dias. O profissional da educação depende diariamente do metrô para sair de casa e chegar até o trabalho, no Plano Piloto.

“Está demorando muito mais o intervalo entre os trens. Em um momento de pandemia isso prejudica a prevenir a doença, pois causa um maior volume de pessoas”, destaca. “Com a gasolina muito cara, única opção que a gente acaba tendo é o metrô”, completou.

Quem também depende do transporte é a biomédica Maria Stella, 25. Assim como James, ela teme pela contaminação com a Covid-19 devido à aglomeração pela espera maior que o habitual na estação.

“O intervalo do metrô está muito grande. Para mim, que trabalho às vezes de noite, o intervalo é de 30 minutos. A gente sente diferença no horário que chega em casa. Você se sente muito mais insegura”, apontou.

Para ela, a greve também sobrecarrega os ônibus: “Estão muito mais lotados. Por morar no centro de Taguatinga, a gente também vê o impacto na quantidade de carros. Ela aumenta pois as pessoas começam a desistir de vir de metrô já que demora demais. Virou esse caos”, reclamou.

O garçom Silvio Heleno, 49 anos, também conta sua experiência sobre o aumento na duração entre as viagens. “Antigamente gastava menos de 40 minutos. Já hoje, leva uma hora para chegar de Ceilândia até a Central”, diz.

Outro questionamento do trabalhador é o tempo de espera durante os finais de semana. “Nos sábados e domingos tem demorado até 30 minutos para passar. Antes eram mais metrôs e isso faz muita falta”, declara.

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Corte de benefícios

Em 7 de junho, o desembargador Alexandre Nery de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), indeferiu o pedido de liminar formulado pelo Sindicato dos Metroviários do DF na ação de dissídio coletivo de greve.

Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) entrou com o dissídio em maio, com propostas aos metroviários para tentar dar fim ao movimento paredista, mas não houve acordo.

O SindMetrô, ao contestar o dissídio, apresentou pedidos de indenização por danos causados à entidade em razão de descontos salariais e benefícios não pagos. Também queria a manutenção de cláusulas contidas na norma coletiva anterior, inclusive em caráter liminar, como o pagamento dos salários e benefícios enquanto persistir a greve dos trabalhadores. Os pedidos foram negados.

Negociação

Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que aguarda o julgamento da ação de dissídio coletivo pelo TRT.

“O Metrô-DF apresentou proposta na última audiência, realizada em 17 de maio, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – 10ª Região. Tal proposta consistia em assinar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2021-2023 com as cláusulas consensuais e continuar discutindo as demais (13ª parcela do Auxílio-Alimentação e Quebra de Caixa), que são objeto de impasse, no âmbito do TRT. Na ocasião, o Sindmetrô recusou proposta apresentada pela Companhia”, alegou o Metrô-DF.

Segundo a companhia, “não há prejuízos financeiros em decorrência da greve, nem redução no número de passageiros”. O Metrô ressaltou ainda que há corte de ponto quando “o empregado não comparece ao trabalho em função da greve, conforme orienta a legislação trabalhista”.

Sobre os intervalos entre os trens, o Metrô informou que no horário de pico houve aumento de 1 min a 4min30s, dependendo do destino. Fora do horário de pico, o intervalo varia entre 4 min e 13min30s, a depender do destino e do horário.

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