Júri da maior chacina do DF entrará no fim de semana. Veja o que falta
Julgamento será retomado neste sábado (18/4) com votação dos jurados. Conselho de Sentença decidirá pela condenação ou absolvição dos réus
atualizado
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Após cinco dias de julgamento, o julgamento dos réus da maior chacina do Distrito Federal entra na reta final neste fim de semana. A previsão é de que o júri termine no domingo (19/4).
Nessa sexta-feira (17/4), o Tribunal do Júri de Planaltina encerrou a fase de debates do julgamento dos acusados de assassinar 10 pessoas de uma mesma família, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.
Os réus Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva e Fabrício Silva Canhedo respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Nessa sexta, o julgamento teve início, por volta das 9h30, com a sustentação oral dos advogados dos réus. No final da tarde, o juiz informou que o julgamento seria suspenso para consolidação dos quesitos, com retorno neste sábado (18/4) para votação secreta pelos jurados.
Os quesitos são perguntas formuladas pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, baseadas na denúncia e nas teses de defesa. As perguntas são feitas aos jurados, que respondem “sim” ou “não” para decidir sobre a condenação ou absolvição do réu. Até o momento, há mais de 500 quesitos aguardando análise. As votações são sigilosas.
“Como são cerca de 500 quesitos, acreditamos que não teremos tempo suficiente para concluir a votação ainda hoje [sexta-feira]. Amanhã [sábado], gastaremos todo o dia realizando a votação, mas é bem provável que adentremos o domingo para finalizar os questionamentos”, avaliou o promotor Nathan Neto.
A votação será feita de portas fechadas e não será permitida a permanência de pessoas no plenário. Diante do grande número de quesitos, a expectativa é de que a votação se prolongue ao longo do dia. Nesta etapa, os jurados decidem sobre a matéria de fato e se os acusados devem ou não ser absolvidos.
Na sequência, com base na votação dos jurados, será realizada a leitura da sentença pelo magistrado. Terminada a leitura, o juiz encerrará a sessão.
Júri
O júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas.
No segundo dia do julgamento, 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.
No terceiro dia de julgamento, outros três réus foram ouvidos pelo júri. Na ocasião, Gideon Menezes – apontado como o mandante do crime – negou planejar a chacina e disse que sua participação ocorreu sob ameaça. O homem também tentou envolver uma das vítimas mortas na empreitada criminosa e disse ter sofrido tortura na delegacia de polícia para que assumisse autoria nos homicídios.
Segundo a prestar depoimento, o acusado Fabrício Canhedo desmentiu as declarações de Gideon e disse que a proposta inicial partiu de Menezes. A ideia, de acordo com o relato, era realizar um crime com o objetivo de obter grande quantia em dinheiro.
Apesar de admitir participação em etapas do esquema, Fabrício negou envolvimento direto nas mortes.
O réu Horácio Barbosa, por sua vez, optou pelo direito de permanecer em silêncio.
Nessa quinta-feira (16/4), os debates tiveram início com fala do Ministério Público. O espaço foi aberto logo após os dois últimos réus deporem em plenário: Carloman dos Santos e Carlos Henrique Alves da Silva – os dois disseram se arrepender de suas participações no crime.
O Tribunal do Júri da chacina chegou ao quinto dia de julgamento, nessa sexta-feira (17/4), com espaço aberto para o debate dos advogados de defesa dos cinco réus.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter penas que chegam até 358 anos de prisão.
Chacina do DF
Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, o primeiro a ser brutalmente morto.
Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um.
São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.
Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial O Fim de uma Família.












