Maior chacina do DF: júri chega ao 6º dia com votação de 500 quesitos
A ação ocorrerá a portas fechadas, em sigilo. Diante do grande número de quesitos, a expectativa é de que a votação dure cerca de 15h
atualizado
Compartilhar notícia

O Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal entrou, neste sábado (18/4), no sexto dia de julgamento dos envolvidos no extermínio de 10 pessoas de uma mesma família. Ao longo do dia, cerca de 500 quesitos serão votados pelo jurados.
A ação ocorrerá a portas fechadas e não será permitida a permanência de pessoas no plenário. Diante do grande número de quesitos, a expectativa é de que a votação dure cerca de 15h. Nesta etapa, os jurados decidem sobre a matéria de fato e se os acusados devem ou não ser absolvidos.
Os quesitos são perguntas formuladas pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, baseadas na denúncia e nas teses de defesa. As perguntas são feitas aos jurados, que respondem “sim” ou “não” para decidir sobre a condenação ou absolvição do réu. A votação é sigilosa.
Nessa sexta-feira (17/4), o promotor Nathan Neto, à frente do caso, disse que há possibilidade de a votação se estender também ao domingo (19/4).
“Amanhã [sábado], gastaremos todo o dia realizando a votação, mas é bem provável que adentremos o domingo para finalizar os questionamentos”, avaliou o representante do Ministério Público.
Após a votação de cada um dos quesitos pelos sete jurados, a sentença começará ser redigida para que, em seguida, seja lida no plenário do tribunal. Terminada a leitura, o magistrado encerrará, oficialmente, a sessão.
Júri
O júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de seis testemunhas.
No segundo dia do julgamento, 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.
No terceiro dia de julgamento, outros três réus foram ouvidos pelo júri. Na ocasião, Gideon Menezes – apontado como o mandante do crime – negou planejar a chacina e disse que sua participação ocorreu sob ameaça.
O homem também tentou envolver uma das vítimas mortas na empreitada criminosa e disse ter sofrido tortura na delegacia de polícia para que assumisse autoria nos homicídios.
Segundo a prestar depoimento, o acusado Fabrício Canhedo desmentiu as declarações de Gideon e disse que a proposta inicial partiu de Menezes. A ideia, de acordo com o relato, era realizar um crime com o objetivo de obter grande quantia em dinheiro.
Apesar de admitir participação em etapas do esquema, Fabrício negou envolvimento direto nas mortes.
O réu Horácio Barbosa, por sua vez, optou pelo direito de permanecer em silêncio.
Nessa quinta-feira (16/4), os debates tiveram início com fala do Ministério Público. O espaço foi aberto logo após os dois últimos réus deporem em plenário: Carloman dos Santos e Carlos Henrique Alves da Silva – os dois disseram se arrepender de suas participações no crime.
O Tribunal do Júri da chacina chegou ao quinto dia de julgamento, nessa sexta-feira (17/4), com espaço aberto para o debate dos advogados de defesa dos cinco réus.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter penas que chegam até 358 anos de prisão.
Chacina do DF
Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
O plano passou, então, para o assassinato de toda a família e a tomada de posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia ao patriarca da família, o primeiro a ser brutalmente morto.
Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um.
São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.
Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhados na reportagem especial O Fim de uma Família.












