Mais longa da história, greve do Metrô-DF completa 90 dias. Veja o que falta para acordo
A paralisação com corte de ponto já chega há 90 dias. O movimento de maior duração no DF foi em 2017, com 77 dias de greve

A greve dos metroviários no Distrito Federal completa 90 dias neste domingo (18/7) e já é a maior de toda a história da Companhia do Metropolitano (Metrô-DF). Em paralisação desde 19 de abril, os empregados do Metrô iniciaram o movimento pedindo a manutenção de seus planos de saúde, vale-alimentação e pagamento da “quebra de caixa”.
No entanto, a possibilidade de acordo só reduziu ao longo do movimento. Além disso, o ponto dos paredistas foi cortado, toda a categoria segue sem benefícios desde abril e o caso é analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Até então, a greve mais longa no Metrô-DF havia ocorrido em 2017, ainda no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). O pedido era similar: manutenção do acordo coletivo mais reajuste dos salários de acordo com a inflação. À época, salários também foram cortados, houve intensa negociação e os benefícios básicos se mantiveram.

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Ver todasEm 2019, houve nova greve para cumprimento do acordo coletivo. Em 2021, no entanto, os benefícios foram todos cortados, sem previsão de retorno. Os acordos precisam ser renovados a cada dois anos para terem validade. Por isso, o Metrô cortou todos os benefícios em abril, quando não houve negociação.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“Estamos sem salário, sem plano de saúde em plena pandemia, sem o vale-alimentação, que era de R$ 1,2 mil. Tem metroviário passando fome. No entanto, queremos nossos direitos e vamos aguardar a decisão da Justiça”, afirmou a a diretora de comunicação e mobilização do SindMetrô, Meiry Rodrigues.
Enquanto isso, o serviço prestado à população fica em 80% dos trem rodando em horários de pico, conforme decisão judicial, e 60% nos horários normais. A população tem sofrido com vagões cheios e alto risco de contaminação por Covid-19. “Acreditamos que o Metrô não negocia e não paga os nossos direitos porque já está com um pé na privatização. Quer extinguir todos os nossos direitos”, diz a sindicalista.
Demora na espera dos trens
Além dos metroviários sem benefícios e alguns sem salários, a população tem sofrido as consequências da paralisação. A demora intensa é uma delas. Às vésperas de completar três meses de greve, o Metrópoles esteve em estações do Metrô-DF e flagrou o drama de quem depende do transporte.
Morador de Águas Claras, o professor James Souza, 48 anos, tem sentido esse impacto ao longos dos 90 dias. O profissional da educação depende diariamente do metrô para sair de casa e chegar até o trabalho, no Plano Piloto.
“Está demorando muito mais o intervalo entre os trens. Em um momento de pandemia isso prejudica a prevenir a doença, pois causa um maior volume de pessoas”, destaca. “Com a gasolina muito cara, única opção que a gente acaba tendo é o metrô”, completou.
Quem também depende do transporte é a biomédica Maria Stella, 25. Assim como James, ela teme pela contaminação com a Covid-19 devido à aglomeração pela espera maior que o habitual na estação.
“O intervalo do metrô está muito grande. Para mim, que trabalho às vezes de noite, o intervalo é de 30 minutos. A gente sente diferença no horário que chega em casa. Você se sente muito mais insegura”, apontou.
Para ela, a greve também sobrecarrega os ônibus: “Estão muito mais lotados. Por morar no centro de Taguatinga, a gente também vê o impacto na quantidade de carros. Ela aumenta pois as pessoas começam a desistir de vir de metrô já que demora demais. Virou esse caos”, reclamou.
O garçom Silvio Heleno, 49 anos, também conta sua experiência sobre o aumento na duração entre as viagens. “Antigamente gastava menos de 40 minutos. Já hoje, leva uma hora para chegar de Ceilândia até a Central”, diz.
Outro questionamento do trabalhador é o tempo de espera durante os finais de semana. “Nos sábados e domingos tem demorado até 30 minutos para passar. Antes eram mais metrôs e isso faz muita falta”, declara.
Corte de benefícios
Em 7 de junho, o desembargador Alexandre Nery de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), indeferiu o pedido de liminar formulado pelo Sindicato dos Metroviários do DF na ação de dissídio coletivo de greve.
A Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) entrou com o dissídio em maio, com propostas aos metroviários para tentar dar fim ao movimento paredista, mas não houve acordo.
O SindMetrô, ao contestar o dissídio, apresentou pedidos de indenização por danos causados à entidade em razão de descontos salariais e benefícios não pagos. Também queria a manutenção de cláusulas contidas na norma coletiva anterior, inclusive em caráter liminar, como o pagamento dos salários e benefícios enquanto persistir a greve dos trabalhadores. Os pedidos foram negados.
Negociação
Por meio de nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que aguarda o julgamento da ação de dissídio coletivo pelo TRT.
“O Metrô-DF apresentou proposta na última audiência, realizada em 17 de maio, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – 10ª Região. Tal proposta consistia em assinar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2021-2023 com as cláusulas consensuais e continuar discutindo as demais (13ª parcela do Auxílio-Alimentação e Quebra de Caixa), que são objeto de impasse, no âmbito do TRT. Na ocasião, o Sindmetrô recusou proposta apresentada pela Companhia”, alegou o Metrô-DF.
Segundo a companhia, “não há prejuízos financeiros em decorrência da greve, nem redução no número de passageiros”. O Metrô ressaltou ainda que há corte de ponto quando “o empregado não comparece ao trabalho em função da greve, conforme orienta a legislação trabalhista”.
Sobre os intervalos entre os trens, o Metrô informou que no horário de pico houve aumento de 1 min a 4min30s, dependendo do destino. Fora do horário de pico, o intervalo varia entre 4 min e 13min30s, a depender do destino e do horário.











