Mãe sobre mulher que sequestrou bebê em hospital: “Eu a perdoo”

Larissa, que teve o filho sequestrado na maternidade do HRT, disse estar aliviada e ter passado a noite pertinho de Miguel

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 29/11/2019 14:41

O caso do recém-nascido sequestrado na maternidade do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) terminou em final feliz para a família do pequeno Miguel Pietro. O primeiro dia após o reencontro da mãe com a criança foi repleto de alívio e agradecimentos. Assim como a unidade de saúde onde o bebê estava internado, nenhum hospital público tem câmeras de segurança.

Moradora do Gama, a cabeleireira Larissa Almeida, 21 anos, passou a noite pertinho da criança. “A coisa que eu mais desejo é que a gente seja muito feliz, né? Que nada de ruim aconteça com a gente nunca mais. Estou muito feliz e quero voltar para casa logo”, destacou. De acordo com a mamãe do garotinho, após o sequestro, os pontos da cesária foram rompidos e, por isso, ela está precisando tomar antibióticos.

Larissa deve ficar internada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) até domingo (01/12/2019). Sobre a sequestradora, identificada como Dayane dos Santos, 23, ela não demonstra mágoa. “Eu a perdoo. Porque agora sou mãe, tenho um pensamento, um sentimento diferente. Se ela fez isso, tem um motivo. Não sei se ela tem filho ou queria ter. Porque ela realmente queria ter um menino, mas não podia ser o meu, né? Ela tem que fazer o dela”, disse. Dayane foi solta por determinação da Justiça nesta sexta-feira (29/11/2019).

Miguel Pietro foi levado do HRT na madrugada de quinta-feira (28/11/2019) e achado horas mais tarde, após Dayane tentar dar entrada no HRC com a criança. “Fiquei muito angustiada durante as investigações. Meu sentimento depois de tudo o que se passou, neste momento, é de felicidade”, afirmou Larissa ao Metrópoles.

Foram seis horas de tensão após Miguel, com apenas 19 horas de vida, ser levado por uma mulher de jaleco. A suspeita teria visitado a mãe do recém-nascido às 3h e levado o bebê para supostamente fazer exame de glicemia. No entanto, não o devolveu.

Dayane perdeu um filho em agosto deste ano. Ela continuou tentando engravidar e, recentemente, o teste deu negativo. A acusada retirou o bebê do hospital dentro de uma sacola. Foi presa ao tentar entrar no HRC como se fosse a mãe de Miguel.

Segundo a avó materna do bebê, Francisca de Almeida Ribeiro, 55, o pequeno está muito saudável e sendo bem cuidado. “Agora, a gente vai cuidar mais ainda. Muito mais. A minha filha não desgruda dele”, ressaltou.

Modus operandi 

Dayane entrou no HRT por volta das 15h de quarta-feira (27/11/2019) e se identificou como visitante para conseguir o acesso à unidade de saúde. Cursando faculdade de fonoaudiologia, usou um jaleco para despistar os profissionais do hospital e se passar por enfermeira.

Ela permaneceu dentro do local por 12 horas até conseguir uma mãe que estivesse sozinha. Falou com várias até encontrar Larissa, a mãe de Miguel.

Após o episódio, a Secretaria de Saúde disse que há um projeto em andamento para implantação de uma central de monitoramento de toda rede pública.

“Houve falha do hospital. É necessário tomar medida de maior controle da saída de pessoas, como a instalação de câmeras e revistas na saída”, destacou o delegado Luiz Henrique Sampaio, da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), responsável pelo caso. Segundo ele, Dayane confessou o crime e disse estar arrependida.

 

Reprodução/Instagram

 

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