Maior chacina do DF é o 2º júri mais longo; perde só para o Crime da 113

Tribunal do Júri dos réus pela chacina chega ao sétimo dia neste domingo (19/4). O julgamento só fica atrás do júri do Crime da 113 Sul

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Carla Sena / Arte Metrópoles
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1 de 1 maior-chacina-do-dfjpg - Foto: Carla Sena / Arte Metrópoles

O Tribunal do Júri da maior chacina do Distrito Federal chega ao sétimo dia neste domingo (19/4). O julgamento já é considerado o segundo mais longo da história da capital, atrás apenas do júri do caso que ficou conhecido como o Crime da 113 Sul, que se estendeu por 10 dias.

O júri dos cinco réus pela morte de 10 pessoas da mesma família teve início na segunda-feira (13/4), em Planaltina (DF). A previsão é de que a sentença da condenação dos acusados seja anunciada neste domingo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter penas que somam até 358 anos de prisão.

Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

Após ouvir 18 testemunhas, cinco réus e debates da defesa e do MPDFT, a quinta sessão do Tribunal do Júri da chacina foi encerrada, na tarde dessa sexta-feira (17/4). O julgamento foi retomado nesse sábado (18/4) para a votação dos quesitos pelos jurados, que ocorre com o plenário fechado ao público.

Os quesitos tratam-se de perguntas formuladas pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, baseadas na denúncia e nas teses de defesa. As perguntas são feitas aos jurados, que respondem “sim” ou “não” para decidir sobre a condenação ou absolvição do réu. Até o momento, há mais de 500 quesitos aguardando análise. As votações são sigilosas.

Na sequência, depois que ocorrerem as votações dos jurados, o juiz-presidente irá proferir a sentença dos réus.

Maior chacina do DF é o 2º júri mais longo; perde só para o Crime da 113 - destaque galeria
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Delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação à época do crime, prestou depoimento nesta terça-feira (14/4)
Cinco réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família
Réus estão sentados lado a lado mas não podem se comunicar
Réus da considerada a maior chacina do DF
Julgamento dos réus da maior chacina do DF
Julgamento da chacina chega ao sexto dia neste sábado (18/4)
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Julgamento da chacina chega ao sexto dia neste sábado (18/4)

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação à época do crime, prestou depoimento nesta terça-feira (14/4)
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Delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação à época do crime, prestou depoimento nesta terça-feira (14/4)

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Cinco réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família
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Cinco réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família

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Réus estão sentados lado a lado mas não podem se comunicar
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Crime da 113 Sul

Até hoje, o júri mais longo já realizado no DF ocorreu em 2019, quando a arquiteta Adriana Villela foi condenada inicialmente a 67 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato dos pais e da empregada da família. O julgamento durou 10 dias, somando 103 horas de debates no Tribunal do Júri de Brasília.

O caso, que ficou conhecido como Crime da 113 Sul, é um dos mais rumorosos da capital federal.

No total, depois de 10 anos de espera para a ré ser julgada, sete jurados foram sorteados para o caso – quatro mulheres e três homens. Em 10 dias de júri, 24 testemunhas prestaram depoimento: oito de acusação e 16 de defesa.

A arquiteta foi condenada a 32 anos de reclusão pelo homicídio do pai, José Guilherme Villela, a mais 32 anos pelo da mãe, Maria Villela, e a 23 anos pelo assassinato da empregada da família, Francisca Nascimento Silva. Além disso, houve condenação de 3 anos e 6 meses pelo furto de joias e dinheiro do casal. As penas, contudo, não são somadas, e o juiz fixa o tempo total.

Em setembro de 2025, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou o júri que condenou Adriana Villela.

Por maioria, os ministros decidiram atender aos pedidos dos advogados da arquiteta para anulação da condenação por cerceamento de defesa, que não teve acesso a provas importantes do caso, como depoimento de outro réu que acusou Adriana de ser a mandante dos assassinatos.

A decisão não inocentou a acusada, mas entendeu que houve um erro na condução do processo, porque a defesa não teve acesso às mesmas provas que a acusação.

Júri da chacina do DF

O júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas.

No segundo dia do julgamento, 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.

No terceiro dia de julgamento, outros três réus foram ouvidos pelo júri. Na ocasião, Gideon Menezes – apontado como o mandante do crime – negou planejar a chacina e disse que sua participação ocorreu sob ameaça. O homem também tentou envolver uma das vítimas mortas na empreitada criminosa e disse ter sofrido tortura na delegacia de polícia para que assumisse autoria nos homicídios.

Segundo a prestar depoimento, o acusado Fabrício Canhedo desmentiu as declarações de Gideon e disse que a proposta inicial partiu de Menezes.

A ideia, de acordo com o relato, era realizar um crime com o objetivo de obter grande quantia em dinheiro. Apesar de admitir participação em etapas do esquema, Fabrício negou envolvimento direto nas mortes.

O réu Horácio Barbosa, por sua vez, optou pelo direito de permanecer em silêncio.

Nessa quinta-feira (16/4), os debates tiveram início com fala do Ministério Público. O espaço foi aberto logo após os dois últimos réus deporem em plenário: Carloman dos Santos e Carlos Henrique Alves da Silva – os dois disseram se arrepender de suas participações no crime.

O Tribunal do Júri da chacina chegou ao quinto dia de julgamento, nessa sexta-feira (17/4), com espaço aberto para o debate dos advogados de defesa dos cinco réus acusados de exterminar 10 pessoas de uma mesma família.

Entenda o caso

Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.

Avaliado em R$ 2 milhões, o terreno que motivou os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas tem cachoeira privativa, ampla área de capim de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados

O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia ao patriarca da família, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área

Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um.

São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.

Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro.

Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.

Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.

Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial O Fim de uma Família.

 

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