Mães do DF se unem na dor para superar, em grupo, o luto gestacional

Depoimentos reforçam importância do acolhimento. Secretaria de Saúde oferece práticas integrativas que auxiliam na superação do luto

atualizado

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Universo Particular Studio/Monique Maia Batista
Luto Gestacional 8
1 de 1 Luto Gestacional 8 - Foto: Universo Particular Studio/Monique Maia Batista

A chegada de um bebê é um dos momentos mais esperados por muitos casais. Geralmente, eles sonham em ter um filho, a mulher engravida, vê a barriga crescer, faz planos, mas em algumas situações, por algum motivo, a gravidez é interrompida. Perder o bebê pode ser a pior dor de uma mãe. Com a perda gestacional, vem o luto.

Mesmo quando perdem seus filhos, elas continuam preservando esse amor incondicional. Ainda assim, instituições médicas, profissionais de saúde, a legislação e a sociedade fecham os olhos para a dor silenciosa de mães durante o luto gestacional, e deixam ainda mais pesado um sentimento que por si só é devastador.

No Distrito Federal, essas mães transformaram a dor da perda em solidariedade. Elas dão o exemplo e mostram que ser mães de anjos é ajudar outras mulheres a enfrentar esse sofrimento. O objetivo é sensibilizar para a superação, cura e consciência do tema, que ainda é um tabu na sociedade e precisa ser desmitificado para uma melhor compreensão de todos.

A técnica administrativa da Gerência de Práticas Integrativas em Saúde (Gerpis) Filomena de Oliveira Cintra e Silva, 45 anos, sofreu duas perdas gestacionais. Ela conta como foi difícil retornar para casa depois da morte do segundo bebê, em 2018, passados nove anos do primeiro luto. A primeira criança foi chamada de Alexis. A segunda, Isaac Felipe.

Após o trauma, Filomena, ou Saraswati, como é conhecida por seu nome espiritual, engravidou de novo e teve Catarina Prema, “uma arco-íris” – termo para as crianças que nascem após uma perda. Catarina tem hoje 9 anos.

Nos últimos anos, Filomena passou a lutar por mais informação e conscientização de todos os envolvidos em casos como o dela. Entre eles, familiares, amigos e, principalmente, os profissionais da área.

Por meio das redes sociais @flordevida.por.saraswati, a terapeuta auxilia outras mães ao falar sobre temas como autocuidado materno, perda gestacional e neonatal e gestação consciente.

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Catarina Prema, “uma arco-íris”
 Saraswati, como é conhecida por seu nome espiritual
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Saraswati, como é conhecida por seu nome espiritual

Arquivo pessoal/Saraswati
Catarina Prema, “uma arco-íris”
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Catarina Prema, “uma arco-íris”

Universo Particular Studio/Monique Maia Batista
“Ajudo na medida do possível. Como tenho grupo no WhatsApp, converso tanto com mães que perderam, como com doulas e profissionais da saúde. Pessoas que não sabem como lidar com o processo da perda e precisam de acolhimento. É uma dor invisível. As pessoas se sentem negligenciadas. A maioria não sabe lidar com a morte”, conta.

Na opinião de Filomena, o assunto é muito incompreendido e pouco falado. “Também é importante ressaltarmos o processo do luto pelo pai. É uma dor que ele também está sentindo e sofre. Um momento de profunda tristeza e que eles precisam entender que não estão sozinhos. É importante que tenham orientação e criem uma rede de apoio”, pontua.

No canal pessoal no Youtube, Saraswati posta vídeos sobre o tema. Assista:

Fotografia

A jornalista e fotógrafa Monique Maia Batista, 37, é mãe de Joana, 9, Estêvão, 4, e de Abel e Julia, duas perdas gestacionais ocorridas em 2014 e 2016. Julia é gêmea de Estêvão e não sobreviveu durante a gravidez da mãe.

Da primeira vez que perdeu um bebê, Monique estava com 10 semanas de gestação. Ela passou por procedimento de curetagem e considera que sofreu negligência médica. “Isso tornou o processo mais doloroso. A médica que me atendeu à época, não teve empatia e cuidado. Foi agressiva. Eu estava fragilizada e não me senti acolhida. Estava desamparada”, relata.

Após a primeira perda, Monique engravidou novamente. Dessa vez, de gêmeos, em 2016.

“Perdi a Julia com seis semanas. O meu corpo absorveu e foi um processo um pouco menos traumático. Emocionalmente, fiquei muito abalada. É uma dor que as pessoas não compreendem. A perda gestacional é pouco considerada. O sofrimento existe”, desabafa a fotógrafa.

Baseada na própria dor e na de tantas outras mulheres, Monique idealizou em seu trabalho, na empresa @universoparticular.studio, um ensaio sobre perda gestacional para compartilhar a experiência por meio do autoconhecimento.

“A fotografia pode ser usada como uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. De forma terapêutica para trabalhar as dores e a maneira como cada um se enxerga”, explica a proposta.

“Um dos primeiros ensaios que fiz foi com a Filomena. Ela topou e trabalhamos as etapas que ela vivenciou com a perda, de forma visual. Foi muito emocionante. Ao mesmo tempo eu também trabalhava em mim aquele mesmo processo. Porque eu também me identificava. Foi muito curativo. A marca faz parte da nossa história mas, quando conseguimos ressignificar uma dor profunda, reconhecemos a nossa força, crescemos, e definitivamente mexe com algo dentro de nós”, acrescenta.

Veja fotos do trabalho de Monique realizado com Filomena e dos filhos arco-íris das duas:

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Sobre perda, o tempo e as angústias
O fio da vida quando sucumbe
Filomena passou por duas perdas gestacionais
Filomena e Monique
Catarina e os laços que nunca serão perdidos
Filomena no ensaio fotográfico feito por Monique
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Filomena no ensaio fotográfico feito por Monique

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Sobre perda, o tempo e as angústias
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Sobre perda, o tempo e as angústias

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O fio da vida quando sucumbe
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O fio da vida quando sucumbe

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Filomena passou por duas perdas gestacionais
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Filomena passou por duas perdas gestacionais

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Filomena e Monique
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Filomena e Monique

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Catarina e os laços que nunca serão perdidos
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Catarina e os laços que nunca serão perdidos

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Monique com Joana e Estêvão
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Monique com Joana e Estêvão

Arquivo pessoal/Monique Maia Batista
As crianças têm 9 e 4 anos
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As crianças têm 9 e 4 anos

Arquivo pessoal/Monique Maia Batista
Gestação interrompida

Existem diversos estudos que apontam um número significativo de perdas gestacionais, em proporção à quantidade de casos de gravidez confirmada. São cerca de 20% das grávidas que têm a gestação interrompida de forma espontânea antes da 12ª semana.

Quando a morte ocorre até a 22ª semana, denomina-se “perda gestacional precoce”. A partir daí, “perda gestacional tardia”. A morte neonatal corresponde ao falecimento do recém-nascido até os 28 dias de vida completos.

Atualmente, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), oferece 16 práticas integrativas em saúde (PIS) com foco na recuperação e reabilitação da saúde, que vêm auxiliando muitas mulheres a superar o luto. Conheça as práticas integrativas oferecidas no DF.

Por meio das práticas, as mães participam de atividades como reiki, acupuntura, terapia comunitária e o uso de homeopatia, tratamentos que podem ser importantes aliados das famílias que passam pela perda gestacional. A conversa com um psicólogo também é importante.

“Com a pandemia da Covid-19, as práticas coletivas estão suspensas por causa do isolamento social. Mas muitas estão sendo oferecidas on-line. A terapia comunitária integrativa (TCI) é uma das PIS oferecidas no SUS-DF e que pode ajudar nesse processo do luto”, explica Filomena.

Aqueles que se interessarem por alguma dessas atividades devem acessar práticas integrativas em saúde informando a região administrativa onde reside para ter conhecimento do que é oferecido na localidade. Também é possível entrar em contato pelo e-mail: gerpis.sesdf@gmail.com.

Para quem precisa de ajuda:

Facebook Flor de Vida por Saraswati

Facebook Mães de Anjos

Grupos de WhatsApp: Grupo de Apoio Lótus, por Filomena: (61) 98129-2627;

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